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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nem fé, nem religião:

O portal de notícias Gospel Prime publicou entrevista com a cientista política Maria das Dores Campos Machado, que achei interessante reproduzir aqui:
A pressão de setores religiosos – principalmente evangélicos – sobre uma definição contra o aborto da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) não tem motivação religiosa, mas é uma forma de barganhar por poder, avalia a cientista Maria das Dores Campos Machado. Ela destaca que, neste segundo turno presidencial – nem Dilma, nem José Serra (PSDB) têm perfil religioso. Para ela, qualquer um dos dois tem chances de ganhar o apoio desses grupos por negociação.
- Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Eles sabem que estão lidando com dois candidatos que não são religiosos.
Para a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os pastores viram na polêmica uma chance de se estabelecerem na política.
- É um jogo e o que estas lideranças querem mostrar é que estão sendo reconhecidas.
Autora dos livros “Os Votos de Deus” e “Política e Religião”, Maria das Dores é diretora de um núcleo de estudos sobre religião e política. Em entrevista a Terra Magazine, ela critica o uso da discussão em torno da descriminalização do aborto nas eleições. “O fato de isso aparecer na eleição, mostra como o debate na sociedade é incipiente”. “Esse tema está sendo usado na eleição porque a sociedade não tem uma posição clara”.
Leia a entrevista na íntegra.

Terra Magazine – O que a senhora está achando do fato de os votos dos religiosos entrarem no centro dessa disputa pelo segundo turno? A questão do aborto, principalmente, está se tornando crucial para os presidenciáveis.
Maria das Dores Campos Machado - A religião sempre teve uma dimensão muito importante na cultura brasileira e aparece sempre em momentos importantes das eleições. Nos últimos anos, o movimento feminista conquistou alguns avanços junto ao Poder Executivo, há a questão do Plano Nacional de Direitos Humanos. Isso expressava um certo avanço dos setores mais progressistas do governo. O que há é uma reação dos grupos conservadores. Você não tem nenhum grupo religioso com uma única posição com relação às candidaturas que estão representadas agora. Tanto os evangélicos como os católicos estão divididos. Eles também percebem que a própria candidatura de José Serra também tem mais afinidade com posturas mais liberais. Ele já foi ministro da Saúde, tem medidas que facilitaram a contracepção de emergência.
- Como é essa divisão? 
- No caso de Serra, os contatos que ele mantém são muito mais graças ao Geraldo Alckmin, que é um católico mais conservador, e alguns movimentos de renovação carismática muito ligados ao Geraldo Alckmin no interior de São Paulo. No caso de Dilma, a candidatura dela tem o apoio tanto do bispo Edir Macedo (líder da Igreja Universal) como do bispo Manoel Ferreira, que é uma grande liderança da Assembleia de Deus. Mas há uma grande resistência de grupos mais conservadores e grupos que não conseguem estabelecer um canal direto com as grandes candidaturas.
Não se pode esquecer que os evangélicos têm um caráter muito pragmático. Eles sabem estabelecer uma separação entre o que é do mundo legislativo e o que é essa doutrina religiosa. Nesse sentido, eu acho que existe possibilidade de os dois candidatos conquistarem apoio desses grupos para além da visão ideológica ou da visão mais doutrinária de ser contra ou a favor do aborto. Eles sabem muito bem que eles estão lidando com dois atores políticos que não são religiosos, mas que podem dialogar com suas lideranças e podem dar um tratamento de ouvir mais essas lideranças na maneira de encaminhar o debate do aborto.
- Mas essa possibilidade de negociar com os dois lados independe, então, da questão religiosa em si?
- Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Até o final dos anos 90, o Lula era visto como um representante do “demônio” por vários pastores. Os pastores diziam que o Lula era endemoniado. Eu lembro que, na campanha em que o Lula foi vitorioso, o bispo Carlos Rodrigues disse: Nós criamos o veneno – que era considerar o Lula um demônio – nós vamos criar o antídoto. Existe por parte das lideranças certo pragmatismo. Uma vez convencidos de que as alianças políticas podem ser proveitosas para os seus grupos, eles podem rever toda a posição.
- Mas esse apoio não iria, neste caso, ao candidato que se comprometesse a não descriminalizar o aborto?
- Sim. O que eu estou querendo dizer é que esse tipo de intervenção – como o do pastor Malafaia (que declarou voto em Serra) – é criado em função de entenderem que eles estariam tendo uma maior capacidade de influência junto à Dilma ou ao Serra. Eu acho que há um pragmatismo aí por trás. Eu acredito que Malafaia, quando declara o seu voto, é uma pessoa que faz a opinião pública. É um caráter extremamente pragmático. Eu acho que ele está aí tentando se cacifar no jogo da política. Ele não é só um ator religioso. Tem aí também um jogo das lideranças religiosas no sentido de serem reconhecidas enquanto atores políticos, atores que vão estabelecer uma série de acordos e vão ter acesso ao cenário político. A questão doutrinária é colocada na mesa para negociar ou para forçar um reconhecimento enquanto ator político.

