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terça-feira, 8 de março de 2011

A MATRIX evangélica (1)

Quando eu falei da saída do Kaká da Renascer, tentei mostrar mais ou menos como funciona o processo de ocultação da realidade que ocorre em muitas instituições religiosas. Citei o mito da caverna, no qual uma pessoa que descubra uma realidade diferente daquela que até então se pensava ser a única válida, acaba expulsa da comunidade. Num dialeto evangeliquês, está “fora da visão”, é “rebelde”, não está “sob a cobertura do líder”. É herege: agora não está mais “sob a cobertura do apóstolo”.
Muitos ainda estão presos às estruturas eclesiásticas, sem a menor necessidade. Mas desde quando é preciso haver uma estrutura eclesiástica? A Igreja possui uma ordem muito clara, um sistema de autoridade estabelecido por Jesus e pelos apóstolos (os de verdade), que é: quem quiser ser o maior, que seja o menor. Que sirva os demais. Que trabalhe para os demais, sem esperar nada em troca. São distribuídos diversos dons entre os membros da Igreja, a começar pelos diáconos (Atos 6), que são instituídos para que? Para servir. 
Há os dons – não cargos – de pastor, evangelista, mestre, apóstolo e profeta (Efésios 4), sem conotação de hierarquia, cujo objetivo é o crescimento do Corpo (4:12), não o governo de uns sobre os outros. Pelo contrário, esse tipo de domínio é condenado pela Bíblia em Apocalipse 2:6, onde os “nicolaítas” não são “seguidores de Nicolau”, como pensam alguns, mas sim, quem exerce domínio sobre o povo (“nike”= dominar, vencer, sobrepujar + “laos”= povo).
Ora, se não aceitamos a imposição humana, hierarquias cuja única função é exercer domínio e “liderança”, podemos ser considerados rebeldes? Se rejeitamos rótulos como “bispos”, “apóstolos” - e agora até “patriarca” a igreja evangélica já tem - rótulos esses que funcionam como patentes militares, estamos errados? Aliás, o pessoal da batalha espiritual tem “generais de alta patente”, que atuam em “esferas elevadas”... Duvida? Leia “Confrontando A Rainha dos Céus” de C. Peter Wagner, com tradução de, adivinhe, Mike Shea, publicado pelo “Instituto” Wagner Para Ministério Prático, 1998. Ainda vou escrever sobre o pragmatismo um dia desses. 
Tudo isto serve a um único propósito: a criação de uma cortina de fumaça que esconde a real motivação desses pseudo-líderes. O poder e o dinheiro. Doa a quem doer.
Pergunto de novo: Desde quando é preciso haver uma estrutura eclesiástica? 
Pedro afirma que não precisamos de sacerdotes: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (! Pedro 2:9). Se todos somos sacerdotes, não precisamos de um clero profissional. Logo, as contribuições devem servir ao sustento dos mais pobres e necessitados, e da obra de Deus (evangelização, literatura, missões). Não para “a casa do tesouro”, que não existe mais; não para engordar a pança de pregadores toscos e cada vez mais barrigudos, nem para comprar carros e casas de luxo. Já ouvi dezenas desses mercenários dizerem que um gerente de uma empresa não pode andar esfarrapado, nem a pé ou de ônibus; nem morar “mal”, e assim deve ser o “líder” de uma igreja, para causar boa impressão (!). Ele que arranje emprego no banco então. Não existe isso na Igreja. Meio de vida, fonte de renda.
A propalada “cobertura espiritual” se baseia na idéia de que se eu pertenço a uma denominação, sou magicamente “protegido”. A noção de que “estou coberto” porque presto contas a alguém (como a igreja católica presta contas ao “papa”) é pura ficção. A proteção está na submissão ao Espírito da verdade no Corpo de Cristo (1 João 2:20,27). O sistema de prestação de contas de cima para baixo substitui a mútua sujeição. Em outras palavras, obscurece a sujeição mútua com a neblina do clericalismo. 
Se você duvida do controle hierárquico da igreja, investigue, e verá que quem questiona a autoridade clerical faz estremecer todo o sistema religioso. Se você for uma dessas pessoas, prepare-se para ser vítima de difamação e calúnia, chamado de “herege”, “agitador”, “perturbador”, “rebelde” e “revoltado”. A retórica religiosa foi planejada para sufocar a reflexão. Seu propósito é tirar do caminho aqueles que divergem do status quo. Por conseguinte, a casa de Deus sofre por causa dos que alimentam um espírito de censura. Padece nas mãos dos que expulsam os que são preciosos a Seus olhos. É atribulada pelos que fecham a porta da casa aos membros da família (3 João 9, 10).
