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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Exército de Joel, Guardiões da Promessa, muita paixão e o “Novo de Deus”: o Dominionismo em ação

Vimos que a candidatura de Sarah Palin foi patrocinada por uma poderosa engrenagem cujo interesse é o poder político. Vimos também que o dominionismo surgiu com Agostinho e serviu ao catolicismo em sua busca de poder temporal, por um entendimento equivocado do Milênio; hoje, o “dominionismo” e suas vertentes vêm se alastrando por um grande número de igrejas, não só na América como pelo mundo, fazendo uso da “nova onda” do movimento apostólico e sua rede de “coberturas espirituais”. Agora prosseguiremos com a pesquisadora Sarah Leslie:
“A teologia do domínio é uma heresia. Poucos conhecem a palavra dominionismo; não sabem o que significa, pois foram desenvolvidos outros termos, ocultando sutilmente o verdadeiro objetivo. Muitos aceitam certos aspectos do dominionismo sem reconhecerem o engano… Para mais facilmente propagar a sua agenda, os dominionistas desenvolvem junto às principais denominações evangélicas novas eclesiologias e escatologias, antes de avançarem para o público em geral. Depois é utilizado o movimento ‘Promise Keepers’ [os Guardiões da Promessa] para ‘derrubar os muros’, isto é, atravessar barreiras confessionais, para expandir o dominionismo. Isto é tão eficaz que já chegou às principais confissões protestantes. Os dominionistas selecionaram cuidadosamente os dirigentes e treinaram-nos como ‘agentes de mudança’ para a ‘transformação’ (domínio)”... [1].
Exército de Deus? Toda a evidência sugere que Palin foi selecionada para galvanizar a base evangélica do partido republicano, o que McCain não conseguiu. Como muitos americanos, Sarah Palin é evangélica. O que chama a atenção é que, batizada aos 12 anos, Sarah Palin frequentou a igreja Assembléia de Deus em Wasilla por 32 anos. Essa igreja faz parte da rede dominionista. Palin foi ungida pelo pastor Ed Kalnins, seu antigo mestre (que costuma pregar sobre espíritos territoriais e maldições hereditárias), e por um clérigo africano, o bispo Thomas Muthee, elemento destacado do “Exército de Joel”[2].
Até há pouco tempo um “general” desse exército era o canadense Todd Bentley, que diz que Deus lhe mandou dar um murro em uma senhora idosa. Um relatório publicado pelo Southern Poverty Law Center, um grupo defensor dos direitos do cidadão, descreve as técnicas de Bentley: “recrutamento de jovens, sessões de contorcionismo e êxtase incontrolável, dizendo que é ‘sinal do Espírito Santo’; ressuscita mortos, cura cegos, cauteriza tumores. Coberto de piercings e tatuagens militares que dizem ‘Exército de Joel’, conduziu uma sessão ininterrupta de curas sobrenaturais, na Flórida. Para acomodar multidões de 10.000 pessoas, arrenda estádios e hangares de aeroportos a 15.000 dólares por dia. Muitos pastores acreditam que Bentley viu o rei Davi e falou com o apóstolo Paulo no céu… Bentley e outros pregadores profetizam que o Exército de Joel se converterá numa força militar, pronta para o Apocalipse dos jovens, para impor fisicamente o domínio cristão aos não crentes” [3].
Diz Bentley no seu website: Um exército do fim dos tempos tem um propósito comum - ganhar agressivamente terreno para o reino de Deus sob a autoridade de Jesus Cristo, o Campeão do Pavor… A trombeta está tocando, chamando os ardentes crentes revolucionários a alistarem-se no Exército de Joel… Muitos estão já prontos apara serem mobilizados para estabelecer o reino de Deus sobre a Terra”.
