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domingo, 22 de fevereiro de 2015

A música Gospel e o namoro com a

Li outro dia sobre um evento que pode provocar uma reflexão. A juventude evangélica de Porto Velho participou do “1º Gospel Show”, uma mistura de música religiosa com hip-hop – incluindo grupos de danças coreografadas e grupo de pagode gospel. Há alguns anos, isso seria impensável, pois a música evangélica era solenemente sacra e sem os embalos rítmicos que os conservadores costumavam tachar como “da carne” ou profanos, por incentivar o corpo ao balanço e ao requebrado. Mas atualmente, pagode, funk, rock, forró e até o hip-hop ganham versões gospel com letras que tentam pregar o evangelho. 
O teólogo Messias Alves (graduado pela UNACH – Universidade Adventista do Chile) diz que, principalmente no final dos anos 1980, começou se fazer uma mistura de ritmos com o propósito de evangelizar: “A princípio, a inserção de certos ritmos no campo da música gospel ou evangélica se deu sob muita resistência. Até hoje muitos evangélicos não aceitam os chamados Pagode Gospel, Rock Gospel e outros, por considerarem uma ‘mistura do santo e do profano’. No entanto, mesmo os mais conservadores podem constatar que tal revolução na música evangélica resultou numa maior aproximação dos jovens ao Evangelho e, conseqüentemente, em mudança de vidas”. Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas. É fácil constatar que nos últimos vinte anos houve melhora no nível técnico, mas em relação ao conteúdo isso é bastante discutível.
Para o promotor do evento em Rondônia, Rosan Neves, a mistura de ritmos quebra paradigmas e abre oportunidades para os não alcançados pelo Evangelho. Rosan, que já teve casa de show em Porto Velho antes de ser evangélico, conta: “conheci muitos jovens músicos que tocavam pagode e enchiam a cara de drogas. Agora tenho reencontrado esses mesmos jovens tocando pagode e adorando a Jesus – vivendo um estilo de vida saudável e muito melhor para si e suas famílias”.
Será? D. M. Lloyd-Jones, um dos grandes teólogos do século XX, explica o que significa o louvor, a adoração e a ação de graças, que são o padrão para a Igreja Cristã. Por que devemos cantar? O que devemos cantar? Como devemos cantar? O canto sempre foi importante para o povo de Deus. Baseado em Efésios 5:18-20, Lloyd-Jones trata da maneira como os crentes devem expressar suas vidas cheias do Espírito na igreja e em seu viver diário. Ele define salmos, hinos e cânticos espirituais e dá atenção referente ao cântico de salmos, discute o lugar da melodia no culto e nos faz lembrar que o cristão, sempre, e em todas as áreas da vida, deve cantar ao Senhor, pois Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre.
O tipo de música que atualmente escorre das rádios e livrarias evangélicas corresponde ao padrão bíblico? Esse “gospel show” expressa a misericórdia de Deus, traz alguém ao arrependimento, à mudança de vida, ou é apenas uma noite de diversão e rebolado em nome de Jesus? Será que o pessoal lá sabe cantar o hino “Santo, Santo, Santo”? E mesmo que saiba, será que alguém cantaria tal melodia num evento desses?
C. H. Fischer escreve que, “da mesma forma que no mundo secular há várias sub-culturas (...) existe uma nova sub-cultura, a aberrante Cultura da Música Cristã. Ela se desenvolveu imitando o padrão satânico da indústria de entretenimento secular, ao qual ela busca igualar-se. A música secular e a indústria de entretenimento também têm sub-culturas que seguem as regras da sociedade, e parece que grande parte da cultura da Música Cristã Contemporânea (MCC) desenvolveu a mesma tendência. Este fato é sem precedentes nos tempos modernos, uma vez que a música sempre foi vista como um braço da Igreja, sob sua autoridade e direção. Hoje, porém, ela se desenvolveu numa cultura autônoma de pessoas, as quais resistem audaciosamente a qualquer tentativa da liderança da Igreja de questionar seu estilo de vida ou monitorar seus métodos e estilos. Embora os níveis de liderança ainda estejam sob a proteção da regulação e aprovação da Igreja, a aberrante Cultura da Música Cristã é comandada por pessoas seculares, operando num formato frouxo, liberal, onde o pecado e o erro são aceitos, desde que um rótulo de ‘cristão’ seja afixado frouxamente sobre ela”. Leia mais aqui.
