sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A contagem do tempo nos tempo bíblicos - parte 3 (final)

O calendário hebraico

Agora, para acabar de vez com a polêmica sobre se o ano bíblico tinha doze ou seis meses, ou outra maluquice qualquer, veremos o que diz a Bíblia, a Palavra Infalível de um Deus Infalível. O calendário hebraico, que é observado até os dias de hoje, segue o ciclo lunar, e é por isto que a Páscoa nunca cai na mesma data do nosso calendário solar. O calendário hebraico possui doze meses de 29 e 30 dias, mais o 13º mês de curta duração chamado “Adar-Shen” (segundo Adar), intercalado periodicamente de forma a que o ano tenha a mesma duração do calendário solar. À exceção desse período ligeiramente irregular e dos meses de Tamuz (junho/julho, denominação adotada após o exílio na Babilônia) e de Av (julho/agosto), os outros dez meses são explicitamente citados na Bíblia, provando que realmente o ano não era de “seis meses” ou de “um mês” como se quer fazer crer. Apenas deve ser observado que, na época de Moisés, quando foi instituído, o ano começava no mês de Abib/Nisan, que corresponde mais ou menos aos nossos meses de março/abril. 
Em Êxodo 23:14-16 Deus diz:Três vezes no ano me celebrarás festa: A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás pães ázimos como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; e ninguém apareça perante mim de mãos vazias; também guardarás a festa da sega, a das primícias do teu trabalho, que houveres semeado no campo; igualmente guardarás a festa da colheita à saída do ano, quando tiveres colhido do campo os frutos do teu trabalho”. Só muito tempo depois o ano civil passou a se iniciar em Etanim/Tisri (setembro/outubro), como nos dias de hoje. 
Abib/Nisan, que corresponde a março/abril, é citado na Bíblia em Êxodo 12:2 - “Este mês será para vós o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano”;
em Êxodo 23:15 - “A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás pães ázimos como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; e ninguém apareça perante mim de mãos vazias”;
em Neemias 2:1 - “Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, quando o vinho estava posto diante dele, que eu apanhei o vinho e o dei ao rei. Ora, eu nunca estivera triste na sua presença”.
e em Ester 3:7 - “No primeiro mês, que é o mês de nisã, no ano duodécimo do rei Assuero, se lançou Pur, isto é, a sorte, perante Hamã, para cada dia e para mês, até o duodécimo, que é o mês de adar”. NOTA - Os livros de Neemias e Ester foram escritos exatamente 1000 anos após o Êxodo, e o calendário ainda era o mesmo!
Zive, que corresponde a abril/maio, é citado na Bíblia em 1º Reis 6:1 - “Sucedeu, pois, que no ano quatrocentos e oitenta depois de saírem os filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive, que é o segundo mês, começou-se a edificar a casa do Senhor”.
Sivan, que corresponde a maio/junho, aparece em Ester 8:9 - “Então foram chamados os secretários do rei naquele mesmo tempo, no terceiro mês, que é o mês de sivã, no vigésimo terceiro dia; e se escreveu conforme tudo quanto Mordecai ordenou a respeito dos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos príncipes das províncias, que se estendem da Índia até a Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada província segundo o seu modo de escrever, e a cada povo conforme a sua língua; como também aos judeus segundo o seu modo de escrever e conforme a tua língua”.
Elul, que corresponde a agosto/setembro, é citado na Bíblia em Neemias 6:15 “Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de elul, em cinqüenta e dois dias”.
Etanim/Tisri, que corresponde a setembro/outubro, é  aparece em I Reis 8:2 “De maneira que todos os homens de Israel se congregaram ao rei Salomão, na ocasião da festa, no mês de etanim, que é o sétimo mês”. Nesse mês se comemora a festa das Trombetas (Levítico 23:24, “Fala aos filhos de Israel: No sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós descanso solene, em memorial, com sonido de trombetas, uma santa convocação”) e dos Tabernáculos (Levítico 23:39, “Desde o dia quinze do sétimo mês, quando tiverdes colhido os frutos da terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; no primeiro dia haverá descanso solene, e no oitavo dia haverá descanso solene”);
