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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sobre apóstolos e profetas - final:

Efésios cap. 2 nos fala sobre os dons e ministérios da Igreja, os quais foram dados por Cristo aos homens para edificação do Seu Corpo.
Antes falei sobre um dos mais controversos na atualidade, os auto-ungidos apóstolos. Diante do que foi exposto, concluímos, se perguntarmos se ainda existem apóstolos hoje, podemos dizer que sim, e também que não. Falamos também sobre os profetas modernos, diante dos quais podemos questionar se existem de fato profetas hoje.
Os profetas são indispensáveis à Igreja, como foram para Israel. A Bíblia diz que por falta de profecia, o povo se corrompe (Provérbios 29:18). No tempo de Eli, Israel estava ainda meio bagunçado, como vinha desde o tempo dos Juízes, porque “a palavra de Senhor era muito rara naqueles dias; as visões não eram freqüentes” (I Samuel 3:1).
O objetivo da profecia é edificação, exortação e consolação (I Corintios 14:3).
Os profetas consolam o povo de Deus, como Isaías (40:1) e Daniel (12:1). Eles advertem sobre o erro, como Malaquias (que desceu a lenha nos sacerdotes de sua época - e não no povo, como imaginam os arautos do dízimo – ver 1:6, 2:1, 7-9), Jeremias (1:18), João Batista e Elias, que nunca fizeram média com os poderosos de seu tempo. Eles antecipam o futuro, como Ágabo (Atos 11:27-30; 21:10-11) e Simeão e Ana (Lucas 2:34-38).
Mas eis que surge uma peste, uma infestação de parasitas, que vivem a emitir profetadas e “revelações”, sendo em muitos casos bastante procurados por aqueles que querem saber o futuro – mais ou menos como os que vivem atrás de horóscopos e cartomantes, querendo saber quem vai casar com quem, se tal e qual negocio vai dar certo, se isso e aquilo é “da vontade de Deus”. Mediante uma “oferta de amor”, é claro.
Os termos “profeta” e “profecia” ficaram tão manjados no meio evangélico que quando são mencionados pensa-se logo em duas coisas: ou nos tais “videntes”, ou nos famigerados “atos proféticos” e seus apêndices, “adoração profética” e “dança profética”.
Tenho para mim que isso é obra do capeta, que tudo faz para desacreditar a Obra de Deus, e com suas imitações fajutas, vai pondo em descrédito o que Deus destinou à Sua Igreja - I Corintios 14:22 (“a profecia, porém, não é sinal para os incrédulos, mas para os crentes”), e 39, (“Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar, e não proibais o falar em línguas”).
Mas vejam que até a igreja católica agora apresenta profetas e videntes. Outro dia estava no programa da Xuxa um pessoal dizendo ter dons de profecia, e explicando, à sua maneira cheia de misticismo, o que é o dom de profecia, e também o de cura, como fazer imposição de mãos etc. Isto é ser profeta? - perguntarão alguns. Sim, eu respondo, mas profetas como os de Baal.
Cito dois exemplos.
Um deles é um tal de Dom Bosco, nome que identifica diversas instituições católicas. Dom Bosco foi um padre italiano, natural de Turim, que viveu entre 1815 e 1887. Seus biógrafos o descrevem como “místico”, “guiado passo a passo por Maria Santíssima, que foi sua inspiradora e guia”. Ele teria “profetizado”, dentre outros fatos, a criação de Brasília com antecedência de 77 anos, em mais um dos vários mitos com que tentam emoldurar essa cidade (para saber mais sobre Brasilia, clique aqui). Pois bem, podemos até dizer que ele “acertou”. Mas sua “profecia” glorifica a Deus, ou dá a Ele algum louvor? Não. Então, é um adivinho, um vidente, cartomante, nada mais.