Há 150 anos Spurgeon já dizia: “O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão é prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões”. Seu sermão “Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?” pode ler lido aqui
Voltando especificamente à questão musical, hoje em dia esquece-se que para ser chamada de música a composição precisa necessariamente ter melodia, ritmo e harmonia. Verificamos que a maioria dessas “canções modernas” não atende a esse requisito básico. O hip-hop e o rap, por exemplo, possuem apenas ritmo (aliás, rap é uma sigla para “rythm and poetry”, ritmo e poesia – ou letra, em inglês). Isso quando tem letra. Veja essa pérola do “músico gospel” Adriano Gospel Funk:
“Pras irmã e pros irmão, que curte o som pancadão
Eu mando assim ó: Vem pro gospel funk
Pra se divertir com Jesus no coração
Você vai ser feliz então, vem pro gospel funk (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, 
então pula e agora dança (2x)
A juventude, os adultos, os coroa e as crianças, (2x)
Vem pro gospel funk pra se divertir...”
Ô Adriano, tá me ouvindo? Sem comentários essa sua “letra” hein...
Quando há algo além do ritmo, vemos que muitas harmonias são defeituosas, pois são em tons menores ou usam dissonâncias, mensagem subliminar que destoa da letra dita “cristã”. Como pode uma mensagem cristã ser distorcida ou dissonante? Psicologicamente estabelece-se um conflito na mente de quem ouve.
E a letra? Aí é está o pior, se é que algo pode ser ruim, péssimo ou pior. Poucas letras sobrevivem a um exame bíblico, isso quando não trazem ensinos bíblicos pela metade e até heresias. Por exemplo, “quero ser como Zaqueu” parece bacana. Mas quem quer distribuir seus bens aos pobres? Leia Lucas 19:8. 
“És Deus de perto, e não de longe”. Mas a Bíblia diz que Ele é Deus de perto e de longe também. Jeremias 23:23. 
“Derrama a tua shekinah sobre nós”. Se perguntarmos o que significa esta palavra, todos dirão: “a glória de Deus”. Mas a palavra “shekinah” não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras! E “glória” no hebraico é “kavod” (o peso da glória de Deus). “Shekinah” vem da raiz “shakhan” que significa: habitar, fazer morada. Esta idéia de “skekinah”=glória aparece somente na literatura rabínica: os judeus cabalistas é que começaram a usá-la a partir do séc XIII. 
Há muitas outras pérolas, tão distantes do padrão bíblico como o Oriente do Ocidente. Muita gente há de discordar; tudo bem, o país é democrático.
Tem música que é para adoração e louvor, e tem música que é apenas entretenimento. Se essa distinção fosse levada a sério, haveria uma seleção do que cantar na igreja e do que colocar no carro, do que ouvir enquanto se faz caminhada, em festas, acampamentos, nas raves gospel que algumas igrejas promovem, shows, funk evangélicos, pagodes etc. Por que no dia em que se entender que isso é apenas meio de vida, uma forma de expressão “até-certo-ponto-mais-ou-menos-quase” artística, um produto à venda no mercado e que portanto nada tem a ver com Deus e Seu Reino, acaba a confusão se isso é de Deus ou não, se é mundano ou não, se aquilo outro é do homem ou do Diabo (http://bit.ly/9NcLnK). E a gente para de ver micos como este e este...