Em março de 2008, numa conferência de “Paixão por Jesus”, em Kansas City, um pastor do Exército de Joel, Lou Engle, incentivou a sua audiência adolescente à vingança com música heavy-metal, punk e gótica: “Creio que vamos para um confronto Elias x Satanás em todo o globo: são os profetas de Baal contra os profetas de Deus, e não haverá neutros”, disse Engle. Referia-se aos seguidores de Baal massacrados por ordem do profeta Elias. “Existe uma geração Elias que vai ser precursora da vinda de Jesus, uma geração marcada pela intensidade da sua paixão”, continuou Engle. “O reino celestial sofre a violência e os violentos conquistam-no pela força. Uma tal força exige idêntica reação, e Jesus vai guerrear com olhos flamejantes”.
Esses “guerreiros” acreditam que os EUA, e o resto do mundo, deveriam ser governados por cristãos e por uma interpretação conservadora da lei bíblica. Não há lugar para a democracia. Parafraseando George Bush, “estão conosco ou estão contra nós”. Muitos são adolescentes e jovens; Sarah Palin tinha doze anos quando entrou para esses círculos.
Em entrevista a Charles Gibson, do ABC News, Sarah Palin disse que a Geórgia (país da Ásia, vizinho da Rússia) deveria ser membro da OTAN. Quando pressionada a dizer se os EUA teriam que defender a Geórgia se as tropas russas entrassem nesse país, respondeu: “Pode acontecer. Esse é o acordo da OTAN, se um país é atacado, espera-se que peça ajuda… Temos que apoiar a Geórgia”. Honestamente: Sarah Palin é alguma estadista com experiência em política externa, ou é apenas uma dominionista que vê uma potencial guerra com a Rússia como parte do confronto “Elias x Satanás” na Terra? Estes são os antecedentes da mulher que um dia poderá chegar a presidente da nação mais poderosa da terra. Precisamos orar por ela, para Deus lhe dê discernimento e sabedoria, lhe abra o entendimento e caso um dia ela seja presidente, que seja usada por Deus para Seu propósito e não para agradar a grupos políticos ou religiosos, seja de que tendência forem.
O que fica de lição para nós, aqui no Brasil?
1 – atenção a “novas revelações”, “estabelecer um novo tempo”, o “novo de Deus” e coisas do tipo. Isaías 42:9 e 43:19, muito citados pelos arautos do “novo”, estão fora de contexto: é Deus falando a Israel a respeito da primeira vinda de Jesus.
2 – cuidado com ensinos sobre a igreja dominar os rumos da(s) nação(ões). O governo sobre as nações será exercido por Jesus Cristo quando vier Seu reino milenar; depois da Tribulação; não agora. As nações, hoje, estão sendo preparadas para o juízo (Salmo 2). Não temos que pregar às nações, mas às pessoas: “fazer discípulos de todas as nações” não é “fazer das nações, discípulas”. A salvação é individual, não nacional. Nossa oração acerca das nações deve ser para que os impedimentos à evangelização (leis, preconceitos, perseguições aos missionários) sejam removidos para que pessoas sejam alcançadas.
3 – a diferença que a igreja faz, aqui e agora, é ser sal e luz. “Ser cabeça e não cauda” é promessa para Israel; à igreja Jesus disse que seria perseguida; teríamos tribulações, que o mundo jaz no maligno e é nosso inimigo, e que não tivéssemos ambições terrenas, pois o reino Dele não é deste mundo!
4 – não julgar os profetas, mas as profecias. I Ts 5:20, 21 (Não desprezeis as profecias, mas ponde tudo à prova); II Pe 2:1 (Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras); I Jo 4:1 (Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo).
5 – geração apaixonada, movida pela paixão, “estou apaixonado”, “estou desesperado”, “estabelecer”, “determinar”, “decretar”, “confrontar potestades”... você tem ouvido isto? Reflita e analise, à luz da Palavra.
6 – Nunca, nunca mesmo, a palavra do homem, por mais santo, ungido e inspirado que possa parecer, deve se sobrepor à Palavra de Deus.
Doa a quem doer.