Esdras 8:13,14,16 - “Ora, no dia seguinte ajuntaram-se os cabeças das casas paternas de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, na presença de Esdras, o escriba, para examinarem as palavras da lei; e acharam escrito na lei que o Senhor, por intermédio de Moisés, ordenara que os filhos de Israel habitassem em cabanas durante a festa do sétimo mês... Saiu, pois, o povo e trouxe os ramos; e todos fizeram para si cabanas, cada um no eirado da sua casa, nos seus pátios, nos átrios da casa de Deus, na praça da porta das águas, e na praça da porta de Efraim”. Atualmente, nesse mês também é comemorado o ano novo (Rosh Hashana).
Bul/Maresvan, que corresponde a outubro/novembro, é citado na Bíblia em I Reis 6:38 - “E no undécimo ano, no mês de bul, que é o oitavo mês, se acabou esta casa com todas as suas dependências, e com tudo o que lhe convinha. Assim levou sete anos para edificá-la”.
Quisleu, que corresponde a novembro/dezembro, é citado na Bíblia em Neemias 1:1 - “Palavras de Neemias, filho de Hacalias. Ora, sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a capital”;
e em Zacarias 7:1 “Aconteceu no ano quarto do rei Dario, que a palavra do Senhor veio a Zacarias, no dia quarto do nono mês, que é quisleu”.
Tebet, que corresponde a dezembro/janeiro, é citado na Bíblia em Ester 2:16 - “Ester foi levada ao rei Assuero, ao palácio real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano de seu reinado”.
Sebat, que corresponde a janeiro/fevereiro, é citado na Bíblia em Zacarias 1:7 - “Aos vinte e quatro dias do mês undécimo, que é o mês de sebate, no segundo ano de Dario, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido...
Adar, que corresponde a fevereiro/março, é citado na Bíblia em Ester 3:7, 13 - “No primeiro mês, que é o mês de nisã, no ano duodécimo do rei Assuero, se lançou Pur, isto é, a sorte, perante Hamã, para cada dia e para mês, até o duodécimo, que é o mês de adar... Enviaram-se as cartas pelos correios a todas províncias do rei, para que destruíssem, matassem, e fizessem perecer todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, e para que lhes saqueassem os bens”;
em Ester 8:12 - “num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, do dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar”;
em Ester 9:1,15,17,19,21 - “Ora, no duodécimo mês, que é o mês de adar, no dia treze do mês, em que a ordem do rei e o seu decreto estavam para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorar-se deles, sucedeu o contrário, de modo que os judeus foram os que se assenhorearam do que os odiavam... Os judeus que se achavam em Susã reuniram-se também no dia catorze do mês de adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a mão... Sucedeu isso no dia treze do mês de adar e no dia catorze descansaram, e o fizeram dia de banquetes e de alegria... portanto os judeus das aldeias, que habitam nas cidades não muradas, fazem do dia catorze do mês de adar dia de alegria e de banquetes, e de festas, e dia de mandarem porções escolhidas uns aos outros... ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos";
e também em Esdras 6:15 - “E acabou-se esta casa no terceiro dia do mês de Adar, no sexto ano do reinado do rei Dario".
Ficou claro que existem DOZE meses no calendário hebraico. Creio que isto basta para provar que:
1 – o calendário utilizado na narração bíblica é digno de confiança;
2 – o calendário é composto de dias, meses e anos, como o nosso, com a ressalva de que é baseado no ciclo lunar;
3 – um ano é um ano, e não “seis meses” ou “um mês” ou outro período qualquer.
Doa a quem doer!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A contagem do tempo nos tempos bíblicos – parte 2: no Novo Testamento e no Dilúvio

