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domingo, 11 de janeiro de 2015

Escolha seu ano profético!

ou apostólico, tanto faz!

Já falei sobre isto antes, no longíquo ano de 2010, aqui, mas como a moda permanece, vai de novo um artigo só com imagens para ficar mais fácil a sua escolha... se bem que  no artigo de 2010 eu falava sobre ano profético, desta vez o ano é apostólico, veja só que coisa:




Esse é picareta mesmo: copiou exatamente a mesma imagem do “ano apostólico de Joel” da Renascer em 2013, só mudou o ano para 2015, acrescentou o logo da igreja e a charmosa foto do casal untado...
Por falar em Renascer, que agora anuncia o ano apostólico de Daniel (desde quando Daniel é apóstolo, eu ainda não descobri), ela é a campeã: veja o que ela já promoveu nos últimos anos.
1997 - Ano Apostólico das Portas Abertas
1998 - Ano Apostólico da Porção Dobrada
1999 - Ano Apostólico da Grande Pesca
2000 - Ano Apostólico da Ressurreição
2001 - Ano Apostólico da Restituição
2002 - Ano Apostólico da Promessa
2003 - Ano Apostólico de José
2004 - Ano Apostólico de Neemias
2005 - Ano Apostólico de Josué
2006 - Ano Apostólico de Isaque
2007 - Ano Apostólico de Elias
2008 - Ano Apostólico de Ester
2009 - Ano Apostólico de Davi
2010 - Ano Apostólico de Pedro
2011 - Ano Apostólico de Abraão
2012 - Ano Apostólico de Mateus
2013 - Ano Apostólico de Joel
2014 - Ano Apostólico de Calebe




Esse último também é profético, e não apostólico, o da Sara Nossa Terra, e traz uma novidade. Você tem três opções de bênção de acordo com a sua oferta:
– oferta de R$ 300,00 = restituição + livro grátis;
– oferta de R$ 600,00 = restituição + Bíblia rosa grátis;
– oferta de R$ 1.000,00 = restituição + super caneta dourada. Veja só que beleza! Você PAGA R$300, 600 ou 1.000 e leva o brinde GRÁTIS! Melhor impossível!
Pronto, agora você não tem mais desculpa para não aderir à onda do ano profético. Interessante é que não existe unidade nessas profecias, já que até mesmo dentro da mesma denominação (por exemplo, IEQ) há orientações proféticas completamente diferentes. Por outro lado, seria o fato da preferência  pela restituição” uma revelação profética ou apenas mera coincidência de tanta gente no ritmo de Provérbios 30:15? 
Faça hoje mesmo a sua escolha.
Eu poderia ficar aqui dando várias sugestões de anos proféticos muito mais em sintonia com o momento que vivemos, a era da Graça e da Igreja. Por exemplo, poderíamos adotar 2015 como o ano de Zaqueu, que deu metade do que possuía aos pobres e restituiu quatro vezes mais o que havia obtido por meio de fraude. Não... esse não seria bem aceito pela igreja moderna que tem muito apreço pela prosperidade material.
Ou então o ano profético de Tiago, conhecido por joelhos de camelo de tanto tempo que passava ajoelhado em oração. Mas morreu decapitado por incomodar demais o povo de seu tempo. Esse também não ia dar certo.
João Batista era um profeta, elogiado por Jesus como o maior de todos os homens até então; mas também acabou perdendo a cabeça, não ia pegar bem.
Pensando melhor, antes que alguém decida fazer o ano profético de Estêvão, aquele que disse que Deus não habita em templos de pedra e acabou levando um  monte de pedrada, vamos acabar com essa bobagem de ano profético?
Porque do jeito que está, estamos passando ao mundo a impressão de que Jesus Cristo é um louco: manda cada parte de Seu Corpo ir para um caminho diferente. Imagina sua cabeça ordenando uma coisa a uma perna e outra coisa a outra perna. É por aí.

588.900 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bispos e bispos...

