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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano "novo"...?

Entra ano, sai ano, as pessoas continuam tais e quais. Desde o batido bordão “feliz natal e próspero ano novo” ao mais secular, genérico e menos religioso “boas festas”, passando pelo ridículo ritual de se vestir de branco e se possível dar uns pulinhos sobre a marola, tem coisas que, analisadas um ano depois, se revelam um mico que mais parece o King Kong.
Por exemplo, as famigeradas previsões.
Picaretas de todos os matizes saem das tocas e fazem suas adivinhações sabor chuchu, que servem para acompanhar qualquer coisa. Para requentar o assunto, clique aqui, que é onde eu mesmo fiz a minha previsão, de tão fácil que é.
O pior é que alguns “líderes evangélicos” embarcaram nessa canoa furada, e deram para se auto-intitular “profetas”: e aí, “para cumprir o que prometem”, danam a fazer suas profetadas, como você pode comprovar, por exemplo, aqui e aqui. É um tal de decretar “ano profético” disto e daquilo outro que não acaba mais. O pior é que ninguém procura saber se a profetada se cumpriu... Não vou me estender mais sobre isso, só acrescentando que a prova de que isso não é profecia bíblica nem aqui nem no Sri Lanka é que todos esses “decretos” são divergentes entre si, o que mostra a sua incoerência total e absoluta com a Bíblia, onde não se verificam tais discrepâncias. Ponto final e doa a quem doer.
Voltando ao ridículo e à analise a posteriori, seria cômico se não fosse trágico observar as “promessas de ano novo”. “Vou emagrecer”, “vou fazer dieta”, “vou fazer exercício”; “vou ser um pai melhor”, “esposa melhor”, “filho mais obediente”; “empregado exemplar”, “não ou dar cheque sem fundo”; “vou pagar minhas contas”, “não vou me endividar”, “vou pagar a quem eu devo”... “vou parar de enrolar e vou casar”... “vou ler a Bíblia todo dia”, “vou contribuir com missões”, “não vou faltar à escola dominical”... “vou ganhar tantas almas para Jesus”... a lista é interminável. E mais ou menos do mesmo tamanho da lista de promessas é a lista das promessas não cumpridas. Nesse quesito, os políticos não são páreo para alguns crentes, já que os parlamentares cumprem algumas das promessas de campanha – pelo menos a de aumentar os salários (os próprios) e diminuir o desemprego (na sua própria família) e assim ninguém pode dizer que não cumpriram.
Aliás, por falar em político, acaba de fazer um ano que um caminhão de gente chegou a Brasília e às capitais prometendo “defender o Evangelho, a família, a Bíblia e a ‘nossa’ denominação”; não seria hora de você mandar uma singela cartinha ao seu nobre representante cobrando o que ele prometeu em troca do seu precioso voto? A menos, é claro, que você sinta que seus desejos foram atendidos. Aí é outro papo.
O fato é que raramente nos lembramos do que prometemos, e no ano seguinte começamos tudo de novo. Fingimos que de 31 de dezembro para 1º de janeiro tudo muda; como se isso não fosse simplesmente uma convenção, uma combinação de um grupo de nações de que dali para a frente o ano muda. Uma combinação tão furada que há países que usam esse calendário ocidental apenas pro-forma, mas seguem sua própria “folhinha”: prova disso você pode ver na TV quase todos os meses - os telejornais, volta e meia, mostram “o ano novo judaico”, o “ano novo chinês”, o “ano novo tibetano” e o “ano novo marciano”, cada um com suas comemorações particulares e exclusivas. 
Ano novo é muito relativo. Apesar disso, o que tem de “igreja” organizando festa “de réveillon” com atrações literalmente pirotécnicas não é brincadeira. Literalmente queimando dinheiro...
1º de janeiro é igualzinho ao 31 de dezembro, ao 15 de junho e ao 16 de abril. O fato de atribuirmos a certas datas um caráter especial não faz o sol nascer mais redondo, ou a Terra girar mais depressa, ou fazer mais seca ou mais chuva. Nem mesmo se o apóstolo da hora decretar no culto da virada. Por isso não faz o menor sentido dizer que “de hoje em diante vou fazer isso e aquilo”, ou “vou agir dessa e daquela forma”. Mas se mesmo depois de tudo, você quiser fazer algumas promessas, aí vão algumas sugestões. Tenho certeza que, se você seguir tudo direitinho, você vai se sentir melhor:
- Nos próximos 366 dias, vou ler a Bíblia pelo menos uma vez por dia; mas não vai ser apenas “para cumprir tabela”, para preencher aquele quadro que se distribui na igreja. Não vai ser para apostar com alguém quem leu mais. Vai ser para aprender mesmo. E antes de começar minha leitura diária, vou pedir a Deus que ilumine o meu coração, para que a Palavra caia “em boa terra e frutifique” (cf. Mateus 13:8). Vou pedir a Deus que Ele me mostre o que Ele quer que eu leia, e dar ao Espírito Santo liberdade para me ensinar o que quiser.
