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domingo, 2 de outubro de 2016

Gel erótico, música gospel e política

Indústria põe “pomba cristã” em tubo de gel erótico e fatura com evangélico
Sexta, 29/09/2016 - A fabricante brasileira de produtos eróticos Intt aposta em uma linha gospel para vender mais. As únicas diferenças em relação aos produtos convencionais são as embalagens, mais discretas e com uso de uma pomba (símbolo cristão), e os aromas, mais suaves. Com essas pequenas adaptações, diz ter aumentado as vendas em 30%. A empresa apresenta novidades em produtos para casais evangélicos na Íntimi Expo, feira do mercado erótico realizada em São Paulo a partir desta quinta (29) até 1º de outubro, no Centro de Exposições Anhembi.
São seis lançamentos: géis comestíveis nos sabores menta, menta extraforte, morango com champanhe, tutti-fruti e canetas com calda comestível nos sabores brigadeiro e chocolate branco para escrever no corpo do parceiro. As novidades vêm se juntar a outros quatro produtos da mesma linha lançados no começo do ano passado: um gel excitante para aumentar a sensibilidade feminina; um gel que promete aumentar o período de excitação do homem; um que diz reduzir o canal vaginal, dando sensação de “primeira vez”; e um gel vibrador que causa pequenas contrações na pele e nas mucosas. Os preços variam entre R$ 15 e R$ 19,90 e são vendidos em sex-shops e por meio de consultoras de vendas porta a porta. 
Consultoria de casal evangélico - A linha gospel foi batizada de “In Heaven” (em inglês, “no paraíso”). Com os lançamentos, a expectativa é vender 15% mais, segundo Alessandra Seitz, diretora da Intt. A empresa não divulga dados financeiros, como faturamento e investimento nos produtos. Ela diz ter identificado a oportunidade de negócio no segmento gospel com a ajuda de um casal evangélico dono de sex shop que dá consultoria a casais em igrejas. “Eles vieram até nós e falaram deste segmento, que era desacreditado pelo mercado erótico, mas em que eles viam potencial. Falaram que os clientes pediam embalagens mais discretas e essências mais suaves. Resolvemos testar e, em um ano, já tivemos o aumento de 30% nas vendas”, declara. As embalagens são na cor branca e trazem uma pomba dourada, símbolo cristão. A empresa existe há oito anos e fabrica mais de 400 produtos. Vende para todo o Brasil e exporta para toda a América Latina, EUA e Alemanha. Em outubro, vai participar da feira eroFame, na Alemanha, quando levará pela primeira vez a linha gospel ao exterior.
Atenção especial - Para Paula Aguiar, presidente da Abeme (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual), os evangélicos precisam de atenção especial, pois, muitas vezes, casam-se sem experiência sexual e podem se frustrar na relação. “Os produtos eróticos vêm para ajudar a aumentar a intimidade entre os casais”, diz. Segundo Edson Ichikava, analista do Sebrae-SP, a empresa inovou ao quebrar o paradigma em relação ao público religioso. “Eles se aprofundaram no segmento, ouviram o público desse nicho e desenvolveram um produto capaz de atender às suas necessidades. Foram pioneiros e por isso estão tendo resultados”. Ele diz que a principal dificuldade do mercado erótico é se desvincular da ideia de pornografia. “Orientamos os empresários a trabalhar mais a sensualidade, a saúde e o bem-estar dos casais, a deixar itens como próteses menos explícitos”, declara. (Fonte)
