Mostrando postagens com marcador eternidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eternidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de dezembro de 2017

Obituário 2017:


Este é um post triste.
Fala sobre aqueles que não estão mais aqui.
Como ...
1º de janeiro – 13 pessoas durante a festa de réveillon, em Campinas. E outros 39 numa festa de passagem de ano em Istambul, mortas por terroristas vestidos de Papai Noel.
11 de fevereiro, pelo menos 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma confusão num jogo de futebol em Angola, quando centenas de torcedores irromperam os portões do estádio, depois de não conseguir entrar antes do início da partida. Muitos caíram e foram pisoteados.
Um ano em que houve muitas mortes em atentados.
Jerusalém, em janeiro, quando um caminhão dirigido por um palestino avançou contra soldados israelenses, matando quatro cadetes.
Londres - Em 22 de março de 2017, o britânico Khalid Masood, de 52 anos, atacou pedestres na famosa ponte de Westminster, perto do Parlamento, matando cinco pessoas e ferindo outras 50, até ser morto pela polícia. O ataque foi reivindicado pelo EI.
Estocolmo - Em 7 de abril, um caminhão conduzido pelo uzbeque Rakhmat Akilov, de 39 anos, foi usado para atacar a mais movimentada rua de lojas. Cinco pessoas morreram, incluindo uma menina de 11 anos, e outras 15 ficaram feridas.
Segundo a polícia uzbeque, Akilov havia tentado se juntar ao Estado Islâmico em 2015.
Londres, mais duas vezes - Em 3 de junho, três homens e uma van avançaram contra pedestres nos arredores da London Bridge, deixando oito mortos. Os agressores, também com supostos elos com o EI, foram mortos pela polícia. Dias depois, o britânico Darren Osborne atacou fiéis com uma van perto de uma mesquita no norte de Londres, matando uma pessoa e ferindo 11. Osborne foi indiciado por terrorismo.
Paris, duas vezes - Em 19 de junho, o radical islâmico Adam Dzaziri, de 31 anos, foi morto depois de avançar com seu carro contra uma van policial no Champs-Elysees, na capital francesa. Ninguém ficou ferido. O carro de Dzaziri - que havia jurado lealdade ao EI - estava repleto de armas.  Em 19 de agosto, um argelino de 36 anos, identificado como Hamou B., dirigiu um BMW contra soldados que estavam perto de um mercado em um subúrbio parisiense. Seis pessoas ficaram feridas.
15 de agosto – Charlotsville, Estados Unidos - um nazista branco atropelou uma multidão, deixando 19 feridos e uma mulher morta;
Barcelona – 17 de agosto - um motorista atirou uma van contra uma multidão de pedestres na avenida Las Ramblas, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade espanhola. Até a publicação deste texto, a polícia tinha confirmado 15 mortes. Outras cerca de 80 pessoas ficaram feridas, 15 delas com gravidade. As autoridades tratam o incidente como um “atentado terrorista”, e duas pessoas foram presas. Uma agência ligada ao Estado Islâmico afirma que o grupo radical reivindicou responsabilidade pelo episódio, dizendo que ele foi perpetrado por “soldados do EI”.
A crise no sistema prisional brasileiro foi horrível: No dia 1º de janeiro, foram 56 mortos no Compaj, em Manaus. No dia seguinte, mais quatro, em outra unidade prisional do Amazonas. Depois, no dia 4 de janeiro, duas mortes em Patos, no sertão da Paraíba. Dia 6, 33 na rebelião de Boa Vista, em Roraima. Dois dias depois: mais quatro em Manaus, naquela cadeia pública que foi reativada. Também foram dois mortos na Casa de Custódia de Maceió, e dois em Tupi Paulista, no estado de São Paulo. No sábado (14), foram 26 presos mortos na rebelião no Rio Grande do Norte. No mesmo dia, houve mais duas mortes em presídios de Santa Catarina e outras duas em uma penitenciária na região metropolitana de Curitiba. O número de mortes só em janeiro ultrapassou as 111 mortes do Massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992. E no Nordeste, o ano terminou como começou, trágico: pelo menos 12 pessoas mortas na onda de violência que se seguiu à greve dos policiais em Natal (RN).

Entre os famosos, alguns que partiram foram...
Atores: 
3 de janeiro - Vida Alves, atriz e escritora. Ela protagonizou o primeiro beijo da televisão brasileira, com o ator Walter Foster, na novela “Sua vida me pertence”, na TV Tupi, em 1951. Mas não foi a única ousadia de Vida exibido em rede nacional. Em 1963, ela quebrou paradigmas também ao dar o primeiro beijo gay transmitido em rede nacional (em um dos episódios do programa “TV de vanguarda”, também na Tupi). Teve importância crucial por seu trabalho nos bastidores: abrigou, por 13 anos, o Museu da Televisão dentro de sua casa, em São Paulo, onde expunha diversos itens raros dos primórdios da TV no Brasil. Ela fez o caminho natural dos pioneiros da época: começou no rádio e migrou para a TV quando ela começou a se popularizar, participando de várias novelas e programas de humor. Contracenou com grandes nomes como Tarcísio Meira e Eva Wilma. Atuou também no cinema, em filmes como “Paixão tempestuosa”, de 1954, e “A pequena órfã”, de 1973Aos 88 anos, de falência múltipla dos órgãos.
25 de janeiro - Mary Tyler Moore americana, aos 80 anos de idade. Ela estava internada em estado grave em um hospital de Connecticut. Vencedora de um prêmio Emmy, Mary começou a sua carreira na década de 50 em publicidade, mas rapidamente começou a obter papéis mais relevantes na TV até ter sido escolhida para fazer da mulher de Dick Van Dyke, em 1961. A atriz é conhecida como um dos primeiros nomes femininos da televisão americana e seu trabalho de maior destaque foi no “The Mary Tyler Moore Show”, que ficou no ar entre 1970 e 1977. Já no cinema, sua maior atuação foi em “Ordinary People”, quando ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz. Seu último trabalho no cinema foi em “Cheats”, de 2002.
26 de fevereiro - Bill Paxton, que participou de mais de 50 filmes, como “Terminator” (1986), “Titanic” (1997), “Aliens - O resgate” (1983), “Tornado” e “Apollo 13” (1995) e ganhou um Emmy pela participação na série “Hatfields and McCoys”. Aos 62 anos, após complicações em uma cirurgia cardíaca.
25 de abril - Jonathan Demme, cineasta. Nascido no Kansas, em 1944, ainda jovem fez vários filmes como “Celas em Chamas” (1974), “Loucura da Mamãe” (1975), “Pelos Meus Direitos” (1976) e “Nas Ondas do Rádio” (1977). Embora figurasse no âmbito musical e de filmes de humor, foram os filmes sérios que o consagraram. “ O Silêncio dos Inocentes” (1991) é um dos três filmes na história do Oscar a conseguir ganhar as estatuetas nas categorias de melhor diretor, filme, ator, atriz e roteiro. O projeto do ano seguinte, “Filadélfia”, com Tom Hanks e Denzel Washington, jogou luz à problemática epidemia de HIV e garantiu o Oscar para Hanks. Morreu aos 73 anos em Nova York, sucumbindo a um câncer de esôfago e uma doença cardíaca. Ele já havia sido tratado em 2010 e voltou a ter problemas em 2015. Seu mais recente trabalho foi “Ricki and the Flash: De Volta Para Casa” (2015), estrelado por Meryl Streep.
27 de janeiro - John Hurt, aos 77 anos. Ele protagonizou uma das cenas mais icônicas de “Alien: O Oitavo Passageiro”, quando o filhote de xenomorfo explode da barriga de Kane. Já as gerações mais novas o conheceram como o Sr. Olivaras de “Harry Potter”. Em 2013, participou do especial de 50 anos de “Doctor Who”, vivendo a encarnação de guerra do Doutor. Outros papéis marcantes dele foram na adaptação cinematográfica de 1984, “V de Vingança” e “O Homem Elefante”. Seu último trabalho foi na peça “The Entertainer”, em Londres. Hurt foi nomeado Cavaleiro da Ordem Britânica em julho de 2015.
19 de abril - Neuza Amaral, que trabalhou em diversas novelas, como “Irmãos coragem” (1970), “Selva de pedra” (1972) e “Os ossos do barão” (1973). Um de seus primeiros papéis na TV Globo foi em “A grande mentira”, em que viveu uma vilã. Seu último ano ativo na TV foi em 2006, quando participou de “Pé na Jaca”, “Páginas da vida”, “Cobras & lagartos” e “Linha direta”. Neuza Amaral também teve atuação política, chegando a se eleger vereadora no Rio, nos anos 1990. Ela estreou no cinema em 1967, em “A lei do cão”, de Jece Valadão. A partir daí, apareceria em mais de 20 títulos, entre eles “Pra frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias, “As duas faces da moeda” (1969), de Domingos Oliveira, e “O que é isso, companheiro?” (1997), de Bruno Barreto.  Aos 86 anos, de embolia pulmonar.

