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sábado, 25 de fevereiro de 2012

O dízimo no Novo Testamento,

Outro dia assisti a um culto duma grande igreja pela Internet. Para minha surpresa, o pastor, que eu admiro muito, falou sobre Malaquias, e como seus pares, fez apologia ao dízimo. Me decepcionei, pois esperava uma abordagem mais inteligente, mas isso era de se esperar mesmo. Penso que a maioria dos pastores, até os de melhor formação, como o nosso amigo da Internet, têm a correta noção das coisas, mas preferem deixar como está, para não mexer nas grossas engrenagens que mantêm o sistema funcionando.
Eles tentam nos empurrar que “o Novo Testamento também cita o dízimo”, que “Jesus incentivou o dízimo”, que “a igreja primitiva fazia assim”, e que “o dízimo é anterior à Lei e não foi abolido pela Graça”, como se pode ver nos textos que usam para defender seu ponto de vista (como nesses em marrom, retirados de sites favoráveis ao dízimo, tipo este aqui).
Sustentam que Jesus não veio ab-rogar a lei (Mateus 5:17), e que Ele não apenas reconheceu o dízimo, mas o recomendou (Mateus 23:23). Dizem: “a prática do dízimo não está restrita ao Antigo Testamento. Ela também é incentivada pelos apóstolos em o Novo Testamento”. O propósito dos dízimos no Novo Testamento seria “a promoção do Reino de Deus e ajuda aos necessitados (I Coríntios 9:9-14; Colossences 2:10)”. Engraçado, é raro ver dízimo hoje em dia sendo dado para necessitados... E completam: “dizimar é um grande privilégio. Deus não precisa do nosso dinheiro. Ele é o dono da prata e do ouro. Temos de contribuir impulsionados pelo amor abnegado e desinteresseiro. Deus não está preocupado com a quantia que entregamos, mas com o nível de desprendimento, sacrifício e fé. Que sejamos mordomos fiéis do Senhor, sabendo que Ele é fiel para suprir todas as nossas necessidades”. Ora, vê-se claramente nesse arrazoado várias contradições.
Primeira – se, como pregam, “Deus não está preocupado com a quantia que entregamos, mas com o nível de desprendimento, sacrifício e fé”, então por que devemos nos ater aos 10%?
Segunda – se, como ensinam, “o dízimo foi ordenado pelo Senhor, cf. Levítico 27:30-32 e Malaquias 3:10”, e se “o dízimo de Israel era entregue para o sustento dos levitas”, o que nós, que nem judeus somos, temos a ver com sacerdotes e levitas? Onde estão esses personagens na Igreja cristã? A Igreja primitiva, de Atos, a qual somos instados a imitar, tinha levitas e sacerdotes?
Terceira – Se Jesus já cumpriu toda a Lei, por que devemos nós cumpri-la de novo? Quando Jesus diz que não veio ab-rogar a Lei, mas cumpri-la, Ele quer dizer que cumpriu toda a exigência de que o pecado requer um sacrifício, e Ele foi o sacrifício propiciatório para o nosso pecado, “pois o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Romanos 10:4). Por meio Dele, somos justificados perante Deus: isso significa que a Lei foi totalmente satisfeita, e por isso a Lei mosaica, com suas ordenanças e preceitos, não tem mais efeito para nós, gentios, hoje.  Jesus mesmo disse que “a lei e os profetas vigoraram até João” (Lucas 16:16). A Lei que Jesus cumpriu totalmente, e da qual nenhum jota ou til pode ser retirado ou modificado, é a propiciação pelos pecados.
Doutra forma, se a Lei ainda está vigente para nós, aí sim o dízimo ainda vigora, mas também vigoram a circuncisão, os animais puros e impuros, o sábado, o levirato, o nazireado, o apedrejamento, a purificação da mulher, e um monte de outras coisas. Pergunto aos arautos do dízimo se cumprem essas ordenanças, já que para eles elas não foram revogadas.
Tiago diz que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos” (2:10). E Paulo também avisa que voltar à prática da Lei, observando de novo seus mandamentos, como por exemplo a circuncisão, obriga a pessoa a cumprir toda a Lei: “E de novo testifico a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei” (Gálatas 5: 3). Jugo desnecessário, pois “toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (v. 14). De mais a mais, “todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados” (Romanos 2:12). Você quer mesmo se submeter aos 613 mandamentos da Lei? Cuidado quando cumprimentar uma irmã na igreja, ela pode estar “impura”. Também pode cancelar a feijoada de sábado, porque tem carne de porco nela.
Quarta – quando Jesus diz aos fariseus que “devíeis fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mateus 23:23 e Lucas 11: 42) é no sentido de que eles “dizimavam” até a última merreca, mas não praticavam a misericórdia. Ele de novo afirma que os judeus (veja bem, os judeus) deviam cumprir toda a Lei, e não apenas parte dela. E mais: Jesus está falando aos fariseus, judeus da gema, e não à Igreja. É unanimidade universal, de conhecimento até do reino vegetal, que a Igreja foi estabelecida em Atos 2, e portanto em Mateus 23 ela ainda não existia, era ainda um mistério não revelado aos homens. É óbvio que Jesus está se dirigindo a Israel, aos judeus!
“Fazer estas coisas sem omitir aquelas”, isto é, dar o dízimo + praticar a misericórdia, é mandamento para os judeus e especificamente aos fariseus, pois havia judeus que faziam mais do que isso. A viúva que ofertou tudo o que tinha é o exemplo: ela é alguém que foi além do dízimo – ofertou, não dizimou, pois deu tudo, e não apenas 10%. E mais, ofertou dinheiro, e o dízimo era sempre em bens agro-pastoris (farinha, ovelhas etc.). Quando Jesus advertiu os judeus que a Lei dizia “não matarás”, mas odiar alguém era o mesmo que matar, e que a Lei dizia “não adulterarás”, mas desejar alguém equivalia ao adultério físico, Ele anunciava que era preciso ir além da Lei: se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus (Mateus 5:20). E foi isso que aquela viúva fez, e é isso que a Igreja precisa fazer, não ficar rateando entre a Graça e a Lei. Decidam-se, “porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (João 1:17).