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Notas
[1] Sarah H. Leslie, Dominionism and the Rise of Christian Imperialism, em: http://www.discernment-ministries.org/ChristianImperialism.htm
[2] Bruce Wilson, Sarah Palin's Churches and the New Wave Apostolic Reformation, em: http://endtimespropheticwords.wordpress.com/2008/09/09/sarah-palins-churches-and-the-third-wave/
[3] Casey Sanchez, Theocratic Sect Prays for Real Armageddon, Southern Poverty Law Center. 30 de Agosto de 2008, em: http://www.alternet.org/story/96945/theocratic_sect_prays_for_real_armageddon/?page=entire. http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=10167
E se você quiser se escandalizar, visite http://www.redlettermin.com/home.html
Texto original de F. William Engdahl, analista econômico e político. Tradução de José Paulo Gascão - http://dariodasilva.wordpress.com/2008/10/03/sarah-palin-e-o-fundamentalismo-cristao/

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sarah Palin e o dominionismo


Retomando: Será que Sarah Palin faria parte de tal estrutura maquiavélica? E se fizer, o que nós, cristãos brasileiros, temos a ver com isso? É o que veremos.
Ao que parece, Sarah Palin foi uma escolha cuidadosamente pensada, já que ela provém de círculos evangélicos conservadores que o CNP utiliza para mobilizar e pressionar a agenda política dos EUA. Diz-se que Palin cedo atraiu os dirigentes republicanos do Alaska, durante a sua campanha para prefeita, anos atrás, por seu discurso contra o aborto. Normalmente, os partidos não se envolvem nas eleições municipais do Alaska, por estas não serem partidárias. Mas logo que as notícias sobre os pontos de vista de Palin chegaram à capital, os republicanos locais investiram dinheiro na sua campanha. Diz o investigador Charley James: “Palin dedicou-se à criação de uma máquina que demolisse quem se atravessasse no seu caminho. A boa e piedosa cristã virou do avesso”.
As características religiosas de Sarah Palin têm tudo a ver com a sua escolha para o cargo. A igreja Assembléia de Deus em Wasilla, que ela freqüenta, faz parte de um ramo do movimento dominionista que tinha como um de seus dirigentes Ted Haggard (foto ao lado), de quem falamos anteriormente. O movimento tenta deliberadamente passar despercebido. Por quê?

Dominionismo? o que é isto?
Muitos cristãos pensam, erroneamente, que o reino de Deus irá se manifestar visivelmente no presente. Esse entendimento incentivou a união da igreja com o estado a partir do século IV, aproximadamente, quando o imperador Constantino deu liberdade aos cristãos. A partir daí, o Cristianismo passou a adquirir “poder temporal”, resultando na sua paganização e corrupção, com reflexos até os dias de hoje.
Este conceito – a manifestação visível do reino de Deus, aqui e agora – se tornou conhecido graças a Agostinho de Hipona, em seu tratado “A Cidade de Deus”, que expõe como seria ou deveria ser o reino de Deus na Terra: um reino de paz e harmonia em que a igreja católica seria a mediadora ou representante de Deus e o principal fator de justiça e equidade para a humanidade.
Mas ao contrário, a Bíblia afirma categoricamente que a situação geral tende a se deteriorar. Somente após o retorno de Cristo é que será estabelecido o Milênio, literalmente mil anos em que o próprio Senhor Jesus reinará na Terra a partir de Jerusalém. Ao final desses mil anos Satanás será solto e haverá uma rebelião final, ao que se seguirá o julgamento do Grande Trono Branco.
O ensino de Agostinho se tornou o padrão do ensino católico. Firmou-se a crença de que o Milênio é alegórico ou simbólico, e que o Cristianismo está de fato transformando o mundo, trazendo justiça e paz para a humanidade. Por isso aceita-se que a igreja (católica, obviamente...) influencie clara e abertamente as leis e os governos, apoiando ou derrubando governantes de acordo com a sua conveniência ou interesse de momento. Esta é a história do catolicismo, que gerou a formidável mistura que aí está, e que será a causa final de sua destruição, a sua “prostituição com os reis da Terra” (cf. Apocalipse cap. 17). E agora, por não entender corretamente o plano de Deus para as eras e nem o conceito bíblico do Milênio, a igreja evangélica também cismou de querer influenciar os governos.