14 de maio - Powers Boothe, conhecido por seus papéis no filme “Sin City” e na série “Agentes da S.H.I.E.L.D”, aos 68 anos de causas naturais. Ganhou um prêmio Emmy em 1980 como melhor ator em série ou especial, por sua atuação como Jim Jones no telefilme “Jim Jones, O Pastor do Diabo”, que conta a história do líder de uma seita que levou milhares de pessoas a cometerem suicídio. Também teve papéis memoráveis como o implacável dono do bar Cy Tolliver em “Deadwood” e o atirador Curly Bill Brocius em “Tombstone”, e atuou no filme britânico “A Floresta de Esmeraldas”, dirigido por John Boorman, em 1985, rodado inteiramente no Brasil com a participação de vários atores brasileiros, como Dira Paes e Gracindo Júnior.
22 de maio - Roger Moore, ator britânico famoso por interpretar James Bond nos anos 60 e 70, morreu na Suíça, aos 89 anos de idade, após uma curta batalha contra o câncer. Moore assumiu o papel do espião mais famoso do mundo após a saída de Sean Connery do papel. Ele atuou em sete filmes, incluindo “O Espião que Me Amava”, “007 contra o Homem com a Pistola de Ouro” e “Octopussy”. Desde 1991 embaixador do UNICEF, foi condecorado, em 1999 como Cavaleiro do Império Britânico por suas ações humanitárias.
9 de junho - Adam West, que usou a icônica fantasia de Batman na série clássica nos anos 1960, aos 88 anos. West, cujo personagem se tornou um dos símbolos da cultura pop, estreou sua carreira artística em 1957, no filme “Voodoo Island”, mas não teve seu nome creditado. Após isso, participou de inúmeros seriados, mas ganhou reconhecimento ao interpretar Batman na série homônima de 1966 a 1968. West parecia não levar muito a sério o personagem, o que fica evidente nas cenas em que ele faz o milionário Bruce Wayne, que vira Batman quando veste a roupa de morcego. Nunca conseguiu sucesso em outro papel, mas acabou imortalizado como o Homem-Morcego. Ao ganhar uma estrela com o nome dele na Calçada da Fama, lembrou que bateu o recorde de ator que representou Batman mais vezes: foram mais de 170. Espirituoso, disse que o sucesso da série se devia ao humor. “Embora não fosse nada engraçado usar a roupa de Batman 18 horas por dia. Coçava muito”, ele brincou.
31 de julho – Sam Shepard, ator, cineasta, escritor, roteirista e autor de teatro, com uma carreira de mais de 50 anos, autor de 44 peças de teatro, contos, ensaios e memórias. No cinema, atuou em “Falcão Negro em Perigo” (2001) e “Os eleitos” (1983), pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Sofria de esclerose lateral amiotrófica e morreu em sua casa no Kentucky (EUA), cercado pela família, aos 73 anos.
31 de julho – Jeanne Moreau, com 89 anos, a grande dama do cinema francês, que trabalhou com os maiores diretores da cinematografia francesa, como François Truffaut, Louis Malle e André Téchiné, e foi considerada “a melhor atriz do mundo”, segundo Orson Welles, e a primeira mulher acadêmica de Belas Artes na história da França. Fez parte da nouvelle vague e musa de Luis Buñuel, com quem trabalhou em “O Diário de uma Camareira” (1964). Nascida em 23 de janeiro de 1928, de pai francês e mãe britânica, Jeanne Moreau estreou no teatro em 1947, aos 19 anos, com a peça La Terrasse de Midi, apresentada no Festival de Avignon. Ela integrou a Comédie-Française e participou no primeiro Festival de Avignon em 1947, sob a direção artística de Jean Vilar (ela retornou ao mesmo evento, 60 anos mais tarde). A protagonista de “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962) e de “A Noiva Estava de Preto” (1968), de Truffaut, teve uma ampla trajetória, na qual se destacam, entre mais de cem filmes, longas belíssimos como “A Noite” (1961), de Michelangelo Antonioni, e “Duas Almas em Suplício” (1960), de Peter Brook, que lhe valeu o prêmio de melhor interpretação feminina em Cannes. Atriz poliglota e internacional, que se destacou também como cantora, Jeanne ganhou o César, o Oscar da França, de melhor atriz em 1992 por “La Vieille qui Marchait dans a Mer”, de Laurent Heynemann, e presidiu o júri de Cannes em 1975 e 1995, e também o júri da Seção Oficial do 54º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, em 2006. Em 1998, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua carreira das mãos de Sharon Stone. Dez anos depois recebeu um Super César, uma homenagem da Academia de Cinema francesa. Seu talento, beleza fora do comum e voz profunda fascinaram grandes cineastas, como Joseph Losey (“Eva”), Wim Wenders (“Até o Fim do Mundo”) e Orson Welles (“História Imortal”).  Trabalhou até os 87 anos.