Ah, mas tem os “mistérios de Fátima”. Trata-se de um episódio até hoje muito mal contado e mal explicado, e pior ainda, mal interpretado. Ocorreu em 1917, em Portugal, quando “a virgem Maria” teria aparecido a três crianças, Jacinta, Francisco e Lucia, e deu-lhes várias instruções da maior importância para a cristandade e para a humanidade, mas que, curiosamente, deviam ser mantidas em segredo. Aí está a primeira incoerência, mas vamos lá. O primeiro “mistério” seria uma “visão do inferno”, o segundo a “punição do mundo” e sobre o terceiro ainda pairam espessas nuvens de dúvidas; dizem que os “mistérios” já se cumpriram, mas poucos sabem ao certo como e quando (caso queira se arriscar, a Internet está cheia de referências, boa sorte).
Assumindo que tudo se cumpriu à risca: de novo, Deus é glorificado nessa historia? Quem recebeu mais louvor e adoração, no fim das contas, Deus, ou a “virgem”? A idolatria, um dos pecados mais abomináveis aos olhos de Deus, como Ele mesmo diz na Sua Palavra, aumentou, ou diminuiu depois desses “mistérios”?
O leitor avalie e tire sua conclusão. E veja se isto se enquadra no que a Bíblia descreve como profecia, ou naquelas previsões genéricas em que podemos encaixar um monte de coisas, como as de Nostradamus. Para mim, é obra do cão, que vaticina e depois realiza, e obviamente, não há nenhum louvor a Deus nisso. Um bom parâmetro para julgar essas “profecias”.
Profetas sempre houve, e é por isso que a Bíblia – nas palavras de Jesus – nos adverte sobre os falsos profetas. Elias perguntou ao povo de Israel por que coxeavam entre Baal e Jeová. Penso Elias jogou essa questão por dois motivos principais, dentre outros – que também afligem povo de Deus hoje em dia:
1 – talvez Israel estivesse tão acostumado a ver milagres e maravilhas que queria sempre mais, e com isso buscava sempre mais novidades. Hoje vemos muitas congregações – e até denominações inteiras – a proclamar a cada dia “o novo de Deus”, que na verdade são invenções de seus líderes, com o objetivo de ter os templos sempre cheios. Pois a “novidade” atrai multidões, mesmo que, de novidade mesmo não tenha nada. Por exemplo, os tais “atos proféticos” e de “remissão de terras”. Há anos repetem essas pataquadas, que se fosse pra valer mesmo, deveriam ser feitas apenas uma vez. Ou não? Desde quando tem que “remir a terra” todo ano? Ora, o sujeito foi lá em tal lugar, fez o tal “ato profético”, uma pajelança gospel onde se derrama água ou vinho no chão, joga-se sal ou óleo, toca-se o shofar mágico, e pronto, a terra foi remida, seja lá o que queiram dizer com isso. Só que aí, no que vem, os caras voltam e fazem tudo de novo. Tem cidade onde só falta o “ato profético” entrar no calendário oficial, já que todo ano fazem a mesma coisa (e o pior é que nunca acaba a corrupção, a prostituição, os crimes, a macumbaria, as mortes e suicídios, todas as coisas contra as quais se fazem “atos proféticos” e “remissão de terra”; concluo que o “ato profético” é fraco, ou então o diabo anda muito forte).
Eu pergunto: para quê tudo isso? Já não foi remida terra? Para que remir de novo? Isso é “o novo de Deus”?
Respondo: não, é apenas um atração para manter o povo entretido.
2 - porque se haviam afastado tanto da Palavra de Deus que quando aparecia um milagreiro ou um adivinho qualquer o povo logo se maravilhava; e assim, quando surge um desses travestido de líder evangélico, a multidão de seguidores só aumenta.
Estão aí espalhados por todo canto os “profetas” que “recebem revelação”, que quando se levantam e dizem “eis que te digo”, todo mundo pára; sem falar na grande semelhança que existe entre igrejas chamadas pentecostais, a renovação católica “carismática” e as manifestações da umbanda. Talvez todas tenham a mesma origem e objetivos – isso você pode verificar por conta própria.