E antes que se conteste dizendo que muitos grupos de rock gospel promovem transformação de vidas, digo que concordo em parte. Bandas como Stryper e Petra, que no início escandalizaram os santarrões de plantão, fizeram mais pelo Evangelho do que os fariseus que os malharam. Mas as letras dessas bandas são Bíblia pura! E em suas vidas pessoais tem bem menos badalação e estrelismo que são a tônica nos atuais pop-stars gospel. E também eles sabiam a diferença entre show e igreja. Um dos trabalhos mais inspirados do Petra é justamente o CD “Em Adoração” (que tem uma versão em espanhol, “En Alabanza”) com músicas que se podem cantar tranquilamente na igreja. Ou músicas de bandas como Third Day. Essa é a diferença.
E então leio a espantosa notícia de que um tal Luiz Arcanjo (foto da figuraça aqui ao lado), vocalista da banda “Trazendo a Arca” – incríveis esses nomes tirados do Velho Testamento! – lança seu CD solo, no qual “investiu trazendo os melhores músicos do meio secular”! Leia aqui. Ou seja, institucionalizou-se o jugo desigual (ou talvez não seja tão desigual assim). Depois que o Diante do Trono se associou à Rede Globo, tudo é possível. Até juntar “levita” com “baalita” para oferecer adoração ao Senhor. A menos que não seja “para o Senhor”; aí, tudo bem.
Tomara que eu esteja enganado, mas pessoas como esse Rosan Neves, de Porto Velho, que já teve casa de show como ele mesmo afirma, apenas mudaram seu público alvo. E como ele, um monte de “artistas” gospel que pululam por aí. Doa a quem doer.

Nota: esta matéria foi publicada originalmente em 27/02/2010. Republiquei agora porque houve um problema e ela perdeu toda a formatação.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vem aí mais uma festa pagã

Todo mundo já sabe que o “Natal” celebrado em dezembro é, na verdade, uma celebração pagã, como você já viu aqui, aqui e aqui, para ficar só nesses. Já sabemos que Jesus não nasceu em dezembro (você pode conferir isto aqui), e que a maioria dos enfeites que vemos nas portas das casas, nas praças das cidades e até dentro das igrejas evangélicas são, no fundo, símbolos pagãos. Mas não vou falar mais sobre isso. Vou falar agora de uma outra data pagã que todos, sem exceção, comemoramos. Trata-se do chamado “Ano Novo”.
O primeiro dia do ano é dedicado à confraternização. É o dia da “Fraternidade Universal”. É hora de pagar as dívidas e devolver tudo que se pediu emprestado ao longo do ano, de fazer um balanço da vida e de começar o ano com as contas acertadas. Nas igrejas, geralmente o coral canta o “Aleluia” de Haendel, fazem-se batismos, e naquelas mais sérias toma posse a diretoria eleita para o próximo período. Nas outras, o ungido-chefe solta suas profetadas, geralmente promessas de prosperidade para quem for fiel no dízimo e nas ofertas, como neste link. Algumas há que até promovem “festas de réveillon”, 
eventos que em quase nada se diferenciam daqueles que ocorrem em clubes e boates, um monte de gente vestindo branco, com direito a queima de fogos de artifício, literalmente transformando o dinheiro dos fiéis em fumaça. E todo mundo achando bacana.
De fato, todas as culturas que têm calendários anuais celebram o “Ano Novo”, no Ocidente também chamado réveillon, termo oriundo do verbo francês “réveiller”, que significa “despertar”.
No Brasil é tradição popular procurar algum lugar que tenha água, geralmente as praias, mas também servem rios e lagos, onde a data reúne milhares de pessoas para verem os fogos de artifício. As tradições consistem em usar branco e jogar flores para “Yemanjá”, uma espécie de “deusa do mar” de origem africana, popularizada pela famigerada Rede Globo em inúmeras novelas e minisséries. No Rio de Janeiro, precisamente na praia de Copacabana, milhões se aglomeram para ver o espetáculos e dar pulinhos nas ondas “para dar sorte”, rituais que atraem e encantam turistas de todo o mundo.
Na Itália, o ano novo é a mais pagã das festas, sendo recebido com fogos de artifícios, que deixam todas as pessoas acordadas. Dizem que os que dormem na virada do ano dormirão todo o ano e na noite de São Silvestre, santo cuja festa coincide com o último dia do ano. Em várias partes do país, dois pratos são considerados essenciais, o pé de porco e as lentilhas. Os romanos em especial se reúnem na Piazza Navona, Fontana di Trevi e Piazza del Popolo.