Músicos:
18 de março – Chuck Berry, Charles Edward Anderson Berry, compositor, cantor e guitarrista. Embora não se possa garantir que criou o rock and roll sozinho, já que o estilo foi produto de um contexto do pós-guerra nos Estados Unidos e da mistura feita por vários músicos afro-americanos, é considerado um dos pioneiros do estilo justamente por ter feito a mistura funcionar. Foi eleito pela revista Rolling Stone o 5º maior artista da música de todos os tempos e o sétimo melhor guitarrista do mundo. Envolto em polêmicas e problemas com a polícia, encarnava a alma rebelde e contestadora que acompanha o rock desde os primórdios. Ele gravou mais de trinta sucessos a aparecerem no Top Ten, e suas canções ganharam versões de centenas de músicos de blues, country e rock and roll. Entre seus clássicos estão “Roll Over Beethoven”, “Sweet Little Sixteen”, “Route 66”, “Memphis, Tennessee”, “Johnny B. Goode” (que possui provavelmente a mais famosa introdução de guitarra da história do rock), d entre outras. Como exemplo de sua influência, podemos lembrar das bandas inglesas dos anos 60. The Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros, regravaram suas músicas. Os Rolling Stones literalmente basearam seu estilo de tocar rock 'n' roll no dele. Chuck Berry teve seis de suas músicas incluidas na lista das 500 melhores canções de sempre da revista Rolling Stone. “Johnny B. Goode”, é um dos sons humanos levados pelas naves Voyager 1 e 2 para o espaço, caso haja contato com seres extraterrestres. Morreu em sua casa, de causas naturais, aos 90 anos.
23 de abril - Jerry Adriani, um dos grandes ídolos da Jovem Guarda. Nascido em 1947, em São Paulo, Jair Alves de Souza tornou-se conhecido pelo nome de Jerry Adriani em 1964, quando lançou o LP “Italianíssimo” - descendente de italianos, ele aprendeu a cantar em italiano com a avó. No mesmo ano, lançou o álbum “Credi a me”. Mas foi em 1965 que sucesso com “Um grande amor”, seu primeiro disco gravado em português. Na mesma época, Adriani apresentou o programa “Excelsior a go go” pela TV Excelsior. Entre 1967 e 68, apresentou “A grande parada”, na TV Tupi, ao lado de Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marilia Pera, exibido ao vivo e trazendo grandes nomes da MPB. No cinema, o músico fez três filmes como ator/cantor: “Essa gatinha é minha”, “Jerry, a grande parada”, e “Jerry em busca do tesouro”. Ele foi o responsável pela vinda de Raul Seixas para o Rio - eles haviam se tornado amigos em Salvador. “Raulzito e os Panteras” formavam a banda de apoio que tocou com Adriani durante 3 anos. Nos anos 1970, gravou discos e fez shows em países como Venezuela, Peru, Estados Unidos, México e Canadá. Em 1985, lançou “Tempos felizes”, com antigos sucessos da Jovem Guarda, como “Festa de arromba”, “O bom rapaz” e “Quero que vá tudo pro inferno”. Seguiu gravando discos e novelas nos anos 90 e em 2007, gravou seu primeiro DVD, “Jerry Adriani Acústico ao vivo”, também lançado em CD, com releituras de sucessos e canções inéditas. Em 2014 completou 50 anos de carreira com um show com seus maiores sucessos. Jerry tinha 70 anos e sofria de câncer.
30 de abril – Belchior, compositor, cantor brasileiro, nascido na cidade cearense de Sobral, filho de um bodegueiro, 13° entre 23 irmãos, era “apenas um rapaz latino-americano”. Um garoto “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”, com audácia para virar, com ironia, a página do Tropicalismo de Caetano Veloso (citado na letra como “um velho compositor baiano”). Com duas canções popularizadas por Elis Regina (“Velha roupa colorida” e “Como nossos pais”) e outras igualmente fortes, como “Sujeito de sorte” e “Como o diabo gosta”), “Alucinação” foi a obra-prima do cantor, disco em que ele exprimiu a urgência do jovem brasileiro entre a violência do estado e o fim dos sonhos de liberdade representados pela revolução contra-cultural. Belchior começou a carreira apresentando-se em festivais de música no Nordeste. Durante certo tempo, fez parte de uma cena de cantores e compositores, o Pessoal do Ceará, junto com nomes como Fagner e Ednardo. Em 1971, inscreveu-se no IV Festival Universitário da Canção, no Rio, e ganhou o primeiro lugar com “Hora do almoço”. O compositor da inquietude da juventude aos poucos cederia ao romantismo e à sensualidade, no LP “Todos os sentidos” (1978) e, no ano seguinte, voltaria a fazer grande sucesso com a canção “Medo de avião”. Em 1982, Belchior lançou o LP “Paraíso”, no qual gravou canções de um Arnaldo Antunes pré-Titãs (“Ma” e “Estranheleza”) e de Guilherme Arantes (“A cor do cacau”). O último disco de canções inéditas de Belchior foi “Baihuno”, de 1993, no qual a pesquisadora da USP Josely Teixeira Carlos afirma que ele fez “um sumário das ideias que apresentou ao longo da carreira, de rapaz latino-americano, ‘baiano’ (uma referência a como os nordestinos são chamados em São Paulo) e ‘huno’ (o povo bárbaro da Ásia Central que migrou para a Europa nos séculos IV e V em busca de novos pastos)”. Depois de um último disco, independente e de regravações, em 2003, Belchior foi se retirando de cena. Em 2006, dividiu o palco com o grupo Los Hermanos (que regravara a sua “A palo seco”) e, três anos depois, fez sua última aparição pública em um show de Tom Zé, em Brasília. Desde então, envolvido com dívidas, ele desapareceu, evitando contato com a imprensa ou com seus fãs. Belchior de rompimento da aorta, em Santa Cruz, no Rio Grande do Sul, onde vivia desde 2000. Tinha 70 anos.
19 de maio - Kid Vinil, cantor, apresentador e radialista, morreu depois de mais de um mês internado. Ele passou mal depois de um show em Conselheiro Lafaiete (MG), e foi levado a um centro médico da cidade. Depois, foi transferido para São Paulo, onde morreu. Antônio Carlos Senefonte, com o apelido Kid Vinil se destacou com trabalhos como cantor, radialista, jornalista, VJ e DJ. Ganhou fama no cenário do rock nacional nos anos 80 com a banda Magazine, ex-Verminose. O Magazine lançou hits como “Tic Tic Nervoso”, “Sou Boy” e “A Gata Comeu”, mas encerrou suas atividades em 2004. Kid saiu e retornou para a banda várias vezes, sempre com projetos musicais paralelos. Em uma dessas idas e vindas, criou o projeto Kid Vinil e os Heróis do Brasil, e por fim se dedicou ao projeto Kid Vinil Xperience, cujo último trabalho, o EP Kid Vinil Xperience, foi lançado em 2014.

Escritores e jornalistas:
12 de janeiro - William Peter Blatty, escritor e cineasta, mais conhecido como o autor do best-seller “O exorcista”, de 1971. Quando foi lançado, em 1971, o livro “ se tornou um sucesso estrondoso e permaneceu durante 57 semanas na lista dos livros mais vendidos do jornal “The New York Times”. Em 1974, Blatty ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor roteiro adaptado quando a história se tornou um filme e, em 1990, escreveu e dirigiu uma das sequências, “O exorcista 3”. Ele morreu aos 89 anos, em Bethesda, nos Estados Unidos, onde morava. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, a viúva do autor e cineasta, Julie Alicia Blatty, informou que ele sofria de mieloma múltiplo, um tipo de câncer no sangue.
26 de abril – Carlos Chagas, jornalista, advogado e escritor, um dos nomes mais expressivos do jornalismo brasileiro e professor da Universidade de Brasília (UnB) durante 25 anos. Ao longo de sua carreira, ele passou pelo Estadão, O Globo, SBT, Manchete, RedeTV, CNT, entre outros. No período da ditadura militar, foi assessor de imprensa da Pre¬si-dência da República no governo do general Costa e Silva, e dessa experiência nasceu o livro “A Ditadura Militar e os Golpes Dentro do Golpe: 1964-1969”, onde conta os bastidores do golpe de 1964. Aos 79 anos, de um aneurisma.
29 de dezembro – José Louzeiro, escritor, roteirista e jornalista maranhense. Ele ingressou no jornalismo aos 16 anos de idade, como estagiário e aos 21 mudou-se para o Rio onde trabalhou como repórter policial, em importantes jornais e revistas. Estreou na literatura em 1958 mas o reconhecimento geral veio em 1976, quando lançou “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, baseado em casos famosos da crônica policial. Foram quase 40 livros no gênero, entre os quais destacam-se “Infância dos Mortos” (que mais tarde serviu de argumento para o filme “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco), e “Em Carne Viva” (o drama da estilista Zuzu Angel e de seu filho Stuart, morto pela ditadura militar na década de 70). Além de Pixote, assinou o roteiro de vários filmes, entre os quais “O Homem da Capa Preta”, e diversas novelas. Aos 85 anos em sua residência no Rio de Janeiro.

Atletas e esportistas:
7 de junho - Eduardo Maluf, 61 anos, ex-atleta e ex-diretor de futebol. Passou pelo Cruzeiro, onde foi um dos organizadores do time que conquistou 13 títulos - dentre eles, campeão brasileiro e da Copa do Brasil, e pelo Atlético, onde conquistou 8 títulos. No primeiro semestre de 2016, Maluf foi diagnosticado com câncer no estômago. Ele precisou se submeter a um tratamento intensivo de quimioterapia, tentou voltar a suas funções no Atlético mas sucumbiu à doença em Belo Horizonte, onde morava.
23 de julho - Waldir Peres, ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Brasileira, entre as décadas de 70 e 80. Considerado pela imprensa paulista um dos goleiros mais importantes do futebol brasileiro, era apenas mediano e engoliu um frango homérico na estréia do Brasil na Copa de 1982. Defendeu o São Paulo de 1973 a 1984 e a seleção brasileira em três Copas do Mundo (1974, 1978 e 1982). Passou por América-RJ, Guarani, Corinthians, Portuguesa, Santa Cruz e Ponte Preta, onde pendurou as chuteiras em 1989. Em 11 anos de São Paulo, Waldir fez 617 partidas, ficando atrás apenas de Rogério Ceni como atleta com mais atuações pelo clube. Em 1991, ele iniciou sua carreira de treinador, comandando o São Bento, de Sorocaba. Nunca vingou nesta função, em times modestos do interior, sem destaque. Entre seus títulos mais importantes estão o Brasileirão de 1977 e quatro conquistas do Paulistão, sendo três pelo São Paulo e uma pelo Corinthians. Longe do futebol há alguns anos, Waldir Peres tentou se eleger vereador pela cidade de São Paulo em 2016, mas não conseguiu - no pleito, ele recebeu apenas 1.341 votos. Depois de se aposentar dos gramados no fim da década de 80, o ex-goleiro tentou a carreira de treinador, mas não conseguiu trabalhar em clubes de grande expressão. Ele deixa dois filhos e uma filha. Ele sofreu um infarto fulminante. Tinha 66 anos.