A bem da verdade, quase não há mais diferença entre igrejas católicas carismáticas e evangélicas pentecostais, a não ser, talvez, a presença ou não de imagens; além disso, certos cultos de “reteté” são verdadeiros centros de macumba gospel, doa a quem doer. A propósito, há quem diga que o movimento pentecostal tenha começado por iniciativa da igreja católica, que teria infiltrado agentes secretos no meio evangélico para disseminar coisas que eles já experimentavam há muito tempo, como por exemplo os “êxtases espirituais”.  Veja aqui e aqui.
Em todos esses movimentos há “profetas”. Mas eu desafio todos eles a uma comparação com Efésios 4:11. Edificam eles o Corpo de Cristo? Ou atrofiam o Corpo, impedindo os membros de se desenvolverem, deixando-os dependentes desse narcótico?
Essas “profecias” chegam a se cumprir, ou acabam caindo no esquecimento, soterradas por outras “novas”, fazendo com que as primeiras não sejam devidamente julgadas (I Coríntios 14:29)? E quando se cumprem, no fim Deus é glorificado, ou é o “profeta” que ganha fama?
Tudo isso é um exagero que provocou, ao longo do tempo, uma ojeriza tão grande dos chamados “tradicionais”, que nas igrejas mais conservadoras se chegou ao extremo de negar completamente qualquer tipo de profecia. Para eles, que adotam (muitas vezes sem perceber) o chamado “cessacionismo”, os dons espirituais desapareceram por completo ao fim do primeiro século: quando morreu o último apóstolo (João), acabaram-se os dons, pois a Igreja não mais precisava deles (dos dons).
É ensinado também que as profecias bíblicas foram dadas para a formação do cânone sagrado. Sim, mas há muitas profecias que também foram ditas e não entraram no cânone sagrado, como as de Hulda, de Saul, de Saulo, de Filipe e de suas filhas etc. A Bíblia diz que todos eles eram profetas, mas não há registro do que ou sobre o que profetizaram. Isto não os desqualifica como profetas, nem diminui o valor das profecias que entregaram.
Mas ainda assim é ensinado que “cessaram as profecias”, alegadamente com base em I Coríntios 13:8-10. Eu entendo que o trecho faz menção à volta de Jesus, “o que é perfeito”; aí sim não mais será necessária nenhuma profecia, pois tudo já estará cumprido. Hoje não, o Perfeito ainda não veio. 
Meus irmãos mais tradicionais, a quem eu admiro e respeito, dizem que quando alguém prega o Evangelho está profetizando. Eu discordo: isto não é profecia, é evangelização, ora, e existe o ministério do evangelismo lado a lado com o de profecia. Isto não é profecia, é evangelismo.
Há profetas hoje? Eu creio que sim. Por mais que isto possa parecer polêmico, Silas Malafaia é um profeta nos moldes de João Batista, por sua coragem em denunciar o que há de podre na sociedade, e por isto sofre perseguições e antipatia de amplos setores que se acham progressistas. Não entro aqui no mérito da sua pregação sobre prosperidade, sua opinião política e sua mudança de foco em outros temas, como por exemplo, quando num dia apoia e no outro malha a Universal. Isto é outro assunto. Ele pode até errar nisso,  e sobre essa possibilidade Jesus já avisou em Mateus 7:22; mas eu o considero, naquele primeiro aspecto, um profeta.
De modo que eu penso que nem um extremo – profetadas a torto e a direito, totalmente desvinculadas da Palavra de Deus – nem o outro – negação cabal de toda e qualquer profecia – estão certos. É preciso aferir a alegada “profecia” com o prumo da Palavra, e julgar com sabedoria o que foi dito. Não o profeta (I Coríntios 14:29), que isso é tarefa de Deus, mas julgar a profecia é mandamento para nós, hoje.
Não podemos nos dar ao luxo de nos deixar corromper, como nos advertem Provérbios 29:18, I Samuel 3:1, e principalmente, I Tessalonicenses 5:20: “não desprezeis as profecias”. Sigamos o mandamento de Paulo em I Coríntios 14:1 - Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.

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