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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Festa junina gospel?

A Mansão do Louvor receberá os caipiras gospel numa noite de puro forró, com as bandas 'Expresso Louvadeira', 'Turma do Balaio', 'Forrozão Suave Louvor', entre outras atrações”. Assim se define mais um "Arraiá com Jesus", a intitulada “festa jenuína [sic] do povo de Deus”.
Hoje em dia é comum vermos igrejas adotando novos modismos:  balada gospel, reggae gospel, bregospel, boate gospel, tudo gospel. Tudo para diversão da “galera gospel”, tudo para “manter os jovens na igreja”. Não importam as origens das festas e baladas, ou se vão de encontro ao que a Bíblia ensina. A única diferença entre essas festas e as “do mundo” é que “na igreja” tudo leva o nome “Jesus”, como se isso bastasse para que Ele aprovasse tudo. Forró até o amanhecer, danças de quadrilha, vestes típicas e os outros detalhes peculiares são a tônica.
Mas por que tanta repreensão, dirão os fariseus de sempre. O quê que tem os jovens se divertirem? É melhor do que saírem da igreja, argumentarão. É melhor organizar um forró santo do que ficar aí só criticando, dirão outros.
A razão é simples.
As festas juninas são uma homenagem a “santos” católicos: “santo” Antônio, “são” João e “são” Pedro. Tradicionalmente, fazem parte das manifestações populares mais praticadas no Brasil. Mas seriam tais festas folclore ou religião? Até onde podemos distinguir? Até onde podemos pegar coisas sacrificadas a ídolos e simplesmente rotular de “evangélicas”?
A palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças, canções e costumes”.
Como se sabe, as tradições religiosas ibéricas se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa base é que escolas promovem, em nome do ensino, as festividades juninas. Também fazem isso com o Halloween, para mostrar o folclore americano.
Os católicos dizem que a fogueira é sinal de bom presságio. Conta uma lenda que Isabel, prima de Maria, na noite do nascimento de João Batista, acendeu uma fogueira para avisar a novidade à prima. Por isso a tradição é acendê-las na hora da Ave Maria (às 18h).
Você sabia ainda que cada uma das três festas exige um arranjo, diferente de fogueira? Na de “santo” Antonio, as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na de “são” Pedro, em formato triangular e na de “são” João possui formato arredondado na base mas semelhante à pirâmide na construção, que lembra um cone. De onde vêm esses costumes? Talvez na origem da festa, mais ao norte e mais antiga.
Na Europa pagã já aconteciam festas no solstício de verão (o dia mais longo do ano), as quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24 de junho, diversos povos, como os celtas e os bascos, e até mesmo egípcios e sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade para trazer o crescimento e a fartura nas colheitas, e atrair chuvas. Ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que acreditavam. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Por exemplo: as cerimônias realizadas em Cumberland, na Escócia e na Irlanda, na véspera do “são” João, consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes em passar crianças pela fumaça de fogueiras. Pesquise sobre Stonehenge, o monumento megalítico da Inglaterra, e veja se estou exagerando.
Mas a comemoração também passa por Roma, nos cultos à deusa Juno. As homenagens a ela eram denominadas “junônias”. Daí temos uma das procedências do atual nome “festas juninas”. Como o catolicismo não conseguiu extinguir as comemorações, elas foram adaptadas para o calendário “cristão”, cada vez mais sincrético e misturado com o paganismo que ainda sobrevivia à sua volta. E já que a data coincidia com a comemoração de “são” João, um anunciador da vinda de Cristo, foram chamadas de “joaninas”: os primeiros paises a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.
Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil, mas o curioso é que antes disso os índios também faziam festas ligadas à agricultura, na mesma época do ano! Os rituais tinham canto, dança e comida. O frade Vicente do Salvador, por volta de 1600, se referiu aos nativos da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.
Vemos portanto que as festas juninas têm um caráter religioso. Nelas ocorrem rezas, canções e missas; comidas e doces são oferecidos a esses “santos” - claro que os que comem não são os santos, mas os que participam dela. “Oferecer comida aos santos” é muito parecido aos despachos espíritas nos cemitérios e encruzilhadas; talvez a diferença seja o local da “festa”. Então, como separar o folclore da religião se ambas estão intrinsecamente ligadas? Israel abraçou costumes pagãos e foi criticado pelos profetas de Deus. O profeta Elias desafiou o povo a escolher entre Jeová e Baal: “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o” (I Reis 18:21).
Como observadores e seguidores da Palavra de Deus, devemos tomar cuidado com práticas herdadas do paganismo e com a mistura de costumes religiosos, impróprios à luz da Bíblia, adotada por alguns evangélicos.
É recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:
“Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele?” (I Coríntios 10:14-22).
Aqui Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas em meio a rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1357). Sua convicção é que a idolatria produz uma ligação espiritual — um vínculo com os demônios. Para ele, os crentes depreciavam sua comunhão com Deus, na Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (I Coríntios 10:18-22).
Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:
1 - Festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
2 - Veneração a “santos” fere I Timóteo 2:5 e Êxodo 20:3-6 – é idolatria.
3 - O cristão, de acordo com I Coríntios 10:14, deve fugir da idolatria.
4 - Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
E há o problema da associação. Ao participar de uma festa junina gospel, são inevitáveis as associações com o evento original, de origem e significado pagãos — queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças católico-pagãs. Assim, festas juninas gospel estão entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (I Coríntios 10:23).
Ninguém é contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.
Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. 
Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais eventos? Também não, doa a quem doer. “Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de toda aparência do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas” (Tiago 1:21).
Que o nosso arraial seja movido pelo Espírito Santo em vez da sanfona e do forró.

Fonte de consultas: Defesa da Fé - junho de 2002 nº 45; Jornal Folha de Rio Preto, 22/06/2003; Revista Galileu Junho 2003 nº 143; Artigo do CACP - "As Maldições das Festas Juninas", Pr. Afonso Martins; http://www.misaelbn.com/tag/festas-juninas/

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