- Colocar essa questão do aborto às vésperas da eleição é uma ação eleitoreira? Em especial, o questionamento direto feito à postura da candidata Dilma por ela não ter se definido sobre o tema?
- Existem coisas que acontecem dentro das igrejas. E existem coisas que, da Igreja, são levadas para a mídia. Que a mídia tem mais simpatia pela candidatura do Serra, isso é inegável. Mas, por exemplo, o Silas Malafaia está distribuindo CDs e DVDs contra o aborto. O que é curioso é que, por exemplo, não houve uma discussão em torno da homofobia – que também é um tema difícil. Por quê? Porque os homossexuais têm uma mobilização dentro da sociedade, então eles conseguem dar uma resposta de pronto, acionando a Justiça. Eles têm uma capacidade de mobilização muito maior que o movimento a favor do aborto. No caso dos homossexuais, por mais que os líderes religiosos sejam contra, eles não conseguem interferir nesse debate e nem trazer isso para o momento eleitoral. São temas que estão sendo usados porque a sociedade civil brasileira ainda não tem uma posição clara com relação ao aborto. Então, permitiu que esse tema fosse usado dessa forma.
Fonte: Terra / Gospel Prime
E para completar, o portal Gospel + antecipou reportagem da revista Época sobre a polêmica em torno da misura de política e eleições. Leia aqui (http://noticias.gospelmais.com/materia-de-capa-da-revista-epoca-deus-entrou-nas-eleicoes-leia-na-integra.html).

50700

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma história de sexo, terror e crimes

A intimidade com o poder
temporal é uma das formas de  prostituição do espiritual com o mundano - como anunciado em Apocalipse capítulo 17. Essa mistura das coisas de Deus com as coisas do mundo não vem de agora; não, é muito antiga.