- Nos próximos 366 dias, vou orar mais. Mas não é para “bater o recorde” do ano passado (o que, aliás, deve ser muito fácil), mas sim para interceder pelos que ainda não conhecem o Caminho. Parentes, colegas de trabalho, de escola; vizinhos, atendentes da padaria, da farmácia e do supermercado; o motorista do ônibus, o cobrador e o porteiro do meu prédio. Pelos que ainda estão distantes de ouvir o Evangelho, nas matas do Brasil e da Nova Guiné, nas planícies da Sibéria, nas montanhas do Himalaia e nas areias muçulmanas, nas savanas africanas, e também os que se secularizaram nas metrópoles das decadentes Europa e América.
- Também vou orar por aqueles que estão presos o engano da religiosidade, dentro das igrejas e denominações da cristandade, iludidos pela conversa fiada dos falsos apóstolos e falsos profetas, que prometem prosperidade a troco do suado dízimo e “ofertas alçadas”; pelos que estão sendo consumidos pelo medo do purgatório, numas igrejas, e pelo medo de perder a salvação se não obedecerem cegamente ao “ungido”, em outras.
- Vou pedir a Deus que me dê, em cada um dos próximos 366 dias e noites, sabedoria para saber discernir na Sua Palavra os ensinos que são para a Igreja e os que são para Israel, para que eu não confunda as coisas e seja como os fariseus, tendo zelo mas não entendimento (cf. Romanos 10:2); assim serei livre de ordenanças vãs e mandamentos de homens, que dão mais valor a suas tradições do que à Palavra de Deus.
- Não vou me contentar em orar e interceder, mas também vou me dispor a fazer a Obra de Deus, e cumprir a grande comissão que Jesus deixou, pregar o Evangelho e fazer discípulos para Ele, e não para aumentar os seguidores desse ou daquele; buscar ensinar a sã doutrina baseada unicamente na Palavra de Deus, sem ensinos distorcidos e visões equivocadas do propósito de Deus para a Sua Igreja.
- Vou comprar um montão de folhetos evangelísticos e vou dar pelo menos um por dia a um estranho, e no fim de 366 dias, vou dar de oferta 1 real para cada folheto que sobrar.
- Vou contribuir com meus bens para o crescimento do Reino de Deus, e não apenas com meu dinheiro (se é que ele é meu). Não vou me prender à tirania dos 10%, mas coloco tudo nas mãos de Deus, com liberdade para contribuir com o que Ele colocar no meu coração, e assim colaborar “não com tristeza nem constrangimento” (cf. II Coríntios 9:7). Quero contribuir ofertando roupas, alimentos, brinquedos, livros, material escolar, dando carona aos irmãos, pagando a passagem de ônibus ou de metrô que seja, abrindo minha casa para receber grupos de estudo e de oração, para dar abrigo a quem necessitar; porque “bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Lucas 12:43).
- Vou parar de contribuir para engordar uma meia dúzia de folgados e passar a entregar minhas ofertas a agências missionárias sérias, que empregam os recursos na recuperação de dependentes químicos, no resgate de vidas perdidas no crime e na prostituição; farei doações para orfanatos e escolas cristãs verdadeiramente bíblicas.
- Não comprarei Bíblias de R$ 900, toalhinhas abençoadas, água ungida, sal grosso, óleo de soja orado, rosa mágica e sabonete de Israel; nem vou perder tempo vendo mascates evangélicos vendendo essas e outras quinquilharias na TV, pagando milhões aos donos das emissoras (com dinheiro dos outros) enquanto se esquecem de pregar o Evangelho.
- Vou parar de perder tempo na Internet em sites de piadas, inclusive “evangélicos”; em vez disso, vou usar meu tempo conectado para procurar estudos bíblicos sérios, músicas cristãs que tenham mensagem edificantes e bons livros cristãos para baixar e ler.
- Não vou gastar dinheiro indo a mega-shows de popstars gospel, parando assim de financiar vida de luxo para filhinhos de papai que nunca trabalharam, e que só querem aparecer na TV (na Globo, de preferência). Não comprarei mais CDs e DVDs melosos, cheios de nada, com “adoração ensaiada”, que não edificam a ninguém e são apenas entretenimento – e de má qualidade, ainda por cima. Também chega de perder tempo com livros de auto-ajuda e de esoterismo evangélico, e a partir de hoje só leio livros de autores comprometidos com a Bíblia, que deram o exemplo de uma vida dedicada ao serviço do Senhor, e jogarei fora os best-sellers cada vez mais ricos e cada vez mais ocos. Esses não vou nem doar, para que ninguém se desvie da sã doutrina...