Antes de mais nada: não tenho nada contra “apimentar a relação” e coisas do tipo. Só queria comentar essa notícia do ponto de vista do Marketing e da Propaganda aplicado aos cristãos e evangélicos. O chamado “público gospel” é de fato um nicho de mercado interessante para quem quer que seja. Já falei antes sobre isso aqui . O que chama a atenção é a facilidade com esse “público” é engendrado nas mais diversas e simples esparrelas. Nesse caso do mercado “erótico/sensual”, note as expressões:
evangélicos precisam de atenção especial”; 
eles viam potencial”; 
ouviram o público”; 
desenvolveram um produto capaz de atender às suas necessidades”; 
clientes pediam embalagens mais discretas”; 
as únicas diferenças são as embalagens”; 
pequenas adaptações”; 
resolvemos testar e, em um ano, já tivemos o aumento de 30% nas vendas”; 
estão tendo resultados”.
Técnicas de Marketing e Propaganda, nada mais. Dinheiro. Mercado. 
Não deveria causar nenhum espanto o fato de que quem deu a dica para a empresa que produz o agora “cristão” gel sensual tenha sido o casal proprietário de uma sex-shop “evangélica”, que dá palestras para casais, e que escreveu um “romance” picante que conta, até mesmo encontros sexuais gays... Isso só confirma minha teoria. 
E isso vai bem mais longe. Veja o caso da música “gospel” (também já falei disso antes, aqui). É a mesma técnica do gel erótico. Existe um produto que não era consumido pelos “evangélicos”. Não havia demanda. Os fabricantes queriam expandir seus lucros. Solução: adaptar o produto ao gosto do público. Colocam uma etiqueta e uma nova embalagem em cima do mesmo velho produto: agora é “gospel”. Pronto. Agora o público passa a aceitar e consumir o que antes não aceitava. Além do rock, também existe o funk gospel, a balada gospel, o hip-hop gospel e não sei o que mais. Coisas impensáveis há relativamente pouco tempo atrás. Mudam-se hábitos, uma nova geração já nasce e cresce sob a influência desse produto e a certa altura já não consegue mais viver sem ele. E ai de quem disser que esse público está sendo manipulado. 
Na política ocorre o mesmo. Candidatos sempre espiavam as igrejas com olho gordo. Participavam timidamente de cultos evangélicos, davam uma palavrinha e pronto. Depois, começaram a “dar a paz do senhor” (assim com minúsculas mesmo, porque não sabem nem o que significa; para eles é um “saravá”, um “axé”, uma gíria localizada). Depois, começaram a “se converter” – da mesma forma como certos cantores, que mudaram de religião na decadência artística, mas continuaram a faturar no “novo mercado”. 
Assim, figuras como Jair Bolsonaro agora se dizem evangélicos e arrastam multidões atrás de suas opiniões ridículas. Tudo porque o sujeito vestiu um avental branco e foi mergulhado n’água. Mas nada indica transformação de vida: continua pedindo pena de morte aos seus desafetos, elogiando torturadores e conspirando em golpes de Estado. Esse cidadão foi considerado “o político mais abominável do mundo” (veja a notícia aqui), superando concorrentes de peso como Donald Trump. Mas como ele tem um monte, espalhando boatos e mentiras todo dia, atrás de um punhado de votos e uma montanha de dinheiro. 
Não preciso citar aqui o hediondo Eduardo Cunha, que fez carreira e fortuna com base em propinas e comícios em eventos evangélicos, sob a bênção não menos repulsiva de Silas Malafaia e “pastor” Everaldo. Tudo farinha do mesmo saco. Os objetivos são os mesmos. Mas a embalagem mudou. Ele é evangélico, membro destacado, quem sabe diácono, provavelmente um dizimista fiel. 
O produto não mudou, como o gel erótico: apenas recebeu um rótulo de “evangélico”. Mas por dentro da “nova embalagem”, o produto, o conteúdo, a fórmula, é tudo igual a antes. Nada mudou. 
Cuidado com os “novos produtos” que aparecem nesse mercado atraente que pulula dentro das igrejas e templos todo domingo.