Sarah Leslie, antiga dirigente da Direita Cristã, explica o movimento que apoiou Sarah Palin durante a maior parte da sua vida (a “Nova Reforma Apostólica”): “É um descendente direto do movimento da ‘Chuva Serodia’ – também conhecido como ‘Exército de Joel’ ou ‘Manifestos Filhos de Deus’. O principal arquiteto deste movimento durante as últimas décadas é C. Peter Wagner, presidente dos ministérios Colheita Global. Seus ensinamentos de guerra espiritual vêm sendo amplamente difundidos, sendo que uma destacada personagem ligada a este grupo é Ted Haggard” [1].
Ela cita C. Peter Wagner na sua definição da “Nova Reforma Apostólica”: “Desde 2001, o corpo de Cristo esteve na ‘Segunda Era Apostólica’. Estabeleceu-se o governo apostólico/profético da igreja… Começamos a construir a nossa base situando e identificando-nos com os movimentos de intercessão. Desta vez, no entanto, sentimos que Deus quer que comecemos de modo governamental, ligando-nos com os apóstolos da região. Para nós, Deus já se elevou como apóstolo-chave numa das nações estratégicas do Oriente Médio, e outros apóstolos estão a juntar-se. Uma vez que tenhamos os apóstolos no seu lugar, levaremos os intercessores e os apóstolos ao círculo íntimo, e acabaremos por ter o núcleo espiritual que necessitamos para avançar até à recuperação do domínio que, legitimamente, é nosso”. (C. Peter Wagner). Ele afirma que nos EUA há tantas igrejas da Nova Reforma Apostólica que o movimento mundial chega a 100 milhões de pessoas. Apesar disso, o seu impacto passa totalmente despercebido para a maioria dos investigadores fora do próprio movimento.
Bruce Wilson, outro pesquisador familiarizado com movimentos evangélicos, esclarece que essa tal “Terceira Onda” (nome copiado de um livro de Alvin Toffler, economista e futurólogo que trabalha com o conceito da revolução tecnológica) é um clone dos cultos de avivamento da ‘Chuva Serôdia’ dos anos 1950/60, dirigidos, entre outros, por William Branham: baseia-se na idéia de que no fim dos tempos um grupo de cristãos terá poderes sobrenaturais e autoridade sobre a igreja e o mundo. Estes cristãos serão reorganizados sob o Ministério Quíntuplo (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres, de acordo com Efésios 4:11), e a igreja será reestruturada sob o governo de profetas, apóstolos e outros ungidos. A nova geração formará o ‘Exército de Joel’ para combater o mal e recuperar a Terra para Deus” [2]. Os excessos desse movimento foram declarados heréticos em 1949 pelo Conselho Geral das Assembléias de Deus, e voltaram a ser condenados pela Resolução nº 16 em 2000.
Isto tudo constitui o movimento chamado dominionismo.
Sarah Leslie descreve a ideologia do dominionismo: “... o Evangelho da Salvação alcança-se estabelecendo o Reino de Deus como um reino literal e físico na Terra, na era atual. Alguns dominionistas identificam o Reino do Novo Testamento com o Israel do Antigo Testamento para que possam pegar na espada, ou outros métodos de caráter punitivo, para combater os inimigos do seu reino. Os dominionistas ensinam que os homens podem ser coagidos ou obrigados a entrar no reino à força. Relacionam com a Igreja deveres e direitos que, de acordo com as escrituras, apenas pertencem a Jesus Cristo. Isto inclui a crença esotérica de que os crentes podem encarnar em Cristo e funcionar como o seu corpo sobre a Terra para estabelecer o domínio do Seu reino. Põe ênfases desmedidas nos esforços do homem: a doutrina da soberania de Deus é menosprezada” [3].