Bem, essa lista pode ficar grande também, mas como você pode ver, não é nem um pouco difícil.
Eu vou fazer a minha parte, e daqui a 366 dias a gente conversa de novo.
Sem competição.

117530

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Dispensacionalismo

desvenda o panorama bíblico

Como dissemos antes, o Dispensacionalismo, por meio da interpretação consistente das Escrituras, em particular da profecia bíblica, revela o panorama bíblico, o plano eterno de Deus para o homem através das eras e a distinção entre Israel e a Igreja no programa divino.
Assim, de cara já notamos que há dois povos distintos em essência, mas ambos são alvos do amor de Deus: Israel e a Igreja. Ao contrário do que muitos desavisados podem pensar, em ambos a salvação é pela graça, pois sempre dependeu da fé – em Deus, no Velho Testamento; e especificamente no Filho, no Novo Testamento. Percebe-se assim que a Igreja não substituiu Israel no programa de Deus e que as promessas do Velho Testamento a Israel não foram transferidas para a Igreja. As promessas que Deus fez a Israel naquele tempo, e que ainda não foram realizadas (especialmente o final de Isaías e de Ezequiel, o livro de Zacarias, partes de Daniel, dentre outras), serão cumpridas no futuro de que nos fala Apocalipse 20. Da mesma forma que Deus tratou com Israel no passado, Ele concentra sua atenção na Igreja nesta era e novamente, no futuro, concentrará Sua atenção em Israel (Romanos 9-11). Usando como base este sistema, entendemos que a Bíblia seja organizada em sete dispensações: 
Inocência (de Gênesis 1:1 até 3:7)
Consciência (de Gênesis 3:8 até 8:22)
Governo Humano (a partir de Gênesis 9:1 para os gentios)
Promessa (para os patriarcas, de Gênesis 12:1 até Êxodo 19:25)
Lei (para os judeus, de Êxodo 20:1 até Atos 2:4)
Igreja (para todo o que crer, cf. Marcos 16:15 - de Atos 2:4 até Apocalipse 20:3)
Reino Milenar (de Apocalipse 20:4 a 20:6).