Religiosos:
1ºde junho - Severino Vilarindo Lima, pastor evangélico. Pernambucano, enfrentou dificuldades na infância, e passou por fome e maus tratos nas ruas. Acolhido pela dona de uma alfaiataria, aprendeu a costurar e trabalhou na oficina de confecção até ingressar na Marinha, aos 18 anos, em Natal. Para garantir sua permanência nas Forças Armadas, ocultou dos superiores seu casamento. Convertido ao Evangelho, ministrava cultos e formou-se em administração e jornalismo. Anos depois, o presidente Geisel solicitou que Vilarindo fosse para Brasília, para assumir um cargo nas Forças Armadas (Emfa), e dirigente da alfaiataria oficial da Marinha, confeccionando fardas para autoridades Essa mudança de cidade foi encarada pelo pastor como um propósito divino, como ele contava de Deus lhe dissera numa visão: “Você irá para a cidade de edifícios deitados”. Ao abrir as janelas do apartamento para onde se mudou em 1969, Vilarindo percebeu que a previsão se concretizara. Na capital, foi convidado a frequentar os cultos da Igreja Batista Central (IBC), que à época contava com 16 membros. Depois, passou a dirigir os cultos e se tornou presidente da denominação em 1971. Nos últimos anos não podia mais ministrar cultos devido ao Alzheimer, mas ainda frequentava a igreja que agora é dirigida por seu neto. O pastor estava internado por complicações de uma pneumonia e não resistiu ao comprometimento de outros órgãos, aos 90 anos.

Outras figuras:
20 de março – o bilionário e filantropo David Rockefeller, o último de sua famosa família, sexto filho de John D. Rockefeller Jr. e neto de John D. Rockefeller, co-fundador da Standard Oil, que foi a maior empresa de produção, refino e transporte de petróleo desde o fim do século XIX e grande parte do século XX. Com a morte de seus irmãos mais velhos, Rockefeller estava à frente de uma vasta rede de interesses familiares, tanto empresariais quanto filantrópicos, da conservação ambiental às artes. Ele também comandou o que hoje é o banco JP Morgan Chase. Para comemorar seu 100º aniversário em 2015, ele doou 4 mil quilômetros quadrados de terra a um parque nacional do Maine. Aos 101 anos enquanto dormia em sua casa, em Pocantico Hills, Nova York.
27 de abril - Hugh Hefner – milionário americano criador da revista Playboy, morreu de causas naturais aos 91 anos em sua casa, a Mansão Playboy, e deixou quatro três filhos, Cooper, Christie, David e Marston, além da mulher Crystal Harris, sua terceira e 60 anos mais jovem, com quem ele vivia desde 2012. Lançada em 1953, a revista Playboy logo se tornou sinônimo de revista masculina ao associar mulheres nuas ao estilo de vida americano. A primeira edição, em dezembro de 1953, teve Marilyn Monroe na capa. As fotos, tiradas quatro anos antes, foram compradas a preço baixíssimo. As 50 mil cópias da revista se esgotaram rapidamente, fazendo com que a Playboy se tornasse um sucesso instantâneo. Nas décadas seguintes, centenas de mulheres, famosas ou não, posaram para a publicação. Hefner virou uma celebridade e se mudou para uma mansão, sempre rodeado de “coelhinhas”. Playboy chegou ao Brasil no final da década de 70 e logo se consagrou como a revista masculina mais popular do país, com entrevistas, entretenimento e ensaios com mulheres famosas e outras nem tanto. Entrou em crise, anunciou o fim das fotos de mulheres nuas, e depois deixou de ser publicada pela Editora Abril. Os novos donos da marca no Brasil querem tentar resgatar o glamour que a revista teve no passado – uma tarefa possível, mas bastante complicada. Nos EUA, a marca também mudou, deixando de trazer mulheres nuas – o atributo pela qual ela ficou mais conhecida. A publicação irá se transformar numa revista de “Lifestyle”. Um reposicionamento tão agressivo que pode fazer com que a marca não sobreviva.
21 de dezembro – Francelino Pereira, político. Foi governador de Minas Gerais entre 1979 e 1983 indicado pelo governo militar, e também deputado federal entre 1963 e 1979 e senador entre 1995 e 2003.  Quando presidente nacional da Arena, entre as suas inúmeras declarações de apoio ao regime militar, notabilizou-se pela indagação, em 1976, que inspirou Renato Russo: “Que país é este”? A0s 18 anos migrou do interior do Piauí para Belo Horizonte onde, com dificuldades, completou os estudos e formou-se em direito. Em 1950, recém-casado, redator de política na Rádio Inconfidência, foi eleito vereador e apresentou o projeto de criação da Escola Técnica de Comércio Municipal – que em 1961 passou a se denominar Instituto Municipal de Administração e Ciências Contábeis (Imaco). Assumiu, em 1961, cargo no governo Magalhães Pinto. Eleito deputado federal, anunciou o rompimento de Minas Gerais com o governo de João Goulart, prelúdio do golpe militar de 1964, liderado no estado por Magalhães Pinto. Com o golpe, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de sustentação ao regime. Como recompensa, em abril de 1978, por decisão de Geisel e de Figueiredo, foi indicado ao governo estadual, quando procurou com realizações e obras públicas – como o Aeroporto de Confins - esconder a péssima imagem do regime decadente. Seu último cargo foi de senador pelo PFL, aos 72 anos, em 1994. Ocupava a cadeira 25 da Academia Mineira de Letras. Nos últimos anos, teve uma postura reclusa: pouco a pouco foi perdendo a visão e a audição. Aos 96 anos, em Belo Horizonte, de causas naturais.

Este longo obituário podia ser maior ainda. Estima-se que, atualmente, morrem mais de 50 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo.
Isto nos faz parar para pensar.
Onde estaremos daqui a um ano?
Será que vamos fazer parte dessa longa lista de desaparecidos?
E se sim, será que deixaremos saudade? As pessoas sentirão falta de nós? Chorarão nossa perda?
E, caso não estejamos mais aqui, onde estaremos?
Vivendo uma nova, eterna e melhor vida ao lado de Jesus – como ele prometeu ao ladrão na cruz, “ainda hoje estarás comigo no paraíso”? Ou estaremos numa terrível expectativa de um julgamento do qual não sairemos com veredito favorável? Quantos desses mais de 5o milhões descansam em paz hoje? Quantos já sentem o calor e o cheiro de enxofre?
É para pensar. Pensar e agir, enquanto ainda temos o fôlego da vida e oportunidade para escolher onde queremos passar a Eternidade.