Leslie também cita “Vengeance is Ours: The Church in Dominion” [A Vingança é nossa: a Igreja do domínio] de Al Gager: “a teologia do domínio baseia-se em três crenças básicas:
I) Satanás usurpou o domínio do homem sobre a Terra através da tentação de Adão e Eva;
II) A Igreja é o instrumento de Deus para recuperar o domínio;
III) Jesus não pode voltar, nem voltará, até que a Igreja tenha recuperado o domínio, e conseguido o controle das instituições governamentais e sociais da Terra”
[4].
Você já leu ou ouviu algo parecido? É possível que sim. Essa onda já chegou às nossas praias. Semana que vem tem mais. E doa a quem doer!
NOTAS:
[1] Sarah H. Leslie, Dominionism and the Rise of Christian Imperialism, em: http://www.discernment-ministries.org/ChristianImperialism.htm.
[2] Bruce Wilson, Sarah Palin's Churches and the New Wave Apostolic Reformation, em: http://endtimespropheticwords.wordpress.com/2008/09/09/sarah-palins-churches-and-the-third-wave/.
[3] Sarah H. Leslie, Op. Cit.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sarah Palin renuncia ao governo do Alasca de olho na presidência americana

ANCHORAGE, EUA — A ex-candidata à vice-presidência americana, Sarah Palin, renunciou na noite de domingo 26 de julho de 2009 ao seu cargo de governadora do estado do Alasca, preparando seu lançamento como candidata à presidência. Ela fez questão de listar os êxitos realizados durante sua administração:
"É porque amo tanto o Alasca, que sinto que é meu dever evitar a fase improdutiva, tão típica da política americana, do último ano de governo", afirmou Palin, que foi a governadora mais jovem do Alasca e a primeira mulher a ocupar esse cargo. "Com esta decisão, estarei em condições de lutar mais duramente por vocês, pelo que é correto e pelo que é verdadeiro. Jamais acreditei que precisava de um cargo para fazer isso", afirmou Palin a uma multidão em um piquenique, durante o qual entregou o cargo ao vice-governador, Sean Parnell.
Mas seu último discurso em Fairbanks, Alasca, menos de um mês depois de anunciar abrutamente sua renúncia em 3 de julho, proporcionou poucas pistas sobre seus planos futuros.
Segundo uma pesquisa do Washington Post-ABC News, 53% dos americanos tinham uma opinião negativa de Palin e 40% positiva, seu pior índice desde a campanha de 2008, quando foi apresentada como candidata a vice na chapa de John McCain. (Agência AFP; http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gpvIP-Bk3dCEMbHJ9BKk1q6VascQ)
Sarah Palin e o fundamentalismo cristão - Sarah Palin, depois de escolhida vice-presidente na chapa de John McCain, atingiu quase imediatamente o índice de 58% da simpatia dos eleitores, segundo sondagem da Rasmussen Reports; índices comparáveis aos de uma super estrela do rock, superiores na época aos de McCain ou do democrata Obama. A máquina republicana (que fez todo mundo acreditar que Sadam Hussein era o novo Hitler), obviamente estava por trás de um dos esforços de propaganda mais impressionantes da história recente - apresentar Sarah Palin como a candidata sonhada pelos EUA. Mas como Palin foi deliberadamente vaga sobre suas origens religiosas, num país onde isto é um fator relevante para qualquer candidato, vale a pena dar uma olhada sobre este assunto.