Estamos agora vivendo no que é comumente chamado “a Dispensação da Graça”, embora não seja um termo totalmente apropriado, pois Deus sempre lidou em Graça com o homem, começando no Jardim do Éden imediatamente depois da queda. Penso que “Dispensação da Igreja” é mais adequado, pois é mediante a Igreja que Deus está presentemente lidando com o homem.
As dispensações não são caminhos para a salvação, mas maneiras pelas quais Deus interage com o homem. O Dispensacionalismo resulta em uma interpretação que aguarda o Arrebatamento da Igreja e a Segunda Vinda de Cristo para julgar as nações.
Assim, cremos que a Segunda Vinda será um acontecimento no mundo físico, envolvendo, a partir do Arrebatamento, o período da tribulação, culminando com a batalha do Armagedom e o estabelecimento do reino de Deus na Terra. Então serão cumpridas todas as profecias concernentes a Israel ainda pendentes, conforme anunciadas pelos profetas do Antigo Testamento. Lembremos que naquela época o mistério da Igreja ainda não havia sido revelado, cf. Efésios 3:9 e 5:2 e Colossenses 1:26,27.
Portanto, entendemos que:
1 - O nome “dispensação da Graça” não é muito apropriado, porque a Graça de Deus sempre se manifestou, desde Adão, passando pela época da Lei até os dias atuais e por toda a Eternidade. A Graça é eterna. Mesmo sob a Lei a Graça operava. “Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé” (Romanos 4:13).
2 - Ao final destes “últimos dias”, por um breve período Deus volta a tratar com Israel e as nações, julgando-os. Israel quebrou a sua parte do pacto: não creu na promessa, e por não ter reconhecido o Messias, sofreu um juízo sob a forma da dispersão ocorrida no ano 70 d.C., cumprindo a profecia de Deuteronômio 28:15-68. Na provação, Israel finalmente reconhecerá o Messias, mas as nações não, por isso sofrem o juízo conhecido como “Grande Tribulação”, que culminará com o julgamento “dos bodes e das ovelhas” (muitas vezes citado como se fosse um julgamento da Igreja). Esse período não diz respeito à Igreja, que então estará no céu tratando de outros assuntos (Bodas do Cordeiro, Julgamento das Obras dos Santos, Galardões etc.). A Igreja não passa pela tribulação, assim como Noé foi preservado do Dilúvio, pois é um período de tratamento com Israel e as nações, no contexto da Lei, onde o Governo Humano será examinado, ou seja, Deus irá julgar o que os homens fizeram depois que obtiveram o governo. Nós já sabemos – o entregaram a Satanás... Disto é o que trata Apocalipse 5, Jesus retomando a posse da criação: só Ele foi digno de abrir o livro e romper o selo de propriedade! Aleluia! Isto ocorre no céu, enquanto na terra, Israel e as nações são os personagens principais deste último ato da História. É por isso que Israel já novamente se organizou como nação laica (cf. 1 Sm 8:7), depois de 2000 anos disperso pela Terra (cf. Oséias 6:1-2).
3 - Algumas dispensações se sobrepõem. Por exemplo, dentro do “Governo Humano” veio a Promessa, somente aos descendentes de Abraão. As nações permanecem sob seu próprio governo desde então e até hoje, e por isso são rebeldes ao Governo de Deus. Depois vieram a Lei e “a Graça”, mas as nações continuam avessas à lei divina (cf. Salmo 2), pois ainda estão sob o “Governo Humano”. O desfecho dessa rebelião será na Tribulação – o julgamento das nações.
Implicações do Entendimento das Dispensações
1 – Poder identificar quais são as promessas de Deus para Israel, para a Igreja e para as nações.
2 – Poder interpretar corretamente a questão dos mandamentos e ordenanças divinas, discernindo o que é para Israel, o que é para a Igreja e o que é para as nações, bem como as implicações e conseqüências da desobediência. Quem cumpre a Lei hoje em dia – seja Israel, seja a Igreja cheia de ordenanças mosaicas – está em erro, pois a Lei está ultrapassada. A Graça a substituiu, conforme se vê na epístola aos Gálatas, 3:19 (Logo, para que é a lei? Foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela mão de um mediador).
3 – Entendimento da profecia, discernindo os tempos e as estações, cf. Mateus 24:3, 4, 32, 33.
4 – Entendimento do funcionamento da Igreja (bispos, diáconos, presbíteros, o culto, a ceia e o batismo, ofertas voluntárias e sua destinação, missões, evangelização etc.).
Por exemplo: na atual dispensação a missão de evangelização deve ser dirigida às pessoas, individualmente, e não às nações. Presentemente, Deus está tratando com pessoas (cf João 3:16). A “grande comissão” diz para fazermos discípulos “de todas as nações” (isto é, de todas as nacionalidades, de todas as origens, de todas as etnias, de todos os povos) e não “fazer das nações, discípulas”, pela simples razão de que as nações não se convertem. As nações são entidades políticas/jurídicas (cf. “estados”, “países”) cujo desejo é de não se submeter a Deus e confrontar Israel (cf. Salmo 2; Salmo 33:10; Salmo 59:8; Isaías 17:13; Isaías 34:2; Isaías 40:15 e 17; Números 24:8, 20; Jeremias 46:28; 51:20; Ezequiel 30:3), e por isso serão objeto de pesado juízo. Não se converterão, mas pelo contrário, apoiarão o Anticristo (a besta que emerge do mar; os mares tipificam as nações). Mesmo no caso de Jonas as conversões foram individuais (Jonas 4:5-10). O peso sobre a nação/estado de Nínive continuou existindo e foi cumprido, com a destruição total. Hoje não existem mais ninivitas! Somente no Milênio as nações serão restauradas: Zacarias 8:22, 23; cap. 14:16, 18, 19; Malaquias 3:12; Apocalipse 21:24 e 22:2. Por isso é um erro tentar evangelizar “as nações”. Temos que “fazer discípulos de todas as nações” e não “fazer das nações, discípulas”. Esse é um erro dos dominionistas.
Joel 3:2 fala do juízo futuro, que há de acontecer; ver também Zacarias 12:3, 9 e 14:3; Sofonias 3:8; Ageu 2:7, 22. Note que quase todas as referências estão no VT. No NT praticamente não há referência às nações nesse contexto, a não ser quando Jesus se dirige aos judeus e ao juízo sobre as nações. Quando Jesus fala nesse contexto, não se aplica à Igreja e vice-versa.

Continua... só falta mais um capítulo.
Com informações de (http://www.estudosobre.com/Dispensacionalismo
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