Os que usurpam autoridade gostam ser elogiados, porque “guardam as ovelhas”. Dizem que alguns se separam do Corpo de Cristo. Mas contrariando o princípio bíblico da mútua sujeição, que enfatiza a submissão de uns para com os outros, a “cobertura” se parece mais com a relação amo/escravo que caracteriza as seitas: os membros seguem com obediência inquestionável e sem reservas um único líder ou organização.
O ensino da “cobertura” é utilizado como um laço para capturar aqueles que não se encontram sob uma bandeira denominacional. A “cobertura” é uma arma para assegurar o terreno teológico.
O próprio sistema clerical de um “pastor” ou “ministro” sobre uma congregação é contrário aos ensinamentos do Novo Testamento. Veja por que da posição de clérigo na “igreja” não está de acordo com a Palavra de Deus:
1) O Espírito de Deus não é colocado em Seu devido lugar de dirigente em uma assembléia. Já que Ele não é o que dirige e regulamenta os procedimentos, toda a idéia de colocar um clérigo naquele lugar praticamente tira o lugar do Espírito.
2) Viola o princípio do sacerdócio de todos os crentes (1 Pedro 2:5, Apocalipse 1:6, 5:10, Hebreus 13:15-16).
3) Proíbe o livre exercício dos dons na assembléia por limitar o ministério a uma só pessoa que tem o “direito” oficial a ele (1 Coríntios 12, 14).
4) Onde existem um ou dois homens basicamente responsáveis pelo ensino na igreja local, como é o caso do assim chamado “pastor” ou “ministro”, não há como conferir o ensino. Conseqüentemente, existe o perigo de interpretações unilaterais, se não de doutrinas erradas mesmo. Por outro lado, onde o Espírito Santo tem a liberdade para falar através dos vários dons na assembléia, mais facetas da verdade são trazidas à luz. Há também uma grande imunidade de erros onde todos os santos estão assiduamente comparando Escritura com Escritura (1 Coríntios 14:26-32).
5) Promove separação. Já que o sistema não permite a liberdade das pessoas contribuírem no ministério, freqüentemente se desenvolve uma carência do exercício nas coisas divinas. Muitos não se interessam com o ministério, já que a “igreja” paga alguém (o clérigo) para fazer esse serviço por eles. Conseqüentemente, o desenvolvimento do exercício espiritual e o crescimento dos santos são impedidos (1 Coríntios 3:1-4, Hebreus 5:11-14). Surge o crente bancário, que só fica sentado no banco da igreja.
6) Favorece a reunião em torno de um orador, e por isso viola o princípio de Deus de que os cristãos se reúnem pelo Espírito somente no Nome do Senhor Jesus Cristo (1 Coríntios 1:12-13, 3:1-4, Mateus 18:20): surgem o “ministério do pastor fulano” e fã-clubes em vez de congregações.
7) Interfere com a responsabilidade direta do servo com o Senhor no exercício do dom. O clérigo profissional se torna responsável diante de uma organização, que paga seu salário. Ele é responsável em manter seu padrão e método de ministério, e alcançar o alvo que a organização estabelece para ele; e por isso, ele tende a ser controlado pela organização mais do que pelo Senhorio de Cristo (1 Coríntios 7:22-23, Gálatas 1:10).
O que os “pastores” e “ministros” pensam destas coisas?
Talvez alguém pergunte ao “pastor” ou “ministro” da sua denominação sobre estas coisas, e lhe será dito que não estamos certos. Ele provavelmente não irá aceitar estas verdades porque elas dizem respeito justamente à posição em que ele se encontra. Se estas coisas são verdade (e elas seguramente são), então onde elas colocam um homem que ocupa a posição de um “pastor”? Estando “no ministério”, como uma profissão, para ele, a conseqüência prática da aceitação desta verdade, significa estar desempregado!
Não estamos insinuando que todo pastor está “no ministério” somente por um emprego. Ele pode fazer seu trabalho conscienciosamente, e com o melhor da sua habilidade. Mas entregar seu lugar naquele posto lhe custará muito. Se os cristãos quisessem deixar a ordem de coisas feitas por homens nas igrejas para praticar o cristianismo bíblico verdadeiro, não teriam muito a perder demitindo um clérigo profissional.
Contudo, se um clérigo quer ser fiel à Palavra de Deus, e atuar em obediência ao Senhor, Deus o suprirá, pois Ele disse: “Honrarei aos que me honram”. (1 Samuel 2:30, 2 Crônicas 25:9).
É por isso que eles não pregam a verdade sobre o dízimo, por exemplo.
Vai ter mais.
(com trechos de "Quem é a tua cobertura?", de Frank Viola)












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