850.320

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Obituário 2014

Quem morreu no ano que passou
Este é um post triste.
Fala sobre os que não estão mais aqui.
Como aqueles que, em 8 de março de 2014, estavam a bordo do vôo MH-370 da Malaysia Airlines que saiu de Kuala Lumpur e deveria chegar a Pequim depois de seis horas no ar, mas desapareceu 40 minutos após a decolagem. 
E também aqueles 298, a maioria holandeses, que em 17 de julho, morreram em outro vôo da mesma Malaysia Airlines, na Ucrânia, próximo da fronteira com a Rússia, quando seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur, num caso que até hoje não chegou a ser totalmente elucidado.
Também os 302 passageiros da balsa Sewol, que afundou em 16 de abril na costa da Coréia do Sul com 476 pessoas a bordo, das quais apenas 174, entre elas o capitão e parte da tripulação, foram resgatadas. Meses mais tarde o comandante se suicidou. Em uma mina de carvão na Turquia, 302 operários perderam a vida numa explosão no dia 13 de maio. Ao todo havia 787 pessoas trabalhando no momento do desastre.
Pelo menos 126 pessoas, das quais ao menos 120 crianças, morreram em um ataque do Taleban contra uma escola em Peshawar, principal cidade do noroeste do Paquistão, em 16 de dezembro; mais de 80 ficaram feridas. Um professor foi incendiado na frente dos alunos.  Uma tempestade tropical matou 31 nas Filipinas, 21 na Malásia e 15 na Tailândia; no Brasil, raios mataram 84 pessoas.
Outras 162 pessoas morreram noutro acidente aéreo, em 28 de dezembro: o vôo QZ 8501 da AirAsia havia saído de Surabaia, na Indonésia, com destino a Cingapura, onde pousaria duas horas depois, mas caiu misteriosamente no mar. Também morreram 35 chineses, mas numa festa: um tumulto no reveillon em Xangai, minutos antes da virada do ano.
Sete operários morreram em acidentes em obras de estádios para a Copa, sendo 3 no palco da abertura, em São Paulo. E por falar em Copa, como morreu gente ligada ao futebol! Em 5 de janeiro, faleceu Eusébio, aos 71 anos, o melhor jogador português de todos os tempos. O “Pantera Negra” ou “Pelé Português”, em 1966 levou Portugal às semifinais da Copa do Mundo, eliminando o Brasil. Jogou no Benfica de 1960 a 1975, e se aposentou em 1980. Bellini (capitão da seleção brasileira na conquista de sua primeira Copa, em 1958, com 83 anos em 20 de março); Luciano do Valle (jornalista, narrador e empresário, aos 66 anos, vítima de um infarto em 19 de abril); Afo (Afonso Celso Duarte, chargista esportivo do jornal Estado de Minas, em 26 de abril, aos 73 anos); os ídolos do Fluminense nos anos 1980 Washington e Assis, em 25 de maio, com 54 anos, e 6 de julho, com 61, respectivamente; Mauricio Torres (narrador da TV Record, aos 43 anos, em 31 de maio); Marinho Chagas (ex-jogador do Botafogo, Fluminense, Seleção Brasileira e NY Cosmos, em 1º de junho, aos 62 anos); Fernandão (ex-jogador de Goiás, Olympique de Marselha, Internacional e São Paulo, ex-técnico e comentarista, aos 36 anos, no dia 7 de junho).  A bruxa continuou solta depois da Copa: morreram Alfredo Di Stefano (ex-jogador, um dos maiores craques da História, em 6 de julho aos 88 anos); cinco dias depois, Osmar de Oliveira, médico ortopedista, comentarista e narrador, aos 71. Armando Marques (aos 84, ex-juiz) em 16 de julho e Julio Grondona (presidente da Federação Argentina, AFA), aos 82, no dia 30 de julho.
Mais de 60 jornalistas morreram no exercício da profissão, a maioria em zonas de conflitos. Conflitos como o na Ucrânia, onde cerca de 3.000 pessoas perderam a vida.
A guerra do trânsito nas ruas brasileiras foi responsável por ainda mais mortos – passam de 40.000, por mais que as autoridades noticiem planos e mais planos para reduzir essa estatística.
Na Síria, já são tantas as vítimas fatais que o escritório de direitos humanos da ONU parou de atualizar o número desde a sua última estimativa de pelo menos 200 mil até o fim de 2014.
Nos Estados Unidos, três pessoas morreram baleadas em um shopping de Maryland, e o assassino em seguida se suicidou, em 25 de janeiro. Em 3 de abril, um tiroteio na base militar de Fort Hood, no Texas, deixou quatro mortos, uma das quais o próprio assassino. Em 24 de maio, mais sete na Universidade da Califórnia: o suspeito do atentado foi encontrado morto dentro do carro. Pelo menos um estudante morreu em tiroteio em 10 de junho na Reynolds High School, em Portland, Oregon. O autor dos disparos também morreu (e aqui no Brasil tem maluco defendendo a liberação do porte de arma). Inocentes atingidos por balas perdidas são impossíveis de ser contabilizados.
Desde o primeiro dia do ano desapareceram muitas caras conhecidas.
Entre empresários e políticos, alguns que partiram foram:
Ariel Sharon, ex-primeiro ministro de Israel, no dia 11 de janeiro em Tel Aviv, de falência múltipla dos órgãos. Em 2005, ele sofrera um derrame do qual se recuperou, mas em 2006 sofreu outro muito mais grave. Sharon entrou em coma e assim permaneceu desde então. Em 2013, foi constatado que era irreversível a sua situação. Tinha 85 anos.
Em 8 de julho, Plínio de Arruda Sampaio, advogado, promotor público e, na década de 60, como deputado pelo antigo Partido Democrata Cristão (PDC), foi relator do projeto de reforma agrária do governo de João Goulart. No final da década seguinte, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 1985, foi eleito deputado federal, atuando na elaboração da Constituição. Em 2005, deixou o PT e foi para o PSOL, sendo candidato ao governo de São Paulo em 2006, e à Presidência da República em 2010, quando conquistou 886 mil votos e ficou em quarto lugar. Tinha 83 anos e se tratava de um câncer ósseo.
A 13 de agosto, Eduardo Campos, 49 anos, candidato à presidência pelo Partido Socialista, em acidente aéreo que sacudiu a campanha eleitoral. Também perderam a vida assessores que o acompanhavam na viagem.
19 de novembro – Marcio Thomaz Bastos, jurista e ex-ministro da Justiça, de complicações decorrentes de uma doença pulmonar. Aos 79 anos, em São Paulo.
24 de agosto - Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim. Em São Paulo, aos 86 anos, de insuficiência cardíaca.
20 de novembro – Samuel Klein, empresário, fundador das Casas Bahia. De origem judia-polonesa, chegou a ficar 2 anos prisioneiro no campo de concentração nazista de Treblinka, onde a maior parte de sua família morreu. Depois da guerra, já casado, veio para o Brasil onde começou a trabalhar como vendedor, mesmo sem falar português. Aos poucos foi ampliando sua clientela principalmente entre os imigrantes nordestinos, de onde tirou o nome “Casa Bahia”. Aos 91 anos, de insuficiência respiratória, em São Paulo.
Atores:
1º de janeiro – James Avery, o “tio Phil” da série protagonizada por Will Smith “The Fresh Prince of Bel-Air” (“Um Maluco no Pedaço”). Aos 65 anos, de complicações de uma cirurgia cardíaca.
2 de fevereiro - Philip Seymour Hoffman, de “Missão Impossível 3” e “Dúvida”, em que interpretou um padre suspeito de pedofilia. Em 2002 ganhou o Oscar de Melhor Ator como o personagem-título de “Capote”. Encontrado em seu apartamento com uma seringa de heroína espetada no braço. Tinha 46 anos.
10 de fevereiro – Shirley Temple. Com seus característicos cachinhos loiros, covinhas e olhos brilhantes, foi um dos maiores fenômenos de Hollywood. Menina prodígio, em 1935 ganhou um Oscar com seis anos de idade: até hoje é a atriz mais jovem a receber a estatueta. Deixou o cinema em 1950, aos 21 anos. Em 1972, diagnosticada com câncer de mama, foi uma das primeiras celebridades a falar abertamente sobre a doença. Embaixadora em Gana (1974-1976) e Tchecoslováquia (1989). De causas naturais aos 85 anos, em sua casa, na Califórnia. Na mesma data, Virgínia Lane, atriz, cantora e dançarina. De acordo com rumores, a “Vedete do Brasil” teve um caso com o então presidente Getúlio Vargas, após o sucesso da música “Sassaricando”. No cinema, fez várias comédias carnavalescas com Oscarito, Grande Otelo e Zé Trindade. Em 1951, protagonizou o primeiro nu (não frontal) no cinema nacional. Teve falência múltipla de órgãos aos 93 anos em Volta Redonda. 
24 de fevereiro – Harold Ramis, que dirigiu, atuou, roteirizou e/ou co-escreveu “Feitiço do tempo”, “Clube dos Pilantras”, “Férias frustradas”, “A Máfia no divã” e “A Máfia volta ao divã”, “Os caça-fantasmas” e sua seqüência “Os caça-fantasmas 2”. Aos 69 anos em Chicago, em decorrência de uma doença rara nos vasos sanguíneos.
5 de abril - José Wilker, de inúmeros personagens marcantes na TV e no cinema. De infarto aos 69 anos, no Rio de Janeiro.
29 de abril – Bob Hoskins, de “Uma Cilada para Roger Rabbit”, “Hook - A volta do Capitão Gancho”, “Super Mario Bros.” e “Circulo de Fogo”. Aposentou-se em 2012, com o mal de Parkinson. Em Londres, aos 71 anos.
30 de julho – Fausto Fanti, o “Renato” do programa “Hermes & Renato”, da MTV. Encontrado com um cinto enrolado no pescoço, em seu apartamento, em São Paulo. Tinha 35 anos de idade.
11 de agosto – Robin Williams: “Popeye” (1980), “Bom Dia Vietnã”, “Patch Adams”, “Jumanji”, “Uma Babá Quase Perfeita”, “Sociedade dos Poetas Mortos”, “Hook – a volta do Capitão Gancho”, “Uma Noite no Museu” e muitos outros. Oscar de ator coadjuvante por “Gênio Indomável” (1997) e vários outros prêmios, lutava contra o vício de cocaína e álcool, além da depressão. Tinha 63 anos e se enforcou em sua residência na Califórnia.
12 de agosto – Lauren Bacall, que tinha 89 anos e sofreu um derrame em casa. De beleza “clássica”, estrelou “À beira do abismo” (1946), “Paixões em fúria” (1948), e “Como agarrar um milionário” (1953).  Foi casada com Humphrey Bogart desde a década de 1940 até a morte dele, em 1957. Mais tarde se casou com o também ator Jason Robards. Em 2009, ganhou um Oscar honorário por sua participação na “era de ouro” de Hollywood.
4 de setembro - Joan Rivers, cuja longa carreira (de mais de cinco décadas) a tornou “rainha da comédia”. Foi também uma das primeiras mulheres a fazer stand up. Apresentava o programa “Fashion Police”, no canal pago de televisão E!. Dizia ter feito 734 cirurgias plásticas. Seu estilo cômico a fazia satirizar a si própria e outras celebridades. Aos 81 anos, em Nova York, após complicações de uma cirurgia nas cordas vocais.