Na postagem anterior, vimos que Moisés, que compilou e escreveu o relato do Gênesis, viveu a infância e boa parte da vida adulta no Egito, e certamente não cometeria o erro grotesco de descrever as datas do Gênesis confundindo anos com meses ou outros períodos de tempo.
Na Bíblia, um dia é um dia, e um ano é um ano, a não ser em passagens claramente simbólicas, como na profecia das setenta semanas no livro de Daniel.
Quando a Bíblia relata que Maria ficou três meses com Isabel, sua prima (Lucas 1:56), quer dizer pura e simplesmente que Maria passou três meses hospedada com Isabel. Segundo a interpretação de que um ano não teria doze, mas seis ou menos meses, o que seriam esses três meses de visita de Maria? Três dias, três semanas?
E se um ano correspondesse a um mês, quando Jesus foi encontrado no Templo discutindo com os doutores da Lei aos doze anos(Lucas 2:42-52), será que ele teria, na verdade, doze meses? Ele começou seu trabalho e foi batizado pelo Batista quando tinha trinta anos ou trinta meses? Seu ministério durou três anos ou três meses?  
Teriam os evangelistas cometido o mesmo “erro” de Moisés? Parece que a desculpa do “calendário diferente” só serve mesmo para tentar desqualificar a narrativa bíblica, mas mesmo assim se mostra uma falácia quando comparada aos fatos. Vamos a eles.
O relato pormenorizado das datas do dilúvio – A melhor prova da precisão do calendário bíblico e sua precisão, e também de que eram doze meses de 30 dias, está no relato do dilúvio. Isso mesmo, a história da arca de Noé. É impressionante a precisão do relato. Parece até o diário do capitão.
A Bíblia toma como referência os anos de vida de Noé; portanto, vamos tomar como base o ano da idade do patriarca, supondo que o aniversário dele fosse em 1º de janeiro, para facilitar os cálculos. Evidentemente, os meses naquela época ainda não eram chamados de “janeiro”, “fevereiro” etc.; usamos essas referências apenas para fins de exemplo.
Acompanhe com uma calculadora e prepare-se!
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 7:11 “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram”.
FATO: Início do Dilúvio: Noé tem 600 anos de idade.
DATA: 17/02/600. 
DIAS SOMADOS: ZERO
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 7:12 “e caiu chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites”.
FATO: Choveu até o dia 28/03/600. 
DIAS SOMADOS: 40
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:3 “as águas se foram retirando de sobre a terra; no fim de cento e cinqüenta dias começaram a minguar”.
FATO: Ficou tudo coberto até 16/07/600. 
DIAS SOMADOS: 150
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:4 “No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre os montes de Arará”.
FATO: A arca pousou no monte em 17/07/600.
DIAS SOMADOS: 151
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:5 “E as águas foram minguando até o décimo mês; no décimo mês, no primeiro dia do mês, apareceram os cumes dos montes”.
FATO: O topo dos montes apareceu em 01/10/600. Se o ano fosse de 6 meses, já estaríamos no 2º ano.
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:6,7 “Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que havia feito na arca; soltou um corvo que, saindo, ia e voltava até que as águas se secaram de sobre a terra”.
FATO: Noé abriu a janela em 10/11/600. 
DIAS SOMADOS: 267 (40 após o último evento)
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:8-12 “Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra; mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas ainda estavam sobre a face de toda a terra; e Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca. Esperou ainda outros sete dias, e tornou a soltar a pomba fora da arca. À tardinha a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de oliveira; assim soube Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. Então esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e esta não tornou mais a ele”.
FATO: Passadas 3 semanas, a pomba não voltou, em 01/12/600.
DIAS SOMADOS: 288 (21 após o último evento)
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:13 “No ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, secaram-se as águas de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca: olhou, e a face a terra estava enxuta”.
FATO: A face da terra está enxuta em 01/01/601. Aniversário de Noé. Agora sim, mudamos de ano.
REFERÊNCIA BÍBLICA: Gênesis 8:14 “No segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca”.
FATO: A terra está seca em 27/02/601, ano da vida de Noé. Um ano e 10 dias depois da primeira gota d’água.