Uma das transformações mais significativas da política interna dos EUA, desde quando George Bush “pai” era chefe da CIA, foi a manipulação deliberada de importantes segmentos da população em torno da ideologia fundamentalista cristã-evangélica, para criar o que é conhecido como a Direita Cristã. No amplo espectro das denominações evangélicas há algumas correntes que são particularmente interessantes. O pentecostalismo norte-americano chegou a ser tão influente politicamente que as duas eleições de George Bush “filho”, tal como inúmeras disputas para o Senado ou o Congresso, passaram a depender do apoio, ou não, dessa Direita Religiosa. E o aparecimento de novos grupos dentro da Direita Cristã também convenceu o americano comum literalmente a “morrer por Cristo” em lugares como Iraque, Afeganistão, Irã ou onde quer que o Pentágono solicite seus serviços. Essa ideologia criou internamente uma base ativista republicana e uma política externa que vê os opositores dos EUA como “o eixo do mal” ou “encarnações de Satã”. Neste contexto, onde se encaixa Sarah Palin?
Comitê de Política Nacional: a manipulação da religião com fins políticos - Muitos dos grupos evangélicos dos EUA são coordenados por uma organização secreta chamada Comitê de Política Nacional (CNP), criada em começos dos anos 1980, durante a era Reagan, e é uma organização estranha e bastante poderosa. Foi descrito por Marc J. Ambinder da rede ABC como a “versão conservadora do Conselho de Relações Externas”. Entre os membros do CNP estão, além de figurões da política, empresários, milionários e militares de alta patente, pastores como Pat Robertson da Christian Broadcasting Network, Jerry Falwell e Tim LaHaye, além de outros luminares evangélicos.
Ted Haggard foi membro do CNP até que um escândalo de sexo e drogas o obrigou a se retirar, em fins de 2006. Era pastor da Igreja da Nova Vida em Colorado Springs, descrita como “o Vaticano evangélico”, e foi chefe da Associação Nacional de Evangélicos.
A Igreja da Unificação, cujo fundador, rev. Moon, diz abertamente que é superior a Cristo, também é membro do CNP; de acordo com algumas informações, também a Igreja de Cientologia, entidade que congrega alguns atores e atrizes famosos de Hollywood, como Tom Cruise e Kirstie Alley [1].
Investigadores descrevem assim o CNP: “Parece ser uma criação do Poder político para mobilizar cristãos bem intencionados a apoiarem, sem saber, os interesses da elite. Pode ser considerado um projeto de engenharia religiosa que esvazia o cristianismo e reorienta muitos dos seus princípios e conceitos, segundo objetivos social e politicamente convenientes à elite. Essas afirmações são apoiadas pelo fato de muitos membros do CNP serem igualmente membros de outras organizações e/ou empresas com ligações até mesmo no mundo do crime, que estão diretamente ligados à elite do poder” [2].
O CNP é um elo vital entre fornecedores da defesa, a Direita Cristã e lobistas de Washington. Está envolvido na política militarista, no apoio ao programa de guerra global do Pentágono e no controle político neo-conservador de grande parte da política externa e de defesa dos EUA. Dezenas de importantes republicanos do governo Bush são, ou foram, membros do CNP, mas são poucos os detalhes que passam para o público. Tão secreto como o Grupo Bilderberger, ou mais, o CNP está no centro da manipulação política, mas não faz declarações à imprensa, reúne-se secretamente e nunca revela voluntariamente os nomes dos seus membros. Durante a presidência de Bush, os círculos de elite urdiram uma máquina política extremamente poderosa utilizando forças e energias da Direita Cristã e de milhões de cristãos americanos que ignoram as suas obscuras manipulações.
Sarah Palin, nessa foto bastante emblemática - nunca devidamente esclarecida, se é real ou se é montagem "de photoshop"- como a maioria dos chamados americanos "médios" apóia as ideias imperialistas de invasão a outros países "do mal", é a favor do comércio de armas, etc, etc... Afinal, faria Sarah Palin parte dessa engrenagem sinistra? Na próxima semana veremos.

Notas:
[1] Paul Collins & Phillip Collins, The Deep Politics of God: The CNP, Dominionism, and the Ted Haggard Scandal, 19 de Fev de 2007.
[2] Ibíd.