10 de setembro - Richard Kiel, conhecido pelo seu papel de “Jaws” (“Dentes de Aço”) nos filmes de James Bond. Com 2,18 m de altura, chegou a ser cogitado para interpretar o Hulk na série de TV, mas foi substituído, pois os produtores o consideraram “gentil e afetuoso demais”. Aos 74 anos, em Fresno, de causas não reveladas.
4 de outubro - Hugo Carvana, que trabalhou em mais de cem filmes e novelas, desde 1955. Fez parte do movimento do Cinema Novo. Estreou nas novelas em 1975, com “Cuca Legal”. Deu vida ao malandro carioca, como em “Vai trabalhar, vagabundo”, de 1973. Tinha 77 anos e sofria de câncer no pulmão.
28 de novembro – Roberto Bolaños, comediante, escritor e diretor de TV mexicano, famoso por seus personagens “Chaves” e “Chapolim”.  Conhecido em seu país como “Chespirito” (uma alusão a Shakespeare), Chapolim estreou em 1970 e Chaves no ano seguinte, ainda como quadros do programa Chespirito. As séries bateram recordes de audiência e viraram programas próprios em 1973. A Televisa tentou contratar Bolaños, mas com a recusa do comediante decidiu comprar a emissora onde ele trabalhava e ampliar a rede. Os programas de ​Chespirito ficaram no ar durante quase 30 anos ininterruptos no México, e saíram do ar em 1995. Nos anos 1980, Silvio Santos comprou novelas mexicanas da Televisa e recebeu Chaves e Chapolim como brinde. As séries estrearam no SBT em 1984 e estão até hoje no ar, desbancando sucessos globais como Xuxa. Bolaños vivia em Cancún, México, com a mulher, Florinda Meza; sofria de problemas respiratórios e de locomoção, e respirava com um cilindro de oxigênio. Teve uma parada cardíaca, aos 85 anos.
18 de dezembro – Virna Lisi, uma das musas do cinema italiano nos anos 1960. Nascida Virna Pieralisi, alcançou o sucesso com “La Donna del Giorno” (1957), “Eva” (1962), e “A Tulipa Negra” (1963) com Alain Delon. Logo depois foi para disso onde chegou a ser considerada a nova Marilyn Monroe, e estrelou “Como Matar Sua Esposa” (1965), e “Assalto a um Transatlântico” (1966), com Frank Sinatra. A partir daí, passou a formar com Sofia Loren e Claudia Cardinale o trio das musas italianas. Premiada como melhor atriz no Festival de Cannes em 1994, por sua interpretação de Catarina de Médici em “A Rainha Margot”. Também fez teatro e TV, como na peça “Otello” de 1969. Seu último filme foi “O Mais Belo Dia de Nossas Vidas” (2002).  Faleceu em Roma, aos 78 anos.
Músicos:
5 de janeiro – Nelson Ned. “Tudo passará”, de 1969, foi um de seus grandes sucessos. Nos anos 1990, tornou-se evangélico. Em 2003, sofreu um acidente vascular cerebral que muito o debilitou, culminando com sua morte aos 66 anos, em São Paulo. 
20 de janeiro - Márcio Antonucci, da dupla “Os Vips”, que ganhou fama no tempo da “Jovem Guarda”. A dupla gravou várias versões de músicas do Beatles. 68 anos,teve infecção generalizada, em Angra dos Reis (RJ).
26 de fevereiro – Paco de Lucía, mestre da música flamenca. Tocava com tal rigor e perfeccionismo que é considerado o Mozart espanhol. Começou aos 7 anos, conhecido como “Paco, el de Lucía” (Paco, o filho de Lucía). Ganhou popularidade mundial por seus trabalhos com John McLaughlin, Al Di Meola, Larry Coryell e Cameron de La Isla.  Passava temporadas em Cancún, no México, onde sofreu um infarto aos 66 anos.
26 de fevereiro - Ernesto Paulella, advogado paulistano, aposentado, viúvo e estudioso de latim, mais conhecido como o “Arnesto” do samba composto por seu amigo Adoniran Barbosa. Ele faria cem anos em 15 de dezembro de 2014 e ainda morava no bairro do Brás, em São Paulo.
8 de maio - Jair Rodrigues. Com jeito brincalhão de malandro e voz potente, seu talento de intérprete ressoa até hoje com a canção “Disparada”, sensação no Festival da Música em 1966, e pela célebre parceria com Elis Regina. Em Cotia, interior de São Paulo, aos 75 anos.
30 de setembro - Jadir Ambrósio, compositor mineiro, autor do hino do Cruzeiro. Em 1965, participou de um concurso da rádio Inconfidência (antes disso, o clube não tinha uma música oficial): “Estava subindo a avenida Afonso Pena e em questão de cinco minutos fiz o hino”. E a canção teve aprovação imediata. “A diretoria estava reunida. Cheguei, mostrei o hino, e não teve vamos ver não. Gravei e começou assim”. Tinha 91 anos, e se tratava de doenças nos rins e no coração.
25 de outubro - Jack Bruce, ex-baixista da banda Cream, que formou com Eric Clapton e Ginger Baker, uma das mais importantes da história da música, com canções como “White Room” e “Sunshine of Your Love”. Tinha 71 anos, e a causa da morte, contudo, não foi divulgada.
22 de dezembro – Joe Cocker, cantor e compositor inglês. Dono de uma voz privilegiada, notabilizou-se por interpretar blues, e ganhou fama mundial ao cantar “Whit a Little Help From My Friends”, dos Beatles, em Woodstock (1969). Tinha 70 anos e sofria de câncer na garganta.
Escritores e jornalistas: 
8 de janeiro - Márcio Rubens Prado, um dos maiores cronistas esportivos de Minas e do Brasil. Em entrevista recente, revelou a frustração de não ter sido pianista e de nunca ver o seu América-MG campeão da Série A. De problemas cardíacos, aos 80 anos, em Belo Horizonte, com “o coração pisoteado pelas donas”, como costumava brincar.
17 de abril - Gabriel García Marquez, Nobel da Literatura em 1982. Tinha a saúde muito frágil, por conta de uma pneumonia. Aos 87 anos, na Cidade do México.
18 de julho – João Ubaldo Ribeiro. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1994. Seu maior sucesso é o seu segundo livro, de 1971, “Sargento Getúlio”, consagrado como um marco do moderno romance brasileiro, comparável a Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. Aos 73 anos, de embolia pulmonar.
23 de julho – Ariano Suassuna. “O Auto da Compadecida”, sua obra mais famosa, é de 1955, e foi apresentada pela primeira vez no Recife, em 1957, sem grande sucesso. Mas anos depois virou especial de TV e filme. Nascido em 1927, em João Pessoa, cresceu no sertão paraibano e mudou-se com a família para Recife em 1942. Na década de 70, Suassuna defendia a criação de uma arte erudita nordestina com raízes populares. Foi membro-fundador do Conselho Nacional de Cultura. Aposentou-se como professor da Universidade Federal de Pernambuco, e em 1990 tomou posse na Academia Brasileira de Letras. Mesmo com problemas de saúde, permanecia em plena atividade. Tinha 87 anos e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).
Religiosos:
30 de maio - Renê Pereira Feitosa, pastor, depois de 70 anos de trabalho ininterrupto na pregação, evangelização, ensino e implantação de igrejas no Brasil e em outros países. Juntamente com seus filhos, também pastores Reuel e Uziel, na década de 1970 fundou a Igreja Peniel em Belo Horizonte, conhecida por seu importante e pioneiro trabalho na recuperação dos hoje chamados “excluídos” – dependentes químicos, travestis, prostitutas, moradores de rua. Um dos pilares do movimento de renovação espiritual na Igreja Batista nos anos 1960, ao lado de Enéas Tognini, José Rego do Nascimento e Achilles Barbosa. Sua morte aconteceu no dia em que comemorava 75 anos de casamento. Em Campo Grande, Mato Grosso, aos 93 anos.
9 de novembro - Myles Munroe, pastor e palestrante, em um acidente aéreo nas Bahamas, onde residia. Com ele faleceram sua esposa Ruth, a filha de ambos, Charisa, e mais seis pessoas. Munroe era um dos expoentes do movimento “Palavra da Fé” e arrecadava fortunas em campanhas, seminários de liderança, venda de livros e palestras motivacionais em todo o mundo, alcançando 500 mil pessoas por ano. Esteve algumas vezes no Brasil a convite de Robson Rodovalho (da Igreja Sara Nossa Terra), a quem muito influenciou com sua teologia da prosperidade, e depois com Silas Malafaia, que o recebeu em seus programas e congressos e editou alguns de seus livros. Munroe enfatizava o Reino de Deus e defendia uma escatologia pós-milenista, que prega um reino paradisíaco de paz e amor universal ainda nesta era, num contexto triunfalista. Tinha compreensão nova-erista da divisão entre “Cristo” e “Jesus” (“Jesus foi a manifestação humana do Cristo celestial”, quando a sã doutrina ensina que em Cristo há uma só pessoa com duas naturezas, a divina e a humana). Bacharel em Artes e Educação, Belas Artes e Teologia, e Doutor Honorário pela Universidade Oral Roberts, e Mestre em Artes e Administração pela Universidade de Tulsa, Oficial do Império Britânico, outorgado pela Rainha da Inglaterra, e Jubileu de Prata do Governo de Bahamas, por sua contribuição ao crescimento do País. Foi autor ou co-autor de mais de 100 livros, 23 deles com ênfase na auto-ajuda, e autor de Bíblias “de estudo”. Escrevia para diversas revistas e jornais. Tinha 60 anos de idade.
Outras figuras:
3 de maio - Benedicta Finazza, conhecida como Mãe Diná, adivinhadora que ganhou fama ao supostamente prever o acidente com os Mamonas Assassinas em 1996. De falência múltipla dos órgãos, aos 83 anos, em São Paulo.
12 de maio - Hans Ruedi Giger, pintor surrealista, conhecido como H. R. Giger, o criador do “Alien” e cuja arte estampou a capa de discos de vários artistas como Emerson, Lake & Palmer, Debbie Harry, Celtic Frost, Danzig e Dead Kennedys. Com 74 anos, estava hospitalizado após cair na escada de sua casa em Zurique, na Suíça.
11 de setembro - Sebastião Pereira de Jesus, mais conhecido como Tião das Rendas, personagem folclórico de Minas Gerais. Desde 1981, levava ao ouvinte do rádio informações sobre público e renda do futebol, antes dos jogos, e se vangloriava por sempre acertar. Ficou famoso pelos bordões “olha o dinheiro do jogo” e “pupagante” (público pagante). Pela dicção ruim, quase sempre gerava dúvidas nos ouvintes e era necessário repetir. Tião chamava atenção pelas camisas coloridas, bem “berrantes”. Outra de suas atividades era a organização de bailes dançantes. Na Praça Sete, no coração de Belo Horizonte, participava de rodas de aposta de política, futebol e outros temas polêmicos. Em 2008, candidatou-se a vereador, sem sucesso. Tinha 70 anos.