A posse da presidente Dilma Rousseff foi transmitida por todos os canais de TV do Brasil e vários do exterior. O engraçado foi saber que a Globo cortou na hora a sua transmissão, colocando no ar “melhores momentos”(?) do “Caldeirão do Huck”. Mas quem mudou de canal viu por que: na fila do salamaleque estava o “empresário” Edir Macedo, dono da TV Record, segundo a qual a comitiva era a única da mídia no evento.
Duas reflexões:
A primeira é que uma das poucas coisas boas, se é que há alguma, em ver Edir Macedo ao lado da presidente Dilma é saber que a Globo se mordeu e espumou de raiva, sendo obrigada a cortar a transmissão abruptamente. Isso é muito bom! Fazer raiva na Globo não tem preço!
A segunda é mais séria.
Como diria Lula, “nunca antes na história deste país” teve tanto evangélico (ou pelo menos gente que se acha evangélica). Não por acaso, a visita a um bom número de igrejas já faz parte do roteiro de qualquer político. O PV de Marina Silva, por exemplo, apesar de defender a união civil de homossexuais, o aborto, a legalização de drogas e outros temas que quase custaram a cabeça a outros candidatos, ganhou pontos abençoados desse rebanho e forçou o segundo turno em outubro passado. Apesar da anencefalia coletiva, ou talvez por causa dela, é um contingente nada desprezível.
É preciso afagar a manada. E a forma mais fácil é lhe dando uma parcela, ainda que ínfima, desse poder e visibilidade. Isso agrada a massa.
Nos portais de notícias que aceitam comentários, a aparição do “bispo” na posse causou júbilo entre as hostes iurdianas. Um comentário dizia, eufórico, que “ninguém agüenta nós da universal” (sic). O comentarista tem razão; mas eu fico pensando na grande diferença dos “bispos” da atualidade para os verdadeiros bispos da história da Igreja.
João, por exemplo. É, aquele mesmo que escreveu um evangelho, três epístolas e o Apocalipse. Aquele que junto com Pedro foi o primeiro discípulo a chegar à tumba vazia. Aquele a quem Jesus amava.
Sabe-se que João foi bispo na cidade de Éfeso, uma das maiores cidades do Império Romano. Como em outros lugares, havia ali um templo da deusa Diana: eu vi um deles em Portugal e fiquei impressionado - e nem era dos maiores. Imagine-se o de Éfeso, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. A cidade, extremamente idólatra, vivia em torno do comércio religioso que emanava desse templo. A Bíblia relata que se faziam miniaturas dele, vendidas com muito lucro, até o dia em que os cristãos começaram a se multiplicar. Libertos da idolatria, abandonaram as bugigangas, que começaram a encalhar nas prateleiras, e aí, parece que é o noticiário de hoje: com a iminente quebra da economia local, houve um protesto na associação comercial. Foi tão grande o tumulto que a polícia chegou, desceu o cassetete a torto e a direito, e levou todo mundo para a delegacia, inclusive o apóstolo Paulo, para prestar esclarecimentos... leia mais em Atos 19.
Mas a despeito da antipatia dos comerciantes, a comunidade cristã cresceu e algum tempo depois, João se tornou bispo na cidade. A igreja em Éfeso foi mencionada em Apocalipse, e apesar de tomar uma repreensão do Senhor, foi elogiada por detonar os nicolaítas, o que significa que era uma igreja que não aceitava o domínio de uns sobre os outros. Já se vê aí uma diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Entre o tumulto em Atos e a carta em Apocalipse, se passaram cerca de 40 anos. Nesse meio tempo, pelo menos oito imperadores subiram ao poder: Nero em 54, Oto, Galba e Vitélio em 67/68, Vespasiano em 69, Tito em 79, Domiciano em 81 e Nerva em 96.
Não se tem notícia de que João tenha sido convidado para as solenidades de posse de nenhum deles. Nem Pedro, Lino, Anacleto ou Clemente, que a tradição diz terem sido os primeiros bispos da capital do império, foram convidados. O motivo? Simples: a igreja não compactuava com o governo, com suas diretrizes, seus métodos, sua ideologia. Não se misturavam. É  outra diferença entre aqueles bispos e os de hoje.
Para se ter uma idéia, o historiador Tácito escreveu que os cristãos eram, para os romanos, “o que há de abominável e infame no mundo... uns foram revestidos de peles de animais ferozes e jogados aos cães pra serem devorados; outros eram pregados em cruzes; muitos foram queimados vivos, embebidos de matéria inflamável, acesos para servirem de tochas à noite” (Anais da Historia Romana, XV:44).
Mas hoje... são outros tempos, dirão alguns.
Sem dúvida, são outros tempos.
Hoje o político precisa da igreja, e a igreja precisa do político. E nessa dependência mútua, abre-se espaço para o comércio, o negócio, a combinação: você não me atrapalha que eu não te atrapalho. Você me ajuda que eu te ajudo. Você fala, que eu te escuto.
E aí pergunto, mais uma vez: a Igreja precisa disto? Jesus, a quem pretendemos representar nesta terra, precisa disto? A Igreja precisa do poder terreno? Precisamos “tomar posse da nação”? Evidentemente, todo cidadão tem o direito de votar e ser votado, de acordo com suas convicções. Congressistas cristãos podem agir como sal e luz, barrar certas leis etc., mas têm o direito de exigir poder e holofotes? Podem barganhar verbas? Prometer votos em troca de concessão de emissoras de rádio e canais de TV?
O que temos visto a cada dia não é exatamente sal e luz, mas sim dólar na meia, na cueca, oração da propina, sanguessugas, passagens aéreas para parentes e apaniguados, tentativa de meter a mão no dinheiro do FGTS e outros absurdos.
Mas... são outros tempos.
O bispo agora não é mais queimado vivo não, que absurdo, ele é convidado para a posse presidencial.
Nunca antes na história deste país se viu tal coisa, dirão alguns. Nem da Igreja, digo eu. 
O bispo agora não vive distante da política; ele não é mais oposição a César. O bispo agora janta com César. César precisa do bispo, e vice-versa. E se você quiser saber o que é ser bispo, clique aqui.
...
No dia da posse, o Jornal Nacional exibiu matéria sobre uma concentração da igreja Mundial, que vem crescendo mais que a IURD. O evento reuniu cerca de 100 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Há oito meses, a IURD reuniu mais de 1 milhão de pessoas no mesmo local, e a TV Globo não noticiou o encontro. Só o jornal O Globo deu foco ao “congestionamento” e à “sujeira”, com o título pejorativo de “Caos universal e autorizado”. Valdemiro Santiago, auto-proclamado “apóstolo” e chefe da Mundial, é dissidente da IURD e nunca antes teve espaço na Globo, mas ofereceu R$15 milhões mensais por um horário no SBT. Dinheiro não falta, para isso existe o “bízimo” e o “trízimo”. Teria sido paga a matéria do JN, ou a Globo resolveu contra-atacar a Universal com a Mundial?
Será que vai ter próximos capítulos? Será que vale a pena ver de novo a guerra santa?
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