O aspecto moral, infelizmente, é apenas uma cena pornográfica no meio desse longo filme de terror.
Durante a Idade Média surgiram anedotas como o Decameron, Heptameron, Os Contos de Canterbury etc., cujos protagonistas eram padres e freiras lascivos. Muitos papas eram tão depravados que até mesmo os que não professam nenhuma religião se escandalizavam. Devido a tamanha imoralidade, não devemos nos surpreender de que os padres não fossem melhores do que seus chefes. 
Pecados tais como adultério, sodomia, estupros, assassinatos e embriaguez vêm sendo cometidos por muitos papas através da história. Estamos conscientes de que atribuir esta classe de pecados a quem se proclama ser “santo padre”, “vigário de Cristo” e “bispo de bispos”, pode ser alarmante para alguns. Mas aquele que estuda a historia dos papas compreende claramente que muitos foram tudo, menos santos.
Sergio III (904-911 d.C.) obteve o ofício papal por meio de assassinato. Os anais da igreja de Roma falam sobre sua vida em pecado com Marozia dei Teofilatti, a quem seduzira quando ela era adolescente, e que depois lhe deu vários filhos. Marozia era filha de um senador romano com Teodora, uma prostituta.
Este Sergio foi descrito pelos historiadores Baronio e Gregorio como um “criminoso aterrorizante” e por outros escritores eclesiásticos como um “monstro”. Diz um deles: “Por sete anos ocupou a sede de são Pedro, enquanto sua concubina, imitando a rainha Semiramis, reinava na corte em pompa e luxo como nos piores dias do velho Império Romano”. Referindo-se a Teodora, diz: “Esta mulher, junto com Marozia, a prostituta do papa, encheu a sé papal com seus filhos bastardos e converteu seu palácio em um labirinto de ladrões”Após a morte de Sergio, Teodora conseguiu nomear “papa” João X, então seu amante (914). João foi assassinado em 928 por Marozia, que queria levar Leão IV à cadeira papal. Seu reinado foi breve (928-929): teve o mesmo fim quando Marozia se deu conta de que ele tinha uma amante mais imoral do que ela própria. Pouco depois conseguiu eleger seu filho e de Sergio ao trono.  Entretanto, o novo "papa" era apenas um adolescente, que tomou o nome de João XI. Durante uma briga com os inimigos de sua mãe foi encarcerado e acabou morrendo envenenado.
No ano de 995, o neto de Marozia tomou posse do trono como João XII. Este chegou a ser tão corrupto que os cardeais se viram obrigados a tomar medidas: foi julgado culpado de vários crimes, incluindo incendiar edifícios, brindar ao demônio, jogar dados, invocar ajuda do diabo, obter dinheiro por meios ilegais e cometer imoralidades. Tão vis foram seus atos que o bispo Luitprand de Cremona disse que “nenhuma mulher honesta se atrevia a sair em público, pois João não tinha respeito a elas, solteiras, casadas ou viúvas”. Levantou a ira do povo ao transformar o palácio papal em bordel público, e foi descrido pelo “Liber Pontificalis” como tendo passado toda a vida em adultério; e assim morreu, assassinado pelo marido da mulher com quem dormia.
Bonifacio VII (984-985), como seus antecessores, se manteve no cargo enquanto controlava a distribuição de dinheiro. Foi ele que fez encarcerar e assassinar João XIV, e depois incitou a multidão a arrastar-lhe o corpo pelas ruas, deixando os restos aos cães. Este Bonifacio foi classificado por Silvestre II como “um horrendo monstro que sobrepujou a todos em maldade”. Infelizmente, Silvestre não era muito melhor, já que a própria Enciclopedia Católica diz que “o povo o considerava um mago pactuado com o diabo”.
Em seguida, veio João XV (985-996) que dividiu as finanças da igreja entre seus parentes. Benedito VIII (1012-1024) comprou o cargo com chantagens. O seguinte, João XIX (1024-1033) fez o mesmo. Benedito IX (1033-1045) foi eleito com apenas 12 anos de idade, por meio de arranjos financeiros das famílias que controlavam Roma. Este papa-mirim cresceu em maldade e “cometeu homicídios e adultério em plena luz do dia”; assaltava os peregrinos nas catacumbas e por fim, foi expulso da cidade pelo próprio povo!
O campeão da corrupção foi Bonifácio VIII, retratado por Dante na sua “Divina Comédia” como sofrendo horrores nas profundezas infernais. Eleito em 1294, por meio das habituais fraudes, mandou encarcerar seu antecessor até que morresse à míngua. Seis cardeais afirmaram que ele dizia serem as leis divinas meras invencionices; que era tolice uma virgem conceber, Deus ser uma pessoa em três e haver outra vida depois desta: “é o que acredito e sustento, como aliás todo homem culto. Precisamos falar à maneira da plebe, mas pensar e acreditar de acordo com a elite”...
Outras testemunhas diziam que praticava pecados sexuais “naturais e também contrários à natureza”, e que se comunicava com as trevas por meio de feitiçarias.
No Concilio de Constança, três “papas”, e algumas vezes quatro, simultaneamente, se insultavam todos os dias, acusando-se uns aos outros de anticristos, demônios, adúlteros, sodomitas, inimigos de Deus. Um deles, João XXII (1410-1415), foi intimado a depor sobre sua conduta. Foi acusado por 37 testemunhas (bispos e sacerdotes, na maioria) de fornicação, adultério, incesto, sodomia, furto e homicídio, além de haver seduzido e violado 300 freiras. Mantinha em Bolonha um harém onde não menos de duzentas meninas haviam sido vítimas de sua luxúria. Para aumentar sua fortuna, criou impostos para tudo, incluído o jogo, a usura e a prostituição.
Por tudo isto o Concílio o declarou culpado de 54 crimes da pior categoria e o ejetou da cadeira papal; o tarado fugiu. O registro oficial do Vaticano qualquer um pode conferir, se achar que é lenda ou invenção: “Sua senhoria o papa João, cometeu perversidades com a esposa de seu irmão, incesto com santas monjas, teve relações sexuais com moças virgens, adulterou com mulheres casadas e toda classe de crimes sexuais... entregou-se completamente a dormir a outros desejos carnais, totalmente avesso à vida e aos ensinamentos de Cristo... Foi chamado publicamente de diabo encarnado”.
O “papa” Pio II (1458-1464) teve inúmeros bastardos. Falava em público sobre os métodos que usava para seduzir mulheres. Seu sucessor Paulo II (1464-1471) satisfez o desejo popular e manteve uma casa cheia de concubinas. Dizem que as jóias de sua coroa valiam mais do que um palácio inteiro. 

Sixto IV (1471-1484) nomeou cardeais vários filhos que teve com sua amante Teresa. Também nomeou oito sobrinhos, mas alguns deles eram, na verdade, seus filhos com outras mulheres. Financiou guerras vendendo posições eclesiásticas.
Inocencio VIII (1484-1942) teve dezesseis filhos com várias mulheres, e não negava que haviam sido “gerados no Vaticano”. Inovou na arrecadação de dinheiro, permitindo touradas na praça de São Pedro.
Rodrigo Borgia, vulgo Alexandre VI (1492-1503), subiu com a compra de votos. Viveu com uma mulher chamada Vanozza dei Catane, e depois com a filha dela, Rosa, com quem teve cinco filhos. No dia de sua coroação, nomeou um deles arcebispo de Valência, Espanha. Viveu em incesto publicamente com suas duas irmãs e com sua própria filha, a tristemente famosa Lucrecia Borgia, com quem se diz ter tido pelo menos um filho. Em 31 de outubro de 1501, véspera de “todos os santos”, realizou tal orgia no Vaticano que nunca se verificou igual na história da humanidade, nem no tempo dos Césares.
Paulo III (1534-1549) tinha quatro filhos; na sua coroação celebrou o batismo de seus bisnetos e nomeou sobrinhos adolescentes como cardeais; promoveu festivais com cantoras, bailarinas e bufões, e buscava ajuda de astrólogos.
Para esses homens, o poder era mais importante do que a saúde espiritual do rebanho de Deus. Lobos disfarçados, que devoram as ovelhas, dando preferência às mais novas e inocentes.

Deus tenha misericórdia!

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