Este longo obituário podia ser maior ainda. Estima-se que, atualmente, morrem mais de 50 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo.
Isto nos faz parar para pensar.
Onde estaremos daqui a um ano?
Será que vamos fazer parte dessa longa lista de desaparecidos?
E se sim, será que deixaremos saudade? As pessoas sentirão falta de nós? Chorarão nossa perda?
E, caso não estejamos mais aqui, onde estaremos?
Vivendo uma nova, eterna e melhor vida ao lado de Jesus – como ele prometeu ao ladrão na cruz, “ainda hoje estarás comigo no paraíso”? Ou estaremos numa terrível expectativa de um julgamento do qual não sairemos com veredito favorável? Quantos desses mais de 5o milhões descansam em paz hoje? Quantos já sentem o calor e o cheiro de enxofre?
É para pensar. Pensar e agir, enquanto ainda temos o fôlego da vida e oportunidade para escolher onde queremos passar a Eternidade.

585.670

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Obituário: quem morreu em 2012

Vai com Deus, descanse em paz...

2012 chegou ao fim e grandes cidades do mundo não foram devastadas. Os pólos da Terra não se inverteram. Os continentes não mudaram de lugar, o Sol não torrou tudo, nem meteoros caíram, nem aviões perderam a orientação e colidiram. Não morreram bilhões de pessoas como alguns idiotas vaticinaram.
Mas infelizmente, somente nesse ano, cerca de 30.000 pessoas perderam a vida nos conflitos na Síria.
Número aproximado de vítimas de catástrofes naturais, como o furacão Sandy – que ceifou cerca de 200 vidas desde o Haiti até Nova York, e o tufão Bopha, que assolou o Sudeste Asiático no início de dezembro deixando quase 1000 mortos e desaparecidos. Na Russia, mais de 150 morreram numa onde de frio na semana do Natal.
Mais de 100 jornalistas morreram no exercício da profissão, a maioria em zonas de conflitos. Conflitos que parecem eternos e seguem sua triste jornada: cerca de 1.470 pessoas foram assassinadas este ano só no Paquistão em 1.293 ataques, e 910 no Afeganistão em 364 atentados.
A guerra do trânsito nas ruas brasileiras foi responsável por ainda mais mortos – passam de 40.000, por mais que as autoridades noticiem planos e mais planos para reduzir essa estatística.
Numa escola dos Estados Unidos, 27 pessoas – dentre os quais 20 crianças – foram massacradas por mais um maníaco, depois de outro doido matar 7 num cinema, durante um filme do Batman; outro abrir fogo em um shopping center, matando mais dois, e ainda mais um invadir a empresa de onde fora demitido e matar cinco. Não nos esqueçamos do tiroteio perto do Empire State, em NY; do coreano que fuzilou sete numa faculdade em Oakland, e dos sete adeptos da religião sikh em Wisconsin, em agosto. E aqui no Brasil tem maluco defendendo a liberação do porte de arma.
Quase 100 policiais morreram assassinados por bandidos somente em São Paulo. Inocentes atingidos por balas perdidas são impossíveis de ser contabilizados. 
Entre os famosos, desde o primeiro dia do ano desapareceram muitas caras conhecidas.

No dia 1º de janeiro, morreu Carlos Valadares, narrador em várias Copas do Mundo. Na Alemanha em 1974, era da Rádio Itatiaia. Em 1978 na Argentina e 1982 na Espanha, fazia parte da equipe da Rede Globo; no México em 1986 Itália (1990) e Estados Unidos (1994) narrou a Copa para o SBT. Tinha 63 anos. 

Etta James - grande nome do blues e do jazz, tinha 73 anos e morreu no dia 20 de janeiro, devido a complicações decorrentes da leucemia. O auge da carreira aconteceu nas décadas de 50 e 60, e seu maior sucesso foi a música “At Last”, de 1961, usada em filmes, como “Wall-E” (2008) e regravada por importantes cantoras da atualidade, como Beyoncé e Christina Aguilera. 

Wando - Faleceu em 8 de fevereiro aos 67 anos. Conhecido pelas músicas românticas de estilo "brega", e por colecionar calcinhas que suas fãs costumavam atirar ao palco quando se apresentava, não resistiu a uma série de complicações originadas de uma parada cardiorrespiratória. 

Whitney Houston - Encontrada morta imersa numa banheira, no dia 11 de fevereiro. Autora de sucessos como “I Will Always Love You” e “I Have Nothing”, e protagonista do filme “O Guarda-Costas” (de 1992), enfrentava o vício em drogas. Um relatório concluiu que a morte ocorreu após uma overdose de cocaína, álcool e remédios. 

Maurício Corrêa - advogado, jurista, magistrado, ministro e político mineiro, participou de vários governos, desde a redemocratização do Brasil em 1985, iniciada com a eleição de Tancredo Neves. Morreu em virtude de uma parada cardíaca em 17 de fevereiro, aos 78 anos, em Brasília.

Peri Ribeiro - Faleceu na manhã de 24 de fevereiro, aos 75 anos, em decorrência de um infarto fulminante. Seu nome verdadeiro era Peri de Oliveira Martins e era filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, ambos cantores de sucesso na chamada “era do rádio”. Cantor e compositor, ficou famoso a partir dos anos 1950. Ganhou prêmios e gravou 12 discos dedicados à Bossa Nova. 