O gel ainda é o mesmo de antes



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Festa junina gospel?

A Mansão do Louvor receberá os caipiras gospel numa noite de puro forró, com as bandas 'Expresso Louvadeira', 'Turma do Balaio', 'Forrozão Suave Louvor', entre outras atrações”. Assim se define mais um "Arraiá com Jesus", a intitulada “festa jenuína [sic] do povo de Deus”.
Hoje em dia é comum vermos igrejas adotando novos modismos:  balada gospel, reggae gospel, bregospel, boate gospel, tudo gospel. Tudo para diversão da “galera gospel”, tudo para “manter os jovens na igreja”. Não importam as origens das festas e baladas, ou se vão de encontro ao que a Bíblia ensina. A única diferença entre essas festas e as “do mundo” é que “na igreja” tudo leva o nome “Jesus”, como se isso bastasse para que Ele aprovasse tudo. Forró até o amanhecer, danças de quadrilha, vestes típicas e os outros detalhes peculiares são a tônica.
Mas por que tanta repreensão, dirão os fariseus de sempre. O quê que tem os jovens se divertirem? É melhor do que saírem da igreja, argumentarão. É melhor organizar um forró santo do que ficar aí só criticando, dirão outros.
A razão é simples.
As festas juninas são uma homenagem a “santos” católicos: “santo” Antônio, “são” João e “são” Pedro. Tradicionalmente, fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil. Mas seriam tais festas folclore ou religião? Até onde podemos distinguir? Até onde podemos pegar coisas sacrificadas a ídolos e simplesmente rotular de “evangélicas”?
A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes”.
Como se sabe, as tradições religiosas ibéricas se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que escolas promovem, em nome do ensino, as festividades juninas. Também fazem isso com o Halloween, para mostrar o folclore americano.
Os católicos dizem que a fogueira é sinal de bom presságio. Conta uma lenda que Isabel, prima de Maria, na noite do nascimento de João Batista, acendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima. Por isso a tradição é acendê-las na hora da Ave Maria (às 18h).
Você sabia ainda que cada uma das três festas exige um arranjo, diferente de fogueira? Na de “santo” Antonio, as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de “são” Pedro, em formato triangular e na de “são” João possui formato arredondado na base mas semelhante à pirâmide na construção, que lembra um cone. De onde vêm esses costumes? Talvez na origem da festa, mais ao norte e mais antiga.
Na Europa pagã já aconteciam festas no solstício de verão (o dia mais longo do ano), as quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24 de junho, diversos povos, como os celtas e os bascos, e até mesmo egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade para trazer o crescimento e a fartura nas colheitas, e atrair chuvas. Ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que acreditavam. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Por exemplo: as cerimônias realizadas em Cumberland, na Escócia e na Irlanda, na véspera do “são” João, consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes em passar crianças pela fumaça de fogueiras. Pesquise sobre Stonehenge, o monumento megalítico da Inglaterra, e veja se estou exagerando.
Mas a comemoração também passa por Roma, nos cultos à deusa Juno. As homenagens a ela eram denominadas “junônias”. Daí temos uma das procedências do atual nome “festas juninas”. Como o catolicismo não conseguiu extinguir as comemorações, elas foram adaptadas para o calendário “cristão”, cada vez mais sincrético e misturado com o paganismo que ainda sobrevivia à sua volta. E já que a data coincidia com a comemoração de “são” João, um anunciador da vinda de Cristo, foram chamadas de “joaninas”: os primeiros paises a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.
Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil, mas o curioso é que antes disso os índios também faziam festas ligadas à agricultura, na mesma época do ano! Os rituais tinham canto, dança e comida. O frade Vicente do Salvador, por volta de 1600, se referiu aos nativos da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.
Vemos portanto que as festas juninas têm um caráter religioso. Nelas ocorrem rezas, canções e missas; comidas e doces são oferecidos a esses “santos” - claro que os que comem não são os santos, mas os que participam dela. “Oferecer comida aos santos” é muito parecido aos despachos espíritas nos cemitérios e encruzilhadas; talvez a diferença seja o local da “festa”. Então, como separar o folclore da religião se ambas estão intrinsecamente ligadas? Israel abraçou costumes pagãos e foi criticado pelos profetas de Deus. O profeta Elias desafiou o povo a escolher entre Jeová e Baal: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (I Reis 18:21).
Como observadores e seguidores da Palavra de Deus, devemos tomar cuidado com práticas herdadas do paganismo e com a mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia, adotada por alguns evangélicos.
É recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?” (I Coríntios 10:14-22).
Aqui Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas em meio a rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1357). Sua convicção é que a idolatria produz uma ligação espiritual — um vínculo com os demônios. Para ele, os crentes depreciavam sua comunhão com Deus, na Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (I Coríntios 10:18-22).
Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:
1 - Festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
2 - Veneração a “santos” fere I Timóteo 2:5 e Êxodo 20:3-6 – é idolatria.
3 - O cristão, de acordo com I Coríntios 10:14, deve fugir da idolatria.
4 - Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
E há o problema da associação. Ao participar de uma festa junina gospel, são inevitáveis as associações com o evento original, de origem e significado pagãos — queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças católico-pagãs. Assim, festas juninas gospel estão entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (I Coríntios 10:23).
Ninguém é contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.
Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. 
Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais eventos? Também não, doa a quem doer. “Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de toda aparência do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tiago 1:21).
Que o nosso arraial seja movido pelo Espírito Santo em vez da sanfona e do forró.