A mais famosa passagem de Ano Novo nos EUA é em Nova Iorque, na Time Square, onde o povo se encontra para beber, dançar, correr e gritar. Há pessoas de todas as idades e níveis sociais. Durante a contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exatamente à meia-noite, espalhando balas e doces.
Em Sydney, às nove da noite começa a queima de fogos em frente à Ópera House e à Golden Bridge, o principal cartão postal da cidade. Para assistir ao espetáculo, os australianos se juntam no porto. Depois, vão para casa para passar a virada do ano com a família e só retornam às ruas na madrugada, quando os principais destinos são os “pubs” e as praias.
Na França, o principal ponto é a avenida Champs-Elysées, em Paris, próximo ao Arco do Triunfo. Os franceses assistem à queima de fogos, cada um com sua garrafa de champanhe (para as crianças, sucos e refrigerantes). Em outros tempos, assistia-se à saída do “rally” Paris-Dacar, no Museu Trocadéro, uma corrida que terminava semanas depois no Senegal, mas que por problemas de segurança nos países africanos acabou sendo disputada na América do Sul (embora mantendo o tradicional e charmoso nome).
Na terra da Rainha, grande parte dos londrinos passa a meia-noite em suas casas, com a família e amigos. Outros vão à Trafalgar Square, umas das praças mais belas da cidade, à frente do National Gallery. Lá, assistem à queima de fogos. Depois, se espalham pelas várias festas simultâneas na cidade.
Na Alemanha, as pessoas reúnem-se no Portal de Brandemburgo, no centro, perto de onde ficava o Muro de Berlim.  
Mas nem todos comemoram o “Ano Novo” na mesma data.
Para os chineses, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês. Só que ele não é na virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro: ele é comemorado entre 15 de Janeiro e 15 de Fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do Inverno. Lá é habitual limparem as casas e fazerem muita comida (como os bolinhos “yau gwok, símbolo de prosperidade). Há muitos fogos de artifício e as ruas ficam cobertas de pequenos pedaços de papel vermelho.
Os muçulmanos têm seu próprio calendário que se chama “Hégira”, que começou no ano 632 d.C. do nosso calendário. A passagem do Ano Novo também tem data diferente – 6 de Junho, quando Mohammad fez a sua famosa peregrinação entre Meca e Medina.
As comemorações do Ano Novo judaico, chamado “Rosh Hashanah”. A “festa das trombetas” dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro pelo calendário ocidental. As festividades são a oportunidade para se deliciar com as tradicionais receitas judaicas: o “Chalah”, uma espécie de pão; é costume sempre se comer peixe porque ele nada sempre para frente.
Entre os povos antigos, a primeira comemoração de que se tem notícia, chamada de “festival de ano novo”, ocorreu na Mesopotâmia entre 3.000 e 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na ocasião da lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador, quando os dias e noites têm a mesma duração. Segundo o The World Book Encyclopedia: “Nessa ocasião, o deus Marduque resolvia qual seria o destino do país no ano seguinte”. A comemoração do ano-novo dos babilônios durava 11 dias e incluía sacrifícios, procissões e ritos de fertilidade.
Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano-novo no mês de setembro (como os judeus, na época das colheitas). Já os gregos celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro. Nota-se que nem sempre se comemorou o “ano novo” quando ou como o conhecemos hoje.
