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sábado, 13 de abril de 2013

O silêncio profético (final)


Vimos antes que, por duas vezes, durante mais de quatro séculos cada uma, parecia que Deus estava ausente.  Na primeira vez, enquanto o povo sofria nas mãos do Faraó egípcio, muitos talvez dissessem que a promessa da Terra Prometida era uma ilusão. Se fossem olhadas apenas as circunstâncias, muita gente talvez perdesse a fé. Pode ser esta a razão de tantos hebreus, ao saírem sob a liderança de Moisés, ainda sentirem saudade das cebolas do Egito. Acostumaram-se com a comida, com as músicas, com as (poucas) roupas. Estavam adaptados, integrados, e por isso tiveram saudades das cheias anuais do rio Nilo, que traziam a prosperidade passageira e a crença ilusória nas forças da natureza. Não entendiam ainda o que era depender do maná que cairia dos céus, de maneira sobrenatural. E em vez de entender que o silêncio de Deus era, de fato, o tempo em que o Senhor preparava a terra de Canaã para recebê-los, se desapontaram e logo se voltaram para o bezerro de ouro.
Na segunda vez, ao findar o livro do profeta Malaquias, cessou a revelação profética por quatrocentos e trinta anos, o mesmo tempo em que os antigos viveram no Egito. Somente com João Batista, cerca do ano 30 da era Cristã, é que o povo ouviu outra vez um profeta da parte de Deus. Por isso talvez muitos pensaram que era Elias retornando, o mesmo que não havia passado pela morte, pois fora arrebatado num carro de fogo. Alguns poucos, ainda movidos pela esperança do Messias, indagaram a João se era ele o que havia de vir. Mas a maioria dos judeus estava preocupada com outras coisas: os impostos que deviam ser pagos a César, e o medo das revoltas que aconteciam de tempos em tempos, desde a época dos Macabeus, e que invariavelmente acabavam com execuções públicas. A magnificência do Templo herodiano era um alívio, pois restaurava um pouco do orgulho nacional, ao mesmo tempo que era mais uma carga a ser sustentada com as ofertas compulsórias recolhidas por um sacerdócio cada vez mais corrupto e comprometido com as autoridades. Poucos ainda descansavam nas promessas. Esses viram a vinda do Filho de Deus. Simeão, Natanael, Ana, e mesmo os magos do Oriente, não se deixaram impressionar pela grandiosidade de Roma, pelo fausto de Herodes, pela magnificência do Templo. Não estavam nem aí para a erudição dos fariseus, para o humanismo e a modernidade dos saduceus; não se contaminaram com a cultura dominante e “chique” dos gregos; não foram seduzidos pelo poder como os herodianos. Não “esfriaram” durante os quatro séculos de “silêncio profético”.
Eram homens e mulheres espirituais que procuravam nas Escrituras a verdade. Por isso, o nascimento do Messias passou despercebido da maioria das pessoas. Naqueles dias, depois de Malaquias e antes de aparecer João Batista pregando no deserto, poucos judeus esperavam um messias sofredor. Poucos estavam atentos ao cumprimento das profecias. Como nos dias de Moisés, Deus até podia estar em silêncio, mas estava trabalhando, preparando Israel – e o mundo – para a vinda do Salvador.
Cristo veio ao mundo nos dias do Império Romano. O mundo civilizado de então – pelo menos na porção ocidental – vivia sob um governo único, uma lei universal. Era possível obter cidadania romana, ainda que a pessoa não fosse romana de nascimento. O Império Romano mostrou as tendências de unificar os povos de raças diferentes numa organização política. Na plenitude dos tempos, quando a maior parte do mundo ficou sob uma lei e um governo, e todo o mundo falou a mesma língua diariamente, Cristo veio, cumprindo as profecias. O mundo foi preparado para a vinda de Cristo. O Apóstolo Paulo escreveu: “Mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho” (Gálatas 4:4). Marcos afirmou o mesmo, dizendo: “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo” (Marcos 1:15). E não é o que está em curso novamente? Muitos que desdenham o dispensacionalismo e o arrebatamento pré-tribulacional fingem não enxergar os sinais do arrebatamento e da segunda vinda de Cristo. Havia paz na terra quando Cristo nasceu. Os soldados romanos asseguravam a paz nas estradas da Europa, Ásia, e norte da África. Assim também ocorrerá quando vier o Filho do Homem (I Tessalonicenses 5:3). A medida dos cananeus está quase completa! Veja Gênesis 15:16.
Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, foi usada uma versão adulterada da “Septuaginta”, com a inclusão de livros apócrifos que não faziam parte das Escrituras Hebraicas, dando a impressão que esses acréscimos também fossem divinamente inspirados. É por isso que muitos ateus e “intelectuais”, confundindo os profetas originais com os anexos lendários dos quais falamos antes, dizem, por exemplo, que o livro de Daniel foi escrito nessa época, depois das profecias já cumpridas. E que o escritor de Esdras e Neemias é o mesmo da “Sabedoria de Salomão”, um livro apócrifo claramente inspirado em idéias helenísticas. E depois, com Constantino, os líderes eclesiásticos vão se politizar cada vez mais, transformando o Cristianismo no catolicismo medieval que não aturava dissidências (veja mais aqui). Isto vai culminar nas resoluções do Concílio de Trento, pelas quais a igreja católica adota como oficiais 7 dos livros apócrifos (Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I Macabeus e II Macabeus) e mais 4 apêndices/acréscimos a Ester (10:4-31) e Daniel (3:24-90, caps. 13 e 14), colocando-os no mesmo patamar dos livros inspirados.  Todo aquele que não recebe, como sagrado e canônico, todos esses livros, e cada parte deles, como são comumente lidos na Igreja Católica, e que estão contidos na edição da Antiga Vulgata Latina, ou deliberada e propositalmente desprezar as tradições acima mencionadas, seja amaldiçoado” (Concílio de Trento, quarta sessão, 1545) – Fonte.
