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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quanto vale um judeu?

O acordo entre o governo de Israel e o Hamas (grupo terrorista que manda na Autoridade Palestina), que envolveu a libertação do jovem soldado israelense Gilad Shalit, seqüestrado por terroristas palestinos em 2006, em troca de nada menos que 1027 detidos palestinos, deveria provocar em nós algumas reflexões. Mais do que uma simples troca de prisioneiros – o que, aliás, era fato corriqueiro durante a Guerra Fria, retratado até mesmo em filmes do tipo James Bond – essa negociação em particular deverá ter conseqüências muito mais extensas e profundas.
Inicialmente foi divulgado que entre os libertados estaria Abdullah Marwane Barghouti, porém Israel negou. Barghouti, um ex-estudante de engenharia kuwaitiano, foi um dos líderes da segunda Intifada, em 2000; é especialista em explosivos, acusado por cinco homicídios diretos, e em 2007 foi acusado pela morte de mais 66 israelitas e condenado à prisão perpétua. Entre outros possíveis libertados está Ibrahim Hamed, chefe das operações militares do Hamas na Faixa de Gaza, a quem o ex-primeiro-ministro Ehud Olmert se referiu como “extremamente perigoso”.
Uma pesquisa mostrou que 79% dos cidadãos israelenses entrevistados são a favor da libertação de Shalit; mas quando a pergunta é sobre as conseqüências da negociação, 50% se mostram preocupados com a quantidade de militantes palestinos postos na rua, um vez que não existe polícia na Palestina, nem controle de porte de armas: muitos desses poderão, em poucos dias, estar de volta à triste rotina dos atentados contra Israel. Os Estados Unidos já avisaram que vão ficar de olho nesse pessoal.
O primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, que em 1976 perdeu um irmão numa operação para libertar cidadãos israelenses seqüestrados por terroristas, da mesma forma que Shalit, disse que entende a dor dos parentes de vítimas de atentados, contrários à soltura dos palestinos, mas salientou que era preciso esse esforço final para libertar Shalit: “Israel não abandona seus soldados”.
Algumas coisas precisam ser ditas.
Primeiro precisa ficar claro que Israel não é contra a criação de um estado palestino com quem conviva pacificamente. Isto é uma realidade aceita não apenas pelo governo, mas também pela grande maioria da sociedade israelense. Israel, no entanto, considera fundamental obter garantias de segurança. Basta lembrar que a Faixa de Gaza é controlada desde 2007 pelo Hamas, grupo fundamentalista que assumiu o controle através de um golpe e que prega abertamente a destruição do Estado judeu, tanto que é de lá que saem os mísseis que atingem rotineiramente o sul de Israel, e também armas e explosivos contrabandeados; por isso a cerca na fronteira. Já no sul do Líbano impera o Hezbolah, que também deseja o fim de Israel, com apoio político, financeiro e militar do Irã.
Esquecem-se que sempre quem leva tinta é Israel, que assinou tratados de paz independentes com o Egito (1979) e a Jordânia (1994) e, nas duas ocasiões, abriu mão de terras, petróleo, colônias ou vantagens estratégicas em prol de um acordo pacífico. Israel forneceu terras, dinheiro, armas, treinamento e serviços de inteligência à Autoridade Palestina, esperando reciprocidade e o fim dos atos terroristas e do incentivo à violência. A fórmula “terra em troca de paz” indica que cada um dos lados entra em acordo com o outro em troca daquilo que mais deseja: no caso dos árabes, terras; para Israel, paz. Tanto que em 1917, 1937, 1947, 1956, 1979 e 1993 os líderes israelenses seguiram esse padrão - terra em troca da paz com seus vizinhos. Os árabes obtiveram as terras, e cada vez mais terras; mas Israel não conseguiu a paz. Em 1967, por exemplo, Síria e Egito coordenaram uma ação que terminou mal: a Guerra dos Seis Dias. Israel chegou em poucas horas às portas do Cairo e de Damasco, forçando os agressores a uma rendição humilhante; reconquistou Jerusalém, tomou o Monte do Templo, as Colinas de Golã, a Cisjordânia (a “Margem Ocidental”), a Faixa de Gaza e a Península do Sinai. Depois, numa atitude inédita, devolveu tudo menos Golã aos perdedores. Nunca antes na História mundial o vencedor de uma guerra sofrera tanta pressão internacional para devolver territórios aos derrotados. A seguir tais raciocínios, a Inglaterra deveria fazer o mesmo e devolver as Malvinas à Argentina, e os Estados Unidos deviam restituir o Texas e a Califórnia ao México; mas a comunidade internacional continua a pressionar o Estado Judeu a ceder mais e mais aos palestinos.
Na Europa, as comunidades árabes comemoram a libertação dos 1027. No resto do mundo poucos percebem o que ocorre na Europa há décadas, mas o fato é que as pretensões de islamizar