Você já deve ter se perguntado porque setembro é o nono mês, e não o sétimo, como sugere o seu nome, assim como outubro (é 10º e não o 8º), novembro (11º e não o 9º) e dezembro (12º e não o 10º). A explicação é simples: eles eram de fato o 7º (setembro), 8º (outubro) 9º (novembro) e 10º (dezembro). Mas tudo mudou a partir do ano 46 a.C.. Até então o ano começava em 1º de março (mês do deus Marte), mas foi trocado em 153 a.C. para 1º de janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 a. C. A partir daí oficializou-se a nova ordem dos meses, e março passou a ser o terceiro. Além do mais, dois meses passaram a homenagear o chefe do Estado, julho (“Iulius”) e agosto (“Augustus”). Veja que esse negócio de puxar saco de político não vem de agora. O deus Jano (em latim “Ianus”, o deus dos portões, de cujo nome deriva o nome do mês de janeiro) era venerado pelos romanos e o primeiro dia desse mês era consagrado a ele, que era representado com duas faces - uma voltada para frente e a outra para trás, simbolizando os términos e os começos, o passado e o futuro. De fato, ele era tido como responsável por abrir as portas para o ano que se iniciava - o que fazia muito mais sentido do que um “começo” no terceiro mês. Como o nosso calendário é originário do romano, dele herdamos os nomes dos meses. E também muitos festejos. 
Ainda assim, durante a Idade Média, o “Ano Novo” era festejado em 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril. Em 1582 a igreja católica consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.O “papa” Gregório XIII, aliás, como a maioria dos “papas”, era admirador das tradições romanas, e instituiu o 1º de janeiro como o primeiro dia do ano. Os franceses, que não toleravam o “papa”, resistiram à mudança e quiseram manter a tradição. Só que as pessoas passaram a pregar peças e ridicularizar os conservadores, enviando presentes estranhos e convites para festas que não existiam mais. Assim, nasceu o Dia da Mentira, que é a falsa comemoração do Ano Novo (até hoje em 1º de abril).
A data mudou, a cultura mudou, mas o clima de festa continua. Como relata a Encyclopedia de McClintock e Strong, em Roma, no dia 1º de janeiro, as pessoas “entregavam-se à intemperança e a várias formas de superstições pagãs”.
Ritos supersticiosos continuam até hoje. Por exemplo, as pessoas saúdam o ano-novo apoiadas apenas no pé direito. Segundo um costume tcheco, come-se sopa de lentilhas, e os portugueses comem bacalhau com batatas, ao passo que a tradição eslovaca dita que se deve colocar dinheiro ou escamas de peixe debaixo da toalha de mesa. Esses rituais, cujo objetivo é espantar a má sorte e garantir a prosperidade, simplesmente perpetuam a antiga crença de que a virada do ano é uma ocasião para decidir destinos. Preferencialmente usando roupa branca.
Por que soltamos fogos de artifício? E por que buzinadas, apitos e gritos de
 alegria? A tradição é muito antiga e faz referência à algazarra para espantar os maus espíritos. Os fogos de artifício eram parte integrante das comemorações religiosas dos chineses, e foram observados pelos jesuítas que lá chegaram no século XVI. Os fogos de artifício eram usados para “afugentar demônios no Ano Novo e em outras ocasiões comemorativas”. “Desde os mais antigos tempos pagãos, as pessoas têm carregado tochas e feito fogueiras ao ar livre por ocasião das grandes comemorações religiosas. Nada era mais natural do que acrescentar às festividades luzes de fogos de artifício espetacularmente coloridas e que se movimentavam”, declara Howard V. Harper, em seu livro “Days and Customs of All Faiths” (“Feriados e Costumes de Todas as Crenças”).
E aí a gente pergunta, como aquele famoso cachorrinho chiuauha: qual a necessidade disto? Por que o cristão não adota diariamente a postura de reavaliar as suas atitudes, pensar sobre as falhas que cometeu e sobre os acertos que precisa fazer com os outros? Por que espera um ano inteiro para fazer o planejamento das suas atividades, por que deixam para 31 de dezembro as promessas de “ler a Bíblia toda”, evangelizar mais, ser mais fiel, ser uma pessoa melhor? Por que esperar uma data pagã para ter comunhão com os irmãos, se o mandamento de Jesus era para fazer isso todas as vezes em que se celebrar a Sua morte e ressurreição? (I Coríntios 11:23-30). Será por que simplesmente são apenas promessas vazias, destinadas ao esquecimento em poucas semanas?
Eu confesso que não sei.
Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem.

Fontes:


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