Hoje, em algumas denominações evangélicas, ocorre algo semelhante. A “palavra profética do apóstolo” [sic] é tida como divinamente inspirada, infalível, e ai de quem ousar discordar “do ungido”. Há registros aí para quem quiser ver, que líderes denominacionais dizem abertamente para o povo não ler a Bíblia!
No final do período do “silêncio profético”, Herodes resolveu agradar ao povo embelezando o Templo de Jerusalém. Diz o historiador Flávio Josefo que Herodes o dobrou de tamanho, em relação ao de Salomão. Isso não expressava sua fé – ele nem judeu era – mas foi uma tentativa de conciliar seus súditos. O Templo de Jerusalém, decorado com mármore branco, ouro e pedras preciosas, tornou-se proverbial, motivo de orgulho dos judeus. Ver Marcos 13:1. Não é o que vemos hoje? Com o crescimento das denominações, surgem os mega-templos das mega-igrejas, e seus líderes incrédulos, que não são pastores, mas homens de negócios. Dizem que estão fazendo a réplica do templo “de Salomão”; entretanto, esse de São Paulo, por ser muito maior, foge muito da especificação bíblica, e ainda por cima, segue as linhas gerais do templo de Herodes, não do de Salomão. Em todo caso, isso nem importa tanto, porque Deus não habita em templos há muito tempo... mas homens carnais insistem em construí-los para sua própria e particular glória. Como nos dias de Herodes, Deus não só não habita lá como já nem mesmo visita os locais de reuniões de certos públicos; foi-se a glória! Deus se retirou, mas o povo não percebeu ainda, como os judeus de outrora, que transformaram o templo em si no objeto de seu culto, mesmo que Deus não se manifestasse havia séculos!
Há um silêncio profético. É mais eloqüente a corrupção, não apenas no sentido político ou econômico, mas a corrupção da moral e dos costumes, com a proposição de leis contrárias à família, à liberdade de culto e de opinião, com larga repercussão na mídia partidária e tendenciosa, com vasto apoio de artistas e “intelectuais”. Como nos tempos apostólicos, o mundo odeia o Evangelho, e faz de tudo para calar os profetas. O mundo não quer que se denuncie o pecado, e protesta contra a libertação da escravidão, pois isto significa o fim de seus ganhos, de sua fama, de sua exposição sob os holofotes. Atos 17:5-9; 19:24-41.
Podemos ter certeza de uma coisa: ao fim desse período de aparente silêncio de Deus, algo grande vai acontecer. Quando ocorreu a libertação do povo de Deus, na época de Moisés, um longo tempo de provação havia forjado uma tribo semi-bárbara em um povo unido em sua fé no Deus de seus antepassados; eles tiveram que se apegar às Promessas! Quando Jesus veio, Israel já amargava um longo tempo de sequidão, onde não se tem noticias de profetas que consolassem o povo; mas havia a Palavra Escrita, que prometia o Messias.
Hoje, devemos nos ater à Palavra Escrita e às promessas de Deus. A semelhança com o tempo do silêncio profético também é vista aqui: em nossa busca por “profetas”, não nos deixemos enganar pelos picaretas que procuram preencher a suposta lacuna com “novas revelações”.
Habacuque clamou: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás?” (1:2). Mas às vezes Deus se expõe através do silêncio. Embora possa parecer que durante esses períodos da história bíblica – e em nossas próprias histórias – que Deus esteja distante, a mão poderosa do Altíssimo estava operando por trás das cortinas, oculta ao sofrimento do seu povo, preparando um libertador, um resgatador. Deus não estava omisso, pelo contrário. O que Ele determinou estava sendo posto em ação e as pessoas estavam alheias, assim como acontece hoje em relação às profecias do tempo do fim e do juízo de Deus.
Muitas vezes não ouvimos a voz de Deus por causa de nossa comemoração, como naquela música que diz “festa, alegria”! Pode ocorrer de nunca nos lembramos de abaixar a música e acabar com a festa. Não criamos um ambiente necessário para ouvir a voz de Deus. Nem sempre Deus fala na ventania ou no terremoto, mas de modo manso e suave (I Reis 19:11,12).
Estava Deus em silêncio no período inter-testamentário? Não. Ele preparava o cenário para a vinda do Seu Filho. Está Ele em silêncio agora, já que a Bíblia foi selada no livro de Apocalipse? De forma alguma! Ele já revelou o que tinha a ser revelado, assim como revelou nos supostos “silêncios” anteriores; o que precisamos é atentar para as concretizações do que está escrito.

Fontes de informações:
(http://www.verdade-viva.net/quatrocentos-anos-de-silencio/, baseado no livro “O Período Interbíblico”, do pr. Enéas Tognini)

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