Chico Anysio – Humorista, faleceu em 23 de março, de parada respiratória e falência múltipla dos órgãos, devido ao choque séptico provocado por uma infecção pulmonar. Tinha 80 anos e já enfrentava problemas de saúde havia meses. Gênio do humor, criou mais de 200 personagens, como o Professor Raimundo, Bento Carneiro, Bozó, Nazareno e Painho.

João Mineiro, da dupla sertaneja “João Mineiro e Marciano”. Referência no gênero, fez história na música brasileira desde 1973. O sucesso atravessou os anos 80, ganhou programa na TV e culminou em uma turnê nos Estados Unidos, em 1990, e a gravação de um disco em espanhol, em 1991.  João Sant'Angelo (seu nome verdadeiro) faleceu em 24 de março. 

Millôr Fernandes - Aos 88 anos, o escritor, desenhista, humorista, dramaturgo e tradutor  morreu no dia 27 de março, de falência múltipla nos órgãos. Foi colaborador de importantes veículos de comunicação, como as revistas O Cruzeiro e Veja, e um dos fundadores do jornal O Pasquim, no final dos anos 1960.

Jim Marshall, pioneiro dos amplificadores de guitarra e apelidado de “pai do barulho”, considerado um dos responsáveis pelo “som do rock”. Seus amplificadores são presença constante nos palcos do mundo inteiro, foram celebrizados por astros como Jimi hendrix e desde então têm a fama de serem os melhores já produzidos e preferidos por inúmeros guitarristas e bandas por todo o mundo. Em 5 de abril, aos 88 anos, de causas não reveladas.

Marly Bueno – atriz, tinha 78 anos quando faleceu em 12 de abril, em decorrência de uma infecção intestinal. Veterana de várias novelas e filmes, seu último trabalho na TV foi interpretar Ainoã, a malvada esposa do rei Saul, na minissérie “Rei Davi”, da TV Record. 


Tinoco (José Salvador Perez), faleceu em 4 de maio, aos 92 anos, vítima de insuficiência respiratória. Como membro da dupla sertaneja Tonico e Tinoco, realizou cerca de 40 mil apresentações em toda a carreira. Dentre seus maiores sucessos estão “Tristeza de Jeca”, “O menino da porteira”, “Chico mineiro” e “Moreninha linda”. Permaneceu em atividade por 82 anos.

Donna Summer - Em 17 de maio, vítima de câncer de pulmão. Tinha 64 anos. Conhecida nos anos 1970 como a Rainha do Disco, LaDonna Adrian Gaines vendeu aproximadamente 130 milhões de discos em todo o mundo.

Robin Gibb - Membro fundador da banda Bee Gees ao lado de seus irmãos Barry e Maurice, de enorme sucesso principalmente no fim dos anos 1970, quando chegaram a vender mais de 250 milhões de discos ao redor do planeta. Faleceu vítima de câncer aos 63 anos, em 20 de maio.

Jon Lord - Tecladista e membro fundador do Deep Purple, sofria de câncer no pâncreas mas morreu de embolia pulmonar, em 16 de julho, aos 71 anos. Um dos autores do clássico “Smoke on the Water” e outros sucessos, seu trabalho com o Deep Purple durou até 2002, quando passou a se dedicar apenas à carreira solo, que levava paralelamente à banda desde os anos 1970.

Tony Scott - Diretor de cinema, irmão do também cineasta Ridley Scott, pulou de uma ponte no dia 19 de agosto, em Los Angeles. Conhecido pela direção de filmes marcantes como “Top Gun – Ases Indomáveis” (1986), “Maré Vermelha” (1995), “Inimigo do Estado” (1998), “Chamas da Vingança” (2004), “Déjà Vu” (2006) e “Incontrolável” (2010).

Félix, goleiro titular da seleção brasileira tricampeã mundial na Copa de 1970. Era apelidado pelos outros jogadores de “Papel”, devido à sua magreza e aos vôos que protagonizava em suas defesas - diziam que voava como um papel. Fumante inveterado, sucumbiu a um enfisema pulmonar em 24 de agosto, aos 74 anos. 

Neil Armstrong - O primeiro homem a pisar na Lua morreu em 25 de agosto, aos 82 anos. O ex-astronauta foi um dos tripulantes da Apollo 11, em 1969, com Michael Collins e Edwin “Buzz” Aldrin. É dele a famosa frase: “este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”. Cristão, dizia dar mais valor às pegadas de Cristo do que ter deixado pegadas na Lua.

Michael Clarke Duncan - Ator americano, morreu no dia 3 de setembro, aos 54 anos, em Los Angeles. Interpretou um homem injustamente condenado à morte no filme “À Espera de um Milagre” (1999), e também atuou em “Armageddon”' (1998), “O Planeta dos Macacos” (2001), “O Escorpião Rei” (2002), “Sin City” (2005), e “Kung Fu Panda” (2008).

Hebe Camargo - Aos 83 anos, a atriz, cantora e apresentadora de TV, morreu na madrugada do dia 29 de setembro, deixando saudades para o público brasileiro, depois de lutar contra o câncer. 

Eric Hobsbawm - Historiador e professor emérito da Universidade de Londres, morreu em 1º de outubro, aos 95 anos. Por suas convicções marxistas, Hobsbawm era muito respeitado, mas também polêmico. Ele foi o autor dos livros “A Era das Revoluções”, “A Era do Capital”, “A Era dos Impérios” e “A Era dos Extremos”. 

Regina Dourado – atriz, fazia tratamento contra um câncer de mama desde 2003, mas não resistiu às complicações da doença e faleceu no dia 20 de outubro, aos 59 anos. O estado de saúde dela era crítico: estava inconsciente e já não respondia a estímulos.

Marcos Paulo, galã de novelas e mini-séries como “Sinhá Moça” e “Primo Basílio”, e também chegou a dirigir filmes. Morreu no dia 11 de novembro, devido a uma embolia pulmonar. O ator e diretor de 61 anos havia passado, em 2011, por um tratamento contra um tumor no esôfago.

Joelmir Beting, jornalista e comentarista de economia e política. Sociólogo, tornou-se editor de Economia do jornal Folha de S. Paulo, lançando uma coluna diária a partir de 1970, desmistificando e traduzindo a Economia em termos populares e jocosos. Criou bordões como “quem não deve, não tem” e “na prática, a teoria é outra”. Aos 75 anos, em 29 de novembro.

Dave Brubeck, pianista de jazz norte-americano. Reconhecido como um gênio em sua área, ele compôs vários jazz standards, incluindo “In Your Own Sweet Way” e “The Duke”. Em 5 de dezembro, aos 92 anos.

Oscar Niemeyer – o renomado arquiteto brasileiro se notabilizou por mudar a paisagem de várias cidades no Brasil e no Mundo. Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Niterói, Paris, Nova York e Curitiba são apenas alguns lugares onde o seu traço inconfundível pode ser visto em obras que permanecerão como verdadeiros ícones durante muito tempo. Em 5 de dezembro, às vésperas de completar 105 anos de vida.

Ravi Shankar, músico indiano. Virtuose da cítara, instrumento típico de seu país, influenciou a música dos Beatles e especialmente a de George Harrison. Tocou em vários festivais importantes, inclusive Woodstock e Concerto Para Bangladesh, um dos primeiros realizados para arrecadar fundos para vítimas de catástrofes.  Era pai da cantora Norah Jones e da – como ele – instrumentista Anoushka Shankar. Em 11 de dezembro, aos 92 anos.

Este longo obituário podia ser maior ainda. Com certeza, você se lembrará de mais alguém, famoso ou não. Afinal, estima-se que, atualmente, morrem mais de 54 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo.
Isto nos faz parar para pensar.
Onde estaremos daqui a um ano?

Será que vamos fazer parte dessa longa lista de desaparecidos?
E se sim, será que deixaremos saudade? As pessoas sentirão falta de nós? Chorarão nossa perda?
E, caso não estejamos mais aqui, onde estaremos?
Vivendo uma nova, eterna e melhor vida ao lado de Jesus – como ele prometeu ao ladrão na cruz, “ainda hoje estarás comigo no paraíso”? Ou estaremos numa terrível expectativa de um julgamento do qual não sairemos com veredito favorável? Quantos desses mais de 54 milhões descansam em paz hoje? Quantos já sentem o calor e o cheiro de enxofre?
É para pensar. Pensar e agir, enquanto ainda temos o fôlego da vida e oportunidade para escolher onde queremos passar a Eternidade.

195255