Se você somou certo, verá que as datas coincidem. Note que só se muda de ano após o relato de que depois do décimo mês (o corvo) passaram-se 40 dias; já estamos no 11º mês, e com as pombas passam-se mais 21 dias, chegando-se ao final do 12º mês. Depois disto, a narrativa relata o primeiro dia do primeiro mês do ano seguinte. Vamos parar por aqui, pois já é o suficiente.

A seguir: CONTAGEM DO TEMPO NOS TEMPOS BÍBLICOS – PARTE 3: OS MESES DO CALENDÁRIO HEBRAICO

domingo, 4 de janeiro de 2009

A contagem do tempo nos tempos bíblicos

Neste link, mostramos que Jesus não nasceu de fato em 25 de dezembro, mas sim em setembro/outubro, com base no calendário anual usado em Israel desde o tempo de Moisés, vamos discutir mais um pouco sobre contagem do tempo.
Há uma corrente tosca que afirma ser a contagem do tempo nos tempos bíblicos diferente da atual. Isto porque certas mentes que se acham lógicas e racionais têm dificuldade em concordar com a idade avançada atingida por certos patriarcas, que segundo o relato bíblico chegaram a viver centenas de anos. Alegam tais intelectualóides que o ano bíblico, naqueles tempos, durava seis meses, ou até mesmo um único mês. Mas isto é um absurdo, como veremos.
A melhor forma de se comprovar que o ano bíblico era igual ao nosso é a narrativa do dilúvio. Nela encontramos registros precisos de datas, dias, meses e anos que resistem a qualquer calculadora. Antes, porém, algumas considerações são necessárias. 
A idade dos patriarcas - A Bíblia relata que, quando Deus anunciou a Noé que haveria um dilúvio, este contava com 500 anos de idade. A maioria das pessoas torce o nariz para essa cifra, assim como para a idade de outros patriarcas. Matusalém ou Metuselá, segundo a Bíblia teria morrido com 969 anos de idade (Gênesis 5:27 diz: “E foram todos os dias de Metuselá 969 anos; e morreu”); foi o mais longevo ser humano que já houve, e por isso é um dos mais conhecidos personagens bíblicos. É provável que as narrativas das vidas dos patriarcas do Gênesis tenham originado a suposição de que “naquela época” contava-se o ano como seis meses, ou um mês, quem sabe.
Esse argumento é falho. Vejamos: se cada ano fosse de seis meses, Matusalém teria morrido com 484 anos e meio.
Assim daria para acreditar? Ainda não? Então suponhamos que cada ano fosse igual a um mês dos nossos. A idade de Matusalém ao morrer seria, então, de quase 81 anos. Mais plausível. Mas dessa forma, José, filho de Jacó, ao ser vendido como escravo ao Egito, ao invés de 17 anos conforme o relato bíblico (Gênesis 37:2 diz: “Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos...”), teria a idade de 17 meses, ou seja, menos de um ano e meio. E seria ministro do Faraó aos trinta meses de idade, ou dois anos e meio (Gênesis 41:46 diz: “E José era da idade de trinta anos quando esteve diante de Faraó, rei do Egito.”). Ou seja, para se resolver um problema, criamos inúmeros outros, o que foge completamente a toda e qualquer regra de interpretação, não apenas bíblica, mas de qualquer texto.
É óbvio que os povos antigos seguiam um calendário muito semelhante ao nosso. Sabe-se que desde o Paleolítico havia medições de tempo mediante observações atentas do Sol, da Lua e das estrelas. Em um primeiro momento, o ciclo do Sol – as variações entre a claridade e a escuridão – foi empregado na contagem dos dias e noites. Depois, as variações da Lua – com suas respectivas fases – determinaram a concepção de períodos maiores.
Assim foi possível estipular os meses e, com base na variação das estações, a consolidação dos anos. No início, a contagem do ano apresentava um problema, pois o ciclo da Lua dura apenas 28 dias. De tal modo, diversos povos realizavam o acréscimo intencional de alguns dias para equalizar com o ciclo solar.
Desde a mais remota Antiguidade, o aprimoramento dos calendários esteve ligado ao desenvolvimento das atividades agrícolas. Afinal era necessária uma medição de tempo precisa e adequada para o planejamento do plantio, colheita e armazenamento dos grãos, e também para a programação da caça, dos ciclos de migração e nas festividades religiosas.