Fonte de consultas: Defesa da Fé - junho de 2002 nº 45; Jornal Folha de Rio Preto, 22/06/2003; Revista Galileu Junho 2003 nº 143; Artigo do CACP - "As Maldições das Festas Juninas", Pr. Afonso Martins; http://www.misaelbn.com/tag/festas-juninas/

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Série "Regras Práticas", cap.1

Essas regras são uma constatação pessoal do "valor médio" do louvor gospel brasileiro. Siga-as à risca e seja um sucesso instantâneo!

Você tem um objetivo: Ser extravagante. Isso é o que vende.
Compre um violão de 12 cordas.
Nas letras, nada de arrependimento e abandonar o pecado. Isso espanta o freguês. Só “me dá”, “me restitui”, “me faz prosperar” e “me unge”.
Fale pouco de Deus e de Sua obra redentora. Mais ainda, faça as pessoas acreditarem que Deus é o Papai Noel dos adultos, dando tudo que se pede - ou melhor, tudo o que se declara ou determina.
Emita barulhos estranhos e tenha atitudes esquizofrênicas... Todo tipo de comportamento alucinado pode passar por manifestações do "poder de Deus".
Vogais: seu refrão adora mais se tiver vogais, elas mostram sua espiritualidade e encobrem sua capacidade de criar refrões inteligentes."Oooouuuaieeeeeoooouaaaaaaa" é algo que vai fazer todos sentirem o maior êxtase espiritual.
Leia Cantares, Jó, Naum, Obadias e outros livros pouco lidos da Bíblia, faça uma salada com versículos desses livros e junte em um refrão bem grudento.
Fazer músicas românticas é uma opção para vender bem. Use frases como “alisar teus cabelos”, “me apaixonar por você”, “te quero pra sempre”, “sentar no teu colo”... para os crentes, diga que é para Jesus, e para o mundo diga que é para a namorada. De repente, quem sabe, toca até na novela ou na hora do gol da rodada.
Ministrações espontâneas: você precisa ter ministrações espontâneas, bem ensaiadinhas e decoradas. Fale sempre a mesma coisa no mesmo momento em todas suas ministrações.
Durante a ministração, repare bem em tudo o que os outros estão fazendo... Qualquer atitude extravagante deve ser copiada, ainda que você não faça idéia do porquê.
Diga sempre que foi Deus quem te deu a música... isso tira de você o peso de não saber compor, e também te dá uma arma poderosa contra os criticos: "Você ousa questionar Deus e o Espírito Santo?".
Fale em línguas, não importa se ninguém entende. Isso mostra que você é muito espiritual. Se você não sabe, diga algo como "Rita lava saia", "ripa lá pra trás", "chupa bala halls" e "siri anda lá na praia".
Chuva é extravagante... sempre faça 5 musicas sobre chuva por cd.
Fogo e rio também são extravagantes... sempre peça pra Deus mandar fogo e te afogar no rio.
Por aplicação direta das duas regras acima, se você pedir chuva de fogo, você será ungido(a) com a unção do batráquio, e se pedir rio de fogo, com a unção do peixe boi. Mas cuidado, se você pedir fogo e depois chuva, a chuva apaga o fogo!
Leia pouco a Bíblia... afinal ela pode condenar as idéias propagadas por suas músicas! Caixinha de promessa já tá de bom tamanho.
De vez em quando, faça duetos com cantores mundanos ou bandas seculares. Se funciona com o André Valadão e com o Marcos Witt, pode funcionar para você também.
Compre CDs do Hillsongs, Hosanna Music e Vineyard (David Quinlan não, esse já tá manjado). Copie todas as músicas que derem para ser tocadas em sol maior. Aliás, toque todas em sol maior. Sol Maior é meu Pastor e nada me faltará, como diria o Antonio Cirilo.