Quinta – dizem que o dízimo é uma forma de adoração, com base em Provérbios 3:9,10. Mas essa é uma grande forçação de barra, porque não há nada que comprove essa “adoração” nas Epístolas. Lemos sobre louvar a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, mas nada de dinheiro para adorar. Os crentes davam dinheiro? Davam, lógico, como Barnabé (Atos 4:36, 37) – mas era voluntário, e ele deu tudo, não 10% da venda de sua propriedade. Ninguém disse que ele tinha que “dar 10% para a igreja como forma de adoração”. O texto de Provérbios está no contexto do dízimo mosaico, e “as primícias” dizem respeito ao que os judeus guardavam para comemorar suas festas, conf. Deuteronômio 14:28. Por isso os celeiros e lagares ficavam cheios. E veja que este é “um dízimo” especial, a cada três anos. Alguém pratica isso hoje em dia?
Sexta – “Digno é o obreiro do seu salário” e “Não atarás a boca ao boi que debulha”. Usam esses versos para justificar que o pastor ou obreiro tem direito a salário, que pode e deve “meter o garfo na marmita”, como o sacerdote da Antiga Aliança. Mas esquecem espertamente que o pastor do Novo Testamento é substancialmente diferente do sacerdote do Velho Testamento, pois o pastor não é sacerdote – sacerdote é todo crente, cf. I Pedro 2:9. O ministério pastoral refere-se ao ensino e acompanhamento das ovelhas, não à intermediação entre Deus e os homens. Paulo quando escreveu sobre o boi e o salário do obreiro, disse que até podia catar parte da arrecadação, mas não o fez. O que esses bois de boca grande omitem malandramente é que Paulo tirava o sustento não das ofertas, mas do próprio trabalho secular: “quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado”; “pela terceira vez estou pronto a ir ter convosco, e não vos serei pesado, porque não busco o que é vosso, mas sim a vós”; “Porque vos lembrais, irmãos, do nosso labor e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus” (II Coríntios 11:9; 12:14; I Tessalonicenses 2:9; e também Atos 18:1-3, para saber como é que Paulo trabalhava “noite e dia”). Qual pastor aí pode dizer isto? Paulo diz a vocês que o imitem, e sei que vocês conhecem a passagem.
Sétima – quando dizem que II Coríntios 9:7 é um incentivo ao dízimo, passam atestado de analfabetismo, pois a passagem é clara: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria” (notem o grifo: segundo propôs, não os 10% obrigatórios!). E a coisa piora quando tentam associar essa passagem a Êxodo 25:1,2, para dizer que devemos ser generosos, e que dinheiro também era aceito; mas o verso fala de oferta voluntária, mais uma vez, não de dízimo! Uma coleta que ocorreu apenas uma vez, não todos os meses! Não se repetiu jamais, como o dízimo de Abraão.
Oitava contradição – a batida teoria da provisão, multiplicação e restituição, com base - como sempre - em passagens do Velho Testamento endereçadas a Israel, como Malaquias 3:10,11 (específica aos sacerdotes, como vimos aqui, mas que insistem em jogar nas nossas costas), e Joel 2:25 (onde confundem o gafanhoto literal com uma figura alegórica, simbólica, à maneira dos católicos; Deus está dizendo a Israel que irá restaurar a terra prometida a Seu povo, dando-lhe prosperidade e livrando-a tanto do inimigo militar como dos predadores naturais da lavoura). Note que no cap. 1:6 Deus fala sobre “a minha terra” (Israel), e em 2:18-20 promete o livramento para... Israel. Sem alegorias ou adaptações para a Igreja. Aliás, nesse trecho de Joel não há referência a uma eventual “proteção contra falência” ou restituição do que foi perdido “por não ofertar”, como sugere este pessoal aqui, que associa cada tipo de gafanhoto a um demônio específico. Leia o resumo do livro de Joel aqui, e veja se tem algo a ver com dízimo; mesmo que se busque uma analogia com uma situação de dificuldade pela qual passemos um dia, sua posterior restauração nada tem a ver com dízimos, mas sim com arrependimento (2:12,13).
De uma vez por todas, é preciso entender que “ janelas do céu” não são símbolos para a prosperidade financeira, nem o dízimo é seguro contra falência. “As janelas do céu” e “o devorador” são literais, como em Deuteronômio 28:12, Salmos 104 e 147, e Joel 2:25. Trata-se da bênção em forma de chuva para o bom rendimento da lavoura e da pecuária, com o que o povo separava uma parte do fruto para sustento dos levitas, sacerdotes, pobres e para as festas de Israel, nada mais. Devorador, migrador etc., são pragas naturais, e só. Como Deus controla a natureza, Ele guarda e faz prosperar Israel, como fora prometido aos patriarcas.
Assim podemos concluir, mais uma vez, que o dízimo é uma prática da Velha Aliança, aquela mesma que foi extinta quando o véu do Templo se rasgou, conf. Hebreus 8:13“Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”.
E para aqueles que dizem que o dízimo é anterior à Lei e, portanto, superior a ela, digo que a circuncisão, o sacrifício de animais, o sábado, a separação entre animais puros e impuros, tudo isto também é anterior à Lei. Por que vocês não
praticam essas coisas? Porque só praticam o que lhes interessa, doa a quem doer. É muito fácil o pastor, na “hora da oferta”, ir até o gazofilácio e colocar ali o seu dízimo, para todo mundo ver como ele é “abnegado e desinteresseiro”. Esse dízimo que ele acaba de depositar vai para a coluna de “entradas” na contabilidade da igreja, e dali retornará ao seu bolso na forma de salário! Ele “ofertou” para si mesmo!!!
Querer trazer para a Igreja práticas de Israel, como o dízimo, equivale à opinião dos saduceus, que em Atos 15:5 “levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los [os cristãos gentios, ou seja, nós] e mandar-lhes observar a lei de Moisés”. Essa opinião foi rechaçada, quando os Apóstolos ensinaram que aos crentes gentios (isto é, nós) não se deveria impor nada, exceto “que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue” (Atos 15:20 e 21:25). Senão, Felipe teria dito ao eunuco que precisaria seguir a Lei para ser salvo (Atos 8:36-38), e Pedro teria dado ao povo uma resposta muito mais longa do que a que está em Atos 2:38, 39. Felipe não pediu o dízimo do eunuco (e olha que devia ser um dízimo bem gordo, afinal o cara era Ministro de Estado).
Impondo leis aos crentes, a igreja evangélica aproxima-se perigosamente da católica, com suas leis canônicas, ordenanças, catecismos, regulamentos e exigências, que dificultam o caminho das pessoas. “Ai de vós também, doutores da lei! porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar” (Lucas 11:46).  