Os egípcios organizavam seu calendário a partir de um ano dividido em três diferentes estações, a partir da variação das águas do Nilo. Eram as estações da inundação, a da semeadura e a da colheita. Como era preciso antecipar a ocorrência de cada uma dessas épocas, a constante observação das estrelas também servia como referencial. Já no século V a.C., os egípcios adotavam um calendário com 365 dias, subdividido em 12 meses com 30 dias e os dias adicionais.
A sofisticação desse sistema era tanta que em determinados períodos havia um acerto que compensava as diferenças mínimas que eram verificadas, da mesma forma que hoje acrescentamos um dia a cada quatro anos, 0 29 de fevereiro dos anos bissextos.
Mas e a longevidade dos patriarcas, como se explica? Isso é comprovado pela ciência e pela ecologia modernas. Sabe-se que a poluição atmosférica, o uso de agrotóxicos, e fenômenos como o aquecimento global e o buraco na camada de ozônio têm efeitos devastadores sobre a vida humana. Sabe-se também que as condições gerais do planeta vêm se deteriorando através dos séculos. Se recuarmos no tempo, a conclusão lógica é que, quanto mais jovem era a humanidade, mais saudável deveria ser, pois embora hoje existam vacinas e medicamentos para várias enfermidades, na antiguidade não se tem notícia de muitas doenças que hoje nos afligem como AIDS e câncer. Alimentação mais natural, mais exercício físico, ar puro e muitas recomendações que os médicos fazem hoje em dia então não existiam, pois as práticas habituais das populações não exigiam muitas visitas aos especialistas...
E a Bíblia ainda complementa, dizendo que antes da época de Noé não havia chuva (o que foi motivo da incredulidade daquele povo. Não creram em Noé e sua advertência sobre o dilúvio vindouro porque nunca haviam visto “cair água do céu”). Ao contrário, “Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra... um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra” (Gênesis 2:5,6). Um efeito similar ao de uma estufa era a base do primeiro eco-sistema relatado.
Que efeitos essa estufa teria sobre o homem? Não sabemos ao certo, mas é lícito supor que provavelmente filtraria muitos tipos de radiação que hoje atingem diretamente a superfície do planeta, prolongando em muito a duração da vida humana. Com o dilúvio, essa estufa deixou de existir, pois o vapor condensou-se e desceu sob a forma de chuva torrencial, iniciando o ciclo de chuva e evaporação conforme o conhecemos. Em outra ocasião comentaremos sobre se o volume de água na forma de vapor subitamente precipitado como chuva torrencial seria suficiente ou não para inundar toda a terra. Mas por ora é interessante notar que, após o episódio de Noé, a duração da vida humana vai diminuindo progressivamente, até que na época de Moisés – cerca de 800 anos após Noé – a média é de 100 a 120 anos.
O que isso prova? Isso apenas confere com os dados sobre outros povos contemporâneos dos patriarcas bíblicos. Sabe-se perfeitamente e sem sombra de dúvida que os egípcios, fenícios e babilônios possuíam os mais perfeitos calendários que já houve. No caso dos primeiros, é notória a precisão astronômica da construção das pirâmides, por exemplo, e a exatidão do calendário proporcionada pela observação das cheias anuais do Nilo. No caso dos últimos, acontecia o mesmo, em relação ao Tigre e ao Eufrates. Assim, acusar os contemporâneos hebreus de usarem um método completamente inexato de contagem do tempo é, no mínimo, usar dois pesos e duas medidas. Nessa hora, esquecem-se de que Moisés, que compilou e escreveu o relato do Gênesis, viveu a infância e boa parte da vida adulta no Egito, e certamente não cometeria esse erro grotesco.

A seguir: A CONTAGEM DO TEMPO NOS TEMPOS BÍBLICOS, PARTE 2: NO NOVO TESTAMENTO E NO DILÚVIO