Faça atos proféticos... ignore o fato de que no Velho Testamento os profetas faziam as coisas para ilustrar uma realidade espiritual, não para mudar a realidade espiritual.
Cante como a Ana Paula Valadão... Se não for possível, finja que é a Ana Paula Valadão. Ou então qualquer outro Valadão, até o Jece Valadão serve. Se não der para imitar a Ana Paula Valadão, ao menos imite a Nívea Soares. Se nem assim funcionar, determine que você pode, afinal suas palavras têm poder (lembre-se se a Sônia Hernandes pode desafinar diante de milhares de pessoas, você também pode).
Se você for um cantor romântico decadente, invente uma visão, experiência, ou algo do tipo e diga que agora você deve gravar só adoração. Se funcionou para o Nelson Ned e o J. Neto deve funcionar pra você também.
Shofar: você precisa de um, mesmo que não faça idéia do que seja nem para que serve.
Dançarinas... arranje dançarinas. Quanto mais parecidas com mariposas, melhor.
Gravação ao vivo é extravagante... como ninguém ainda fez isso, destrua os poderes satânicos em Quixopó do Norte com sua ministração profética de 15 minutos.
"Penteai a noiva" é um bom nome para ministério de louvor extravagante, bem melhor que "fazei chapinha na noiva". Se isso não agradar, invente algo mais pomposo: “Os Parentes do Noivo”, “Nas Asas do Narval”, “O Urro do Leão Marinho“ ou “Alcançando o Ninho do Iaque“.
Há também a possibilidade de misturar nomes já existentes; afinal, é tudo tão igual que ninguém vai notar a diferença: “Diante do Altar”, “Trazendo o Trono”, “Altar da Arca”, “Trazendo o Altar”, “Fogo, Paixão e Chuva”, “Fogo Diante da Arca”, “Toque na Arca Eterna”, “Restaurando a Arca do Trono de Fogo”, “Diante do Toque Eterno”, “Trazendo a Paixão do Trono”, “Aliança do Toque no Fogo Eterno do Altar do Tabernáculo”, “Arca do Toque”, “Tabernáculo da Arca”, “Diante da Aliança”, “Átrios do Trono”...
Se for uma dupla breganeja, um bom nome seria “Efraim e Manassés”, “Levita e Benjamita”, “Amom e Edom” ou “Urim e Tumim”.
Se for um trio, que tal “Sadraque, Mesaque & Abedenego”, ou “Zofar, Bildade & Elifaz”?
Se for com mais de quatro, aí o jeito é apelar para o coletivo mesmo: “Filhos do Homem”, “Filhos da Unção”, “Filhos do Rei”, “Filhos do Leão”, “Filhos da Águia”, “Escravos de Jó”, etc.
Se for só de meninas, “Raposinhas de Sião”.
Se for de rock, cuidado com o inglês... tem uns por aí que nem português sabem, e ainda querem escrever em inglês. “Agnus Dey”, “Khronnus”, “Oikus”, “Shamar”, “Kandelabros”, “Klethus”, “Jhenisis”(?), “Prei” (??), etc.
Se for de funk ou hip-hop, tente MC Apoliom - ninguém sabe o que é isso mesmo...
Role no chão durante as ministrações, imitando algum bicho bem poderoso, tipo hipopótamo, dugongo ou rinoceronte; isso mostra unção. Chorar também costuma ajudar.
Lembre-se: embora um CD custe 5 reais para ser produzido, nunca o venda por menos de 25 reais... ou a gravadora não terá o dinheiro para pagar o jabaculê das rádios.

Siga esses conselhos, e pode preparar o discurso para receber o Grammy! Agora, galardão no céu já vai ficar um pouco mais difícil.
Mas se você está pensando seriamente em servir a Deus na área de louvor e adoração, não deixe de ver a seção “Música de Verdade”, na coluna ao lado...

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