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Templo de Salomão ou de Herodes?

A Igreja precisa disto?
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Chama a atenção o absurdo dessa proposta: a construção do que a Igreja Universal chama de "Templo de Salomão", em São Paulo. Segundo informações do blog do líder da denominação, “bispo” Edir Macedo (http://bispomacedo.com.br/2010/07/15/projeto-do-templo-da-iurd/), o edifício é uma ‘mega-igreja’ para 10.000 pessoas, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, mais do que um campo de futebol e do que o maior templo católico da cidade, a Catedral da Sé. A altura de 55 metros é quase o dobro do Cristo Redentor, no Rio. Para mais detalhes, veja no endereço do blog. Entretanto, alguns absurdos saltam aos olhos de quem tem olhos para enxergar.
Pedras de Israel – Diz o “bispo” que “Nós queremos que as pessoas tenham um lugar bonito par buscar a Deus e também a oportunidade de tocar nessas pedras e fazer orações nelas”.
A "arca da aliança" - colocada sobre o altar com o objetivo de proporcionar um efeito tridimensional, que, quando aberta, poderá ser observada totalmente em seu interior e também refletirá no batistério, criando a sensação, durante o batismo, de que a pessoa estará se batizando dentro da Arca.
Altar - ladeado por duas colunas chamadas Joaquim e Boaz (sic), com doze pedras representando as tribos de Israel.
Justificativas e explicações não faltam. Escolas bíblicas para 1,3 mil crianças, estúdios de tevê e rádio, auditórios, estacionamento para mais de mil carros, e ecologicamente correto, não é “apenas um templo”: Macedo aposta que o local se tornará um ponto turístico e cultural, que atrairá pessoas do mundo todo. Ou seja, todo investimento tem que ter retorno.
Veja mais uma vez o vídeo que mostra como ficará esse prédio:


Qualquer pessoa que já tenha lido a Bíblia algum dia sabe que Davi desejava erguer um templo, pois até sua época a Arca da Aliança era abrigada pelo Tabernáculo, uma estrutura móvel que podia ser transportada para praticamente qualquer lugar. Caberia uma reflexão? Será que o desejo de Deus não seria, talvez, mostrar a Seu povo que Ele não poderia estar restrito a um lugar físico? Os teólogos que nos respondam. O fato concreto é que Deus não permitiu que Davi realizasse essa obra, mas sim Salomão. Lemos em II Crônicas a descrição do edifício. E aí começamos a perceber que esse prédio da IURD não é, como se afirma, uma réplica do templo “de Salomão”; ele é, na verdade, cópia do templo “de Herodes”, mandado construir pelo sanguinário governante dos tempos de Jesus, 800 anos depois do “de Salomão”, e completamente diferente do primeiro.

Uma pesquisa relativamente simples nos mostrará que o projeto não tem nada a ver com o templo “de Salomão”. Falta de informação? Ou divulgação deliberadamente equivocada? “Templo de Salomão” soa bem melhor do que “Templo de Herodes”, convenhamos.
O autor do projeto da IURD é o arquiteto Rogério Silva de Araújo, que, segundo se veiculou, acredita ter seguido à risca as instruções divinas para a construção do Templo. Pura falácia. Segundo a Wikipédia, o templo [de Salomão] tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel. A diferença residia nas dimensões internas do Santo Lugar e do Santo dos Santos ou Santíssimo Lugar, sendo maiores do que as do Tabernáculo. O Santo tinha 60 côvados (27 m) de comprimento, 20 côvados (8,9 m) de largura e, evidentemente, 30 côvados (13,4 m) de altura. (I Reis 6:2) O Santo dos Santos, ou Santíssimo, era um cubo de 20 côvados de lado. (I Reis 6:20; II Crônicas 3:8)(http://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_de_Salomão). Assim, vemos que o tamanho exagerado do novo prédio já configura um desejo de se sobrepor a outras edificações. Em outras palavras, o sujeito não "seguiu à risca" as determinações bíblicas, mas fez um projeot muito, mas muito maior. Ele acha que o projeto de Deus era pequeno demais, tímido demais, mixuruca demais. O dele é maior, mais glorioso, mais moderno. Coisa do Homem. Carne. Sistema "mundo", kosmos.
Minha modesta opinião é de que não necessitamos de templos, pois nesta dispensação o templo de Deus é o nosso corpo, onde habita o Espírito Santo, cf. I Coríntios 6:19. Deus não habita em templos humanos, como lemos em Atos 7:48-54: mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso? Não fez, porventura, a minha mão todas estas coisas? Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós… Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes...
Infelizmente, parece que exigir esse entendimento hoje em dia já é um pouco demais… não se sabe diferenciar nem o Velho Testamento do Novo! A IURD, por exemplo, vem há anos apresentando um "evangelho" baseado em fórmulas, amuletos, objetos, copos de água, vale do sal, jogar pedras em gigantes, enfim, repleto de inovações estranhas ao Evangelho genuíno. Outras "igrejas", embora rejeitem parte desse misticismo, misturam elementos do culto judaico, que não mais se aplicam à presente dispensação. Vemos hoje reuniões com levitas, sacerdotes, dízimos, ofertas “alçadas”, “de primícias”, toque de shofar, unção com óleo de diversas procedências e finalidades, até mesmo para “ungir pastores” (a Bíblia ensina que pastor se consagra com imposição de mãos e não com unção com óleo – esta é apenas para enfermos); de modo que até patriarca já tem na igreja evangélica.
Experimentemos tirar todas essas coisas da IURD e outras "igrejas", para ver quem fica e quem sai. Quem desiste da caminhada. Seria ou não um culto com base em elementos externos, sensoriais? Pedras de Israel, Arca da Aliança, e até mesmo o véu que Jesus rasgou! A cristandade como um todo vive hoje no estado de Laodicéia, a última carta de Apocalipse. Rica e abastada – mas o Senhor está à porta, do lado de fora.
Quem tem o Espírito de Deus possui também a mente de Cristo, e com ela o entendimento para diferenciar o Velho do Novo Testamento. No Evangelho cristão não há espaço para templos, dízimos, levitas, sacerdotes, rosa ungida, vale do sal, copo de água benta, vuvuzela de Josué; não há mais a arca nem véu! Nunca houve correntes de sete semanas, peregrinações a Israel, queima de papéis no monte, banho de sete águas, toque de shofar. Não vemos nenhum desses ensinos nos Evangelhos, nas cartas dos Apóstolos (os verdadeiros, não os modernos). É tudo invenção humana! O Evangelho da Nova Aliança não combina com essas coisas. Isso tudo ou é herança do judaísmo ou da umbanda. Evangelho estranho, ou seja: heresia. Voltemos ao Evangelho, mas ao Evangelho puro, sem mistura, sem inovações humanas.
Esse “templo” da IURD nem mesmo é uma igreja: é um ponto turístico, uma atração urbana, uma curiosidade; portanto, um empreendimento comercial, e com isso o cristão não pode concordar. A megalomania tem que ter limites: um dia é superar a Rede Globo, depois a Catedral da Sé ou o Cristo Redentor... chega!
Precisamos de uma nova reforma, que venha abolir todas essas baboseiras. Foi contra essas coisas que homens como Lutero, Calvino, Melanchton, Huss, Wycliffe e muitos outros deram a vida. Homens dos quais, infelizmente, pouco se fala hoje em dia.
Gálatas 1:6 –
Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho.
Colossenses 2:8 –
Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

PS.: as colunas do templo de Salomão se chamavam “Jaquim e Boaz”, e não “Joaquim e Boaz” (II Crônicas 3:17). Mas... exigir esse entendimento hoje em dia já é um pouco demais…

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DÍZIMO "F.A.Q."

Recapitulando... este texto tem tudo a ver com o que foi publicado anteriormente. Já vi pastores, na hora do “ofertório”, lerem Deuteronômio 26:1-11. Por favor, leia essa passagem e responda com sinceridade:
- Você entrou na terra que que mana leite e mel, que o Senhor te deu por herança?
- Quando você paga o dízimo você leva num cesto “os frutos da terra”?
- Onde está o altar em que o sacerdote deposita o cesto?
- Quem é esse “sacerdote”? O pastor? Pedro não ensina que todos somos sacerdotes? Você não pode alegorizar apenas uma parte do texto. A passagem é literal!
Esta forma de perguntas e respostas que foi brilhantemente usada por Deus no livro de Malaquias – serve para esclarecer pontualmente as eventuais dúvidas que ainda persistam, depois do nosso bate-papo, às vezes acalorado, da semana passada. A íntegra está no site da Mary Schultze. Fiz apenas pequenas edições e acréscimos para clarear ainda mais; porém o raciocínio principal está preservado. Que Deus abençoe a sua vida e lhe dê esclarecimento.
Não deixe de consultar as referências bíblicas isso é fundamental para o entendimento. Era assim que os bereanos agiam, e por isso foram elogiados. Seja também um bereano, verificando nas Escrituras se as coisas são de fato assim (Atos 17:11). Forme sua opinião baseando-se nas Escrituras e não em preconceitos, sofismas e tradições humanas.
Tornei-me acaso vosso inimigo, porque vos disse a verdade? (Gálatas 4:16)

Pergunta - O que Abraão deu a Melquisedeque, após ter sido por ele abençoado?
Resposta - O dízimo (Gênesis 14:18-20).

Pergunta - Qual foi o voto que Jacó fez a Deus?
Resposta - Dar o dízimo de tudo que Deus lhe concedesse (Gênesis 28:20-22)

Pergunta - O que Deus deu aos levitas?
Resposta - Os dízimos dos filhos de Israel (Gênesis 18:21-24)

Pergunta - O que Deus mandou dar a Aarão?
Resposta - O dízimo do Dízimo (Números 13:26-28)

Pergunta – Devemos continuar cumprindo mandamento do Dízimo, dado aos israelitas da Velha Aliança?
Resposta – Não, porque senão teríamos que cumprir todos os mandamentos (Tiago 2:10; Gálatas 3:10).

Pergunta - Mas o dízimo de Abraão e o de Jacó foram dados quando ainda não existia a Lei...
Resposta - Abraão não deu o dízimo de seu salário, nem de seus bens, nem de seus ganhos, mas dos despojos de uma guerra e não há registro de que ele tenha dado o dízimo outra vez. Você por acaso já recebeu algum despojo de guerra? E também não há registro de que Jacó tenha dado o dízimo mais de uma vez. Outras coisas também são anteriores à Lei, como o dízimo,
mas ninguém pratica: a circuncisão, o sacrifício de animais, a separação entre animais puros e impuros, a permissão da poligamia... pode parecer estranho, mas qual o motivo de se seguir algumas coisas e outras não, mesmo anteriores à Lei?

Pergunta - Qual era a finalidade dos dízimos anuais?
Resposta - Para o povo comer no local escolhido por Deus para a solenidade. (Deuteronômio 14:22-23).

Pergunta - Quando o local da solenidade ficava muito longe, o que era feito?
Resposta - Os produtos eram vendidos e com o dinheiro era comprado o que fosse desejado para comer perante Deus e alegrar-se em Sua casa (Deuteronômio 14:24-26)

Pergunta - O que era feito a cada ano com os dízimos, nas cidades?
Resposta - Eram dados aos levitas, aos órfãos e às viúvas (Deuteronômio 14:27-29). Não iam para o sacerdote administrar a seu bel-prazer.

Pergunta - Com o estabelecimento da Nova Aliança, o que aconteceu com a Antiga?
Resposta - Tornou-se antiquada (Hebreus 8:7,13).

Pergunta - O que aconteceu como sacerdócio levítico?
Resposta - Teve fim. Foi substituído pelo sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque. (Hebreus 7:11).

Pergunta - Com a mudança do sacerdócio o que também mudou?
Resposta - A Lei. (Hebreus 7:12).

Pergunta - Mas se não dermos o dízimo, como fica Malaquias 3:9, que diz que a nação roubava a Deus?
Resposta – O livro de Malaquias foi escrito como uma repreensão aos sacerdotes. Ali Deus chama de ladrão o sacerdote que não distribuía o produto dos Dízimos recebidos, mas o retinha para si. O pecado recaía sobre toda a nação porque o sacerdote representava a nação diante de Deus, assim como o rei. Quando Davi pecou, fazendo o censo, o juízo veio em forma de uma peste sobre Israel (Ezequiel 22:26; Lamentações 4:11, 13).

Pergunta - Qual era o mandamento que os levitas tinham no Velho Testamento?
Resposta - O de receber os dízimos.

Pergunta – Então por que Deus aboliu o sacerdócio levítico?
Resposta - Por causa de sua fraqueza e inutilidade. (Hebreus 7:18).

Pergunta – E o sacerdócio de Jesus Cristo?
Resposta - É imutável, porque Cristo não morre mais (Hebreus 7:23-25).

Pergunta - O que Jesus não tem necessidade de fazer e por que?
Resposta - Ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios todos os dias, porque ofereceu-se a Si mesmo e o Seu sacrifício é perfeito para sempre (Hebreus 7:27-28). Ele cumpriu tudo que a Lei exigia.

Pergunta - Com quanto o cristão deve contribuir para a Igreja do Senhor? 10%?
Resposta – Deve contribuir com o que tiver proposto em seu coração (2 Coríntios 9:7; 11:7; 1 Coríntios 9:18; Mateus 10:8).

Pergunta - O que disse Paulo às igrejas a respeito de contribuir?
Resposta - No primeiro dia da semana, cada um separe uma parte conforme a sua prosperidade (1 Coríntios 16:2).

Pergunta - Quanto devemos pagar, a fim de recebermos a água da vida?
Resposta - NADA! Ela é de graça. Apocalipse 22:17; 15-a; 7:17; 21:6).

Pergunta - Qual a única dívida que o cristão jamais conseguirá pagar?
Resposta - O AMOR! (Romanos 13:8-10).

Pergunta - Mas não é mais abençoado o cristão que paga o Dízimo?
Resposta - Conforme Paulo, quem paga Dízimo está cumprindo uma Lei do Velho Testamento. Jesus diz em Lucas 16:16 que “toda a lei e os profetas duraram até João”, referindo-se à Lei cerimonial da qual o Dízimo faz parte. Essa é Lei a que Jesus se refere quando diz que não veio “ab-rogar a Lei”, em Mateus 5:17 (“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir”). E Ele a cumpriu, quando foi sacrificado no Calvário, de uma vez por todas. A Lei moral, expressa nos Dez Mandamentos, é eterna e foi até ampliada por Jesus, ao dizer que é preciso exceder a justiça dos escribas e fariseus. Não basta não adulterar, é preciso não olhar com intenção adúltera. Não basta não matar, é preciso não odiar no coração. De novo, a Lei moral é eterna; mas a Lei cerimonial já foi cumprida por Jesus, ela é passageira (Hebreus 8:13 diz “O novo pacto tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”), como Paulo ensina. Mais uma vez: o Dízimo faz parte da Lei cerimonial (levitas, sacerdotes, etc.). Paulo diz em Gálatas 3:23-25: “...antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”. Paulo vai além Gálatas 3:10: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. Em Gálatas 5:4, ele completa o raciocínio: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído”.

Pergunta – E se o cristão não entregar o Dízimo, como a igreja poderá sobreviver?
Resposta – Deus não precisa de dinheiro, Ele é dono da prata e do ouro, e de toda a nossa vida. Quem precisa do "nosso dinheiro" e "nossos bens" são os pobres e necessitados, ministros que vivam do Evangelho e para o Evangelho, sem outra fonte de renda, missões, evangelismo, missionários em terras estrangeiras. Não temos que dar a Deus 10%, mas sim TUDO. Tudo que temos é Dele. E se é Dele, Ele pode redistribuir entre nossos irmãos necessitados. O cristão pode reservar toda semana uma oferta, um valor conforme suas posses, de acordo com o que Deus colocar em seu coração – 1%, 5%, 10%, 20%, 50%, quem sabe 100% - e depositar no gazofilácio. Dessa forma a Igreja de hoje pode fazer o que a Igreja de Atos fazia: não cobrar o Dízimo, não discriminar quem não “dizimar”, nem mesmo pregar sobre Dízimo, mas usar ofertas voluntárias para cuidar dos pobres e necessitados, contribuir para missões e o sustento de missionários, e eventualmente para alguma despesa extra e necessária da igreja, exatamente como Paulo ordenou e era a prática dos cristãos, até que a Igreja se misturou com o mundo, enriqueceu e começou a gostar cada vez mais de dinheiro.

Texto original - Luiz Alberto A. A. Bezerra - Timon, 26/08/2008.www.cpr.org.br/Mary.htm - http://www.cpr.org.br/catecismo_dizimos.htm

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tudo o que você sempre quis saber


Todos nós já estamos carecas de ouvir sobre o dízimo. Alguns são a favor, outros são contra, muitos dizem que ele enriquece pastores e empobrece o povo, sempre passado para trás por espertalhões. Não chego a tanto, mas uma coisa temos que admitir: somos chamados de ladrões praticamente todo domingo. Pregadores nos incitam a meter a mão no bolso, para não sermos alcançados por maldições. “Em que me roubais?”, perguntam, citando Malaquias; “nos dízimos e nas ofertas”, respondem com o mesmo texto. Entretanto, se prestarmos atenção, Malaquias foi claramente escrito como uma advertência aos sacerdotes daquele tempo, não ao povo em geral. Quem estava roubando a Deus eram os próprios sacerdotes! Já parou para prestar atenção?  
Isto muda tudo! Por favor, acompanhe atentamente e confira as referências bíblicas.
O TEXTO PREFERIDO: MALAQUIAS
Leia com cuidado: refere-se aos sacerdotes, cf. 1:6-14 e todo o cap. 2. Deus repreende os sacerdotes pelo mau uso dos recursos a eles entregues pelo povo. A expressão “a vós, sacerdotes” repete-se por todo o livro. O estilo de perguntas e respostas é uma marca registrada de Malaquias. Os sacerdotes perguntam e Deus responde: 
“Eu vos tenho amado, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Em que nos tens amado?”; “Ofereceis sobre o meu altar pão profano, e dizeis: Em que te havemos profanado?”; “Todavia perguntais: Por que?”; “Tendes enfadado ao Senhor com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o havemos enfadado?”; “Mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?”; “e dizeis: Em que te roubamos?”. Percebe o contexto?
O cap 3:7-12 conecta-se a Neemias 12:44, 47 e 13:10-13 (passagens que tratam dos levitas desamparados, pois os sacerdotes retinham para si os recursos que eram para os levitas, e os deixavam passando necessidades).
Quando os sacerdotes de Malaquias perguntam “em que roubamos”, a resposta de Deus remete a Neemias 10:28-39 (a promessa quebrada!); II Crônicas 31 mostra como era a distribuição dos dízimos, que deixara de funcionar no tempo de Malaquias por ganância dos sacerdotes. O profeta adverte a esses sacerdotes, que não distribuíam o dízimo para os levitas, mas ficavam com tudo!
Você é dizimista? Dá o dízimo uma vez por mês? Está errado e fora do mandamento!
Para cumprir a determinação você precisa dar não um, mas TRÊS DÍZIMOS!
Pois havia TRÊS DÍZIMOS, NÃO APENAS UM!
O primeiro dízimo era dos levitas, entregue a eles, anualmente. Não era entregue aos sacerdotes nem na Casa do Tesouro. Números 18:21 - 2 Crônicas 31:15, 19 - Neemias 10:37
Tanto os arautos do dízimo sabem disso que estão agora cobrando do povo 30%, justificando que é “10% para o Pai, 10% para o Filho e 10% para o Espírito”! Veja aqui!
Você dá o dízimo para a igreja administrar? Está errado!
O segundo
dízimo era para ser usado nas festas de Israel; guardado especialmente para essas ocasiões, era administrado pelo próprio dizimista. Não era entregue no Templo. Deuteronômio 12:17-18 e 14:23
O terceiro dízimo era para o sustento dos pobres. A cada 3 anos o dízimo das colheitas era destinado aos pobres, levitas, estrangeiros, órfãos, viúvas e demais necessitados. Também não era entregue em Jerusalém, no Templo nem na Casa do Tesouro, mas ficava guardado na casa do dizimista até a época da entrega aos pobres. Deuteronômio 14:28-29 e 26:12-13.
Você entrega o dízimo na “casa do tesouro”? Será que a CASA DO TESOURO é a igreja de hoje?
Primeiro: para os sacerdotes, era entregue apenas a primícia, não o dízimo.
Neemias 10:35 cf. Números 18:12-13 – as primícias da colheita entregues na Casa do Senhor (os primeiros frutos da terra, anualmente);
Neemias 10:36 cf. Números 18:15-18 – o animal limpo, primogênito, à Casa do Senhor;
Neemias 10:37 também ordena a entrega da melhor primícia (massa, vinho e azeite) às câmaras da Casa do Senhor.
Os levitas também eram dizimistas, e entregavam 10% do que recebiam aos sacerdotes. Neemias 10:37 ordena que os dízimos sejam entregues aos levitas em suas próprias cidades, não à Casa do Tesouro.
Segundo: o povo não levava o dízimo ao Templo, quem guardava na Casa do Tesouro (uma sala do Templo) até a distribuição eram os sacerdotes. Portanto, Malaquias 3:10 é endereçado aos sacerdotes, que recebiam o dízimo dos dízimos (dos levitas), e não 10% como cobram hoje. Eles não levavam o arrecadado para a Casa do Tesouro, mas roubavam para si mesmos! Esta é a mensagem de Malaquias!
E os levitas? Onde na igreja de Atos estão os levitas?
Números cap. 18 determina a porção dos levitas. 1 Crônicas 23:2-4 mostra que havia 38.000 levitas, sendo 24.000 trabalhando fora do Templo, 6.000 servindo como oficiais e juízes, 4.000 porteiros e 4.000 “músicos”. E só os levitas que estavam em serviço recebiam os dízimos. Na igreja de Atos não havia levitas.  
Há levitas hoje? Se há, não foi Jesus quem os instituiu; e se há, estão sendo sustentados pelos dízimos?
O DIREITO DOS SACERDOTES nunca foi de 10%! Se o dízimo todo era para ser distribuído entre: (a) pobres; (b) viúvas; (c) órfãos; (d) levitas; (e) estrangeiros; e se entendemos que os sacerdotes estão incluídos entre os “levitas”, veremos que a esse grupo (levitas + sacerdotes) caberia 1/5 do dízimo total arrecadado, ou 2% da oferta do contribuinte/dizimista. Isso não ocorre hoje: o “sacerdote” fica com os 10% e os “levitas” (que hoje são apenas músicos, mas não oficiais, juízes, artesãos, guardas etc.) nada recebem. Ou – de novo – tem alguma “igreja” sustentando “levitas”? Se tem, eu ainda não vi.
Se a Lei for seguida à risca, ao sacerdote cabe apenas 0,2% do total dizimado, porque isto é 10% do dízimo dos levitas (o dízimo dos dízimos); como os levitas receberiam, pela conta acima, 1/5 de 10% (=2%), os sacerdotes receberiam 0,2% do total “dizimado”.
Entretanto, Deus é justo e reservou aos sacerdotes da Velha Aliança não os dízimos, mas toda a oferta de primícias! Quando havia algum dízimo “extraordinário”, aos sacerdotes cabia apenas 0,2% e aos levitas 2%!
Veja Números cap. 31:25-31, 47.
Você dá o dízimo em dinheiro ou cheque? Está errado e fora do mandamento!
O DÍZIMO era pago só em produtos agrícolas (colheitas, frutos, cereais e outros vegetais, e animais como bois, cabras e ovelhas); nunca em dinheiro. Somente quem trabalhava com esses produtos agro-pastoris estava sujeito à entrega do dízimo. Indústrias e serviços (como carpinteiros, artesãos, fabricantes de tendas etc.) não eram obrigados a entregar o dízimo, assim como pescadores, caçadores etc. Mesmo judeus residindo fora de Israel estavam isentos da taxa, pois o dízimo ordenado pela Lei do Velho Testamento é um sinal de gratidão pela prosperidade que vem de Deus para a Terra Prometida. Deus é quem abençoava a terra, e o fruto da terra era ofertado sob a forma de dízimo. Não era aceito em dinheiro, somente quando o produto a ser dizimado não podia ser transportado (p. ex., animais levados a longa distância). Assim o animal era vendido e o dinheiro, após ser trocado no recinto do Templo, era entregue, ou então comprava-se outro animal pelo mesmo preço. Esse câmbio foi condenado por Jesus por ser razão de usura e exploração dos cambistas.
E as ofertas em dinheiro não faziam parte nem da Lei! O gazofilácio citado várias vezes no Novo Testamento (a oferta da viúva, do fariseu etc.) é para quem quisesse contribuir com a reforma do templo. No tempo de Jesus o Templo estava em reforma, e o gazofilácio permanecia. Não justifica a entrega de dízimos em dinheiro que hoje se verifica nas igrejas.
Entretanto, ouro, prata, jóias, tecidos e outros bens valiosos eram aceitos como oferta voluntária (como em Êxodo, na construção do Tabernáculo). Possivelmente, nas comunidades cristãs do Novo Testamento, ofertas em dinheiro fossem aceitas exclusivamente para ajudar os irmãos necessitados. Nunca iam para os bolsos dos apóstolos nem para o “templo cristão”, pois este se tornou desnecessário para a vida da igreja. Há sim vários relatos de coletas levadas pelos Apóstolos de uma a outra comunidade, em Atos e nas cartas aos Corintios.
CONCLUSÃO - As janelas do céu em Malaquias 3:10,11 são literais, cf. Deuteronômio 28:12 e Salmos 104 e 147. Trata-se das bênçãos celestiais em forma de chuva para o bom rendimento da lavoura e da pecuária. O devorador citado em Malaquias 3:11 não deve ser alegorizado. O devorador não é você ficar doente e gastar dinheiro na farmácia, nem o conserto do carro. E o devorador, cortador, migrador e destruidor citados em Joel não têm nenhuma relação com este de Malaquias. Esses destruidores em Joel referem-se à destruição de Israel pelos inimigos – profecia cumprida em parte na exílio da Babilônia e em parte ainda a ser cumprida na segunda vinda de Jesus (“acontecerá nos últimos dias...”).
Na igreja não existe estrutura a ser sustentada, posto que não há mais Templo nem sacerdócio, nem “casa do tesouro”. Apenas devem ser recolhidas ofertas para sustento dos pobres, necessitados e de missionários. Ou será que I Pedro 2:9 está desatualizado? Somos todos sacerdotes, não temos clero a quem sustentar. E toda a carta aos Hebreus fala disto. Se sustentamos sacerdotes, não somos diferentes de outros grupos religiosos. O cristão não precisa de sacerdote!
O que fazer então? Parar de ofertar, fechar as igrejas e ir cada um para o seu canto? Bem, aí está o problema. Problema que nós mesmos criamos, diga-se de passagem. Penso que em primeiro lugar, não devemos ser sovinas, pães-duros, mãos-de-vaca. Deus preza a generosidade. Podemos ofertar 1%, 2%, 5%, 10%, 50% ou 90% do salário. Deus nos dá essa liberdade. II Coríntios 9:7 diz “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria”. Segundo cada um propuser no seu coração, não o que outros mandarem. Você pode até estipular um percentual a contribuir todo mês, que seja de 10%; só não deve chamar isto de dízimo, pois embora seja 10%, é uma oferta voluntária e poderia ser de mais ou de menos; o dízimo não é para a igreja, foi ordenado a Israel somente.
Em segundo lugar, se criamos as estruturas atuais, agora é nossa obrigação sustentá-las. Penso que devemos então fiscalizar a utilização dos recursos arrecadados. Se a estrutura é grande e cara, mas os recursos vão para caridade, ensino, missões, evangelismo, tudo bem. Se a maior parte escoa somente para alguns, aí lascou. Pense melhor antes de meter a mão no bolso.