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domingo, 17 de outubro de 2010

Evangélicos seguindo a TFP?

Durante a campanha eleitoral de 2010, recebi inúmeros e-mails alinhados a vários candidatos - até do PSOL. A grande maioria era pura boataria e bobagem eleitoreira, alguns com imagens chocantes de fetos abortados, montagens grotescas com fotos de candidatos presos, e outros sem fundamento nem conteúdo. Mas alguns chamaram minha atenção por serem incrivelmente ‘sui generis’, tais como crentes tecendo elogios rasgados a figuras do naipe do ex-senador baiano Antonio Carlos Magalhães, vulgo Toninho Malvadeza, e outros enaltecendo uma certa “homilia profética” de um padre paulistano “em prol da vida e da família”.
Peraí: “homilia profética” já é demais... a onda “profética” já chegou às muralhas de Roma?
Bem, um outro e-mail me deixou de cabelos em pé: era um texto contra a candidata do PT, Dilma Dousseff, publicado por ninguém mais, ninguém menos, do que a TFP. Talvez quem me mandou esse e-mail não saiba quem ou o que é a TFP, e talvez muitos crentes da nova safra também não, então aí vai uma pequena resenha sobre essa organização, que muitos evangélicos – como quase sempre, zelosos, mas sem conhecimento – têm tomado como sendo a voz da justiça e da razão. Agora, se quem mandou isso conhece o pedigree do tal texto, aí já é motivo para preocupação para nossos zelosos pastores. É sinal de que tem gente de fora infiltrada... fermento na mistura. Esqueçam um pouco as águias e os leões e olhem um pouco mais para as ovelhas. Foi delas que Jesus mandou cuidar.
Voltemos à TFP - Tradição, Família e Propriedade, uma organização católica, tradicionalista, conservadora, reacionária e “anticomunista”. Foi fundada por Plínio Correia de Oliveira, jornalista católico e ex-deputado federal, que em setembro de 1928, aos 19 anos, participara de um Congresso da Mocidade Católica, em que teve os primeiros contatos com as Congregações Marianas, onde chegou a ser conferencista e orador.
Plinio descendia de duas famílias tradicionais: do lado paterno, os Corrêa de Oliveira, senhores de engenho em Pernambuco, que mais tarde se tornaram políticos no tempo de D. Pedro II. Qualquer estudante do primeiro grau sabe como eram bacanas os senhores de engenho, e como era honesta a eleição de deputados durante o Império. De outro lado, sua mãe, D. Lucília, pertencia à tradicional classe dos paulistas “quatrocentões” - isto é, provenientes dos fundadores ou primeiros moradores da cidade de São Paulo - entre eles, vários bandeirantes. É, aqueles mesmos que quando não achavam ouro, iam mata adentro capturando escravos para vender na volta. Com um DNA desses, tinha que dar nisso mesmo.
Assim, em 1929, pouco antes de diplomar-se em ciências jurídicas e sociais em São Paulo, coordenou alguns congregados marianos e fundou a Ação Universitária Católica - AUC. Da expansão desse núcleo inicial, nasceu, em 1960, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, uma das mais conservadoras, retrógradas e fanáticas agremiações de que se tem notícia neste país. 
Ela prega, entre outras coisas, que seja proibido o uso da “camisinha”, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, e que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil. A TFP também dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas, defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público.
No campo econômico-social a TFP defende abertamente a desigualdade de classes. Eles consideram as questões quilombola, indígena e ambiental como ataques ao direito de propriedade, e dão conselhos, por exemplo, a fazendeiros sobre como expulsar trabalhadores sem terra de seus domínios. Como Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo, o Prof. Plinio escreveu, em 1943, seu primeiro livro, Em defesa da Ação Católica. Giovanni Battista Montini, o futuro “papa” Paulo VI, escreveu uma calorosa carta de louvor a Plínio, uma eloqüente confirmação, de parte da suprema autoridade romana, das teses contidas no livro.
Mas a TFP se tornou tão esquisita que os próprios católicos não gostam de ser vistos junto com eles: em 1985, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou que em razão das "características esotéricas e fanáticas, e da idolatria ao seu fundador", pedia aos católicos que não se juntassem ou colaborassem com essa organização. E a Montfort, outra organização católica igualmente conservadora, afirma que “na TFP havia uma sociedade secreta, ‘A Sempre Viva’; isso é comprovado. Hoje essa seita se faz de morta, mas na verdade, ela está em dormição, como se diz nos antros secretos, quando um de seus ramos fica conhecido”.
O que deve ficar claro é todas essas organizações – TFP, Monfort e a própria CNBB, são, em sua matéria-prima, anti-protestantes, anti-bíblicas e anti-evangélicas. Assim como a Opus Dei. Há anos circulam informações de que o recém-eleito governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, seria membro dessa outra organização, tão estranha e misteriosa como a TFP. Diz-se que seus membros usam, dentre outras coisas, o “cilício”, um aparelho de auto-tortura sob a roupa (leia sobre isto aqui e aqui).
A Opus Dei já foi vista no cinema. O drama “Camino”, dirigido por Javier Fesser, denuncia a manipulação da Opus Dei contra uma garota de 13 anos, e venceu a 23ª edição do Prêmio Goya, a maior premiação do cinema espanhol. O thriller “O Código da Vinci”, de Ron Howard e com Tom Hanks no papel principal, também mostra a participação da Opus Dei nos labirintos da igreja romana.
O que nos causa espanto é ver irmãos de várias igrejas evangélicas - cegados e engodados por discussões secundárias que se espalharam pelo país - apoiarem e divulgarem as idéias desse pessoal.
Como disse o pr. João A. de Souza Filho, se em vez de defenderem esse ou aquele candidato – sem nenhuma profundidade no campo das idéias – defendessem o Evangelho, aí sim Brasil poderia ser transformado. Aliás, se o pr. João me permitir, publicarei um artigo dele em breve.
Enquanto isso, veja como o crente verdadeiro deve tratar a tradição, a família e a propriedade.

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