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domingo, 4 de janeiro de 2009

A contagem do tempo nos tempos bíblicos

Neste link, mostramos que Jesus não nasceu de fato em 25 de dezembro, mas sim em setembro/outubro, com base no calendário anual usado em Israel desde o tempo de Moisés, vamos discutir mais um pouco sobre contagem do tempo.
Há uma corrente tosca que afirma ser a contagem do tempo nos tempos bíblicos diferente da atual. Isto porque certas mentes que se acham lógicas e racionais têm dificuldade em concordar com a idade avançada atingida por certos patriarcas, que segundo o relato bíblico chegaram a viver centenas de anos. Alegam tais intelectualóides que o ano bíblico, naqueles tempos, durava seis meses, ou até mesmo um único mês. Mas isto é um absurdo, como veremos.
A melhor forma de se comprovar que o ano bíblico era igual ao nosso é a narrativa do dilúvio. Nela encontramos registros precisos de datas, dias, meses e anos que resistem a qualquer calculadora. Antes, porém, algumas considerações são necessárias. 
A idade dos patriarcas - A Bíblia relata que, quando Deus anunciou a Noé que haveria um dilúvio, este contava com 500 anos de idade. A maioria das pessoas torce o nariz para essa cifra, assim como para a idade de outros patriarcas. Matusalém ou Metuselá, segundo a Bíblia teria morrido com 969 anos de idade (Gênesis 5:27 diz: “E foram todos os dias de Metuselá 969 anos; e morreu”); foi o mais longevo ser humano que já houve, e por isso é um dos mais conhecidos personagens bíblicos. É provável que as narrativas das vidas dos patriarcas do Gênesis tenham originado a suposição de que “naquela época” contava-se o ano como seis meses, ou um mês, quem sabe.
Esse argumento é falho. Vejamos: se cada ano fosse de seis meses, Matusalém teria morrido com 484 anos e meio.
Assim daria para acreditar? Ainda não? Então suponhamos que cada ano fosse igual a um mês dos nossos. A idade de Matusalém ao morrer seria, então, de quase 81 anos. Mais plausível. Mas dessa forma, José, filho de Jacó, ao ser vendido como escravo ao Egito, ao invés de 17 anos conforme o relato bíblico (Gênesis 37:2 diz: “Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos...”), teria a idade de 17 meses, ou seja, menos de um ano e meio. E seria ministro do Faraó aos trinta meses de idade, ou dois anos e meio (Gênesis 41:46 diz: “E José era da idade de trinta anos quando esteve diante de Faraó, rei do Egito.”). Ou seja, para se resolver um problema, criamos inúmeros outros, o que foge completamente a toda e qualquer regra de interpretação, não apenas bíblica, mas de qualquer texto.
É óbvio que os povos antigos seguiam um calendário muito semelhante ao nosso. Sabe-se que desde o Paleolítico havia medições de tempo mediante observações atentas do Sol, da Lua e das estrelas. Em um primeiro momento, o ciclo do Sol – as variações entre a claridade e a escuridão – foi empregado na contagem dos dias e noites. Depois, as variações da Lua – com suas respectivas fases – determinaram a concepção de períodos maiores.
Assim foi possível estipular os meses e, com base na variação das estações, a consolidação dos anos. No início, a contagem do ano apresentava um problema, pois o ciclo da Lua dura apenas 28 dias. De tal modo, diversos povos realizavam o acréscimo intencional de alguns dias para equalizar com o ciclo solar.
Desde a mais remota Antiguidade, o aprimoramento dos calendários esteve ligado ao desenvolvimento das atividades agrícolas. Afinal era necessária uma medição de tempo precisa e adequada para o planejamento do plantio, colheita e armazenamento dos grãos, e também para a programação da caça, dos ciclos de migração e nas festividades religiosas.
Os egípcios organizavam seu calendário a partir de um ano dividido em três diferentes estações, a partir da variação das águas do Nilo. Eram as estações da inundação, a da semeadura e a da colheita. Como era preciso antecipar a ocorrência de cada uma dessas épocas, a constante observação das estrelas também servia como referencial. Já no século V a.C., os egípcios adotavam um calendário com 365 dias, subdividido em 12 meses com 30 dias e os dias adicionais.
A sofisticação desse sistema era tanta que em determinados períodos havia um acerto que compensava as diferenças mínimas que eram verificadas, da mesma forma que hoje acrescentamos um dia a cada quatro anos, 0 29 de fevereiro dos anos bissextos.
Mas e a longevidade dos patriarcas, como se explica? Isso é comprovado pela ciência e pela ecologia modernas. Sabe-se que a poluição atmosférica, o uso de agrotóxicos, e fenômenos como o aquecimento global e o buraco na camada de ozônio têm efeitos devastadores sobre a vida humana. Sabe-se também que as condições gerais do planeta vêm se deteriorando através dos séculos. Se recuarmos no tempo, a conclusão lógica é que, quanto mais jovem era a humanidade, mais saudável deveria ser, pois embora hoje existam vacinas e medicamentos para várias enfermidades, na antiguidade não se tem notícia de muitas doenças que hoje nos afligem como AIDS e câncer. Alimentação mais natural, mais exercício físico, ar puro e muitas recomendações que os médicos fazem hoje em dia então não existiam, pois as práticas habituais das populações não exigiam muitas visitas aos especialistas...
E a Bíblia ainda complementa, dizendo que antes da época de Noé não havia chuva (o que foi motivo da incredulidade daquele povo. Não creram em Noé e sua advertência sobre o dilúvio vindouro porque nunca haviam visto “cair água do céu”). Ao contrário, “Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra... um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra” (Gênesis 2:5,6). Um efeito similar ao de uma estufa era a base do primeiro eco-sistema relatado.
Que efeitos essa estufa teria sobre o homem? Não sabemos ao certo, mas é lícito supor que provavelmente filtraria muitos tipos de radiação que hoje atingem diretamente a superfície do planeta, prolongando em muito a duração da vida humana. Com o dilúvio, essa estufa deixou de existir, pois o vapor condensou-se e desceu sob a forma de chuva torrencial, iniciando o ciclo de chuva e evaporação conforme o conhecemos. Em outra ocasião comentaremos sobre se o volume de água na forma de vapor subitamente precipitado como chuva torrencial seria suficiente ou não para inundar toda a terra. Mas por ora é interessante notar que, após o episódio de Noé, a duração da vida humana vai diminuindo progressivamente, até que na época de Moisés – cerca de 800 anos após Noé – a média é de 100 a 120 anos.
O que isso prova? Isso apenas confere com os dados sobre outros povos contemporâneos dos patriarcas bíblicos. Sabe-se perfeitamente e sem sombra de dúvida que os egípcios, fenícios e babilônios possuíam os mais perfeitos calendários que já houve. No caso dos primeiros, é notória a precisão astronômica da construção das pirâmides, por exemplo, e a exatidão do calendário proporcionada pela observação das cheias anuais do Nilo. No caso dos últimos, acontecia o mesmo, em relação ao Tigre e ao Eufrates. Assim, acusar os contemporâneos hebreus de usarem um método completamente inexato de contagem do tempo é, no mínimo, usar dois pesos e duas medidas. Nessa hora, esquecem-se de que Moisés, que compilou e escreveu o relato do Gênesis, viveu a infância e boa parte da vida adulta no Egito, e certamente não cometeria esse erro grotesco.

A seguir: A CONTAGEM DO TEMPO NOS TEMPOS BÍBLICOS, PARTE 2: NO NOVO TESTAMENTO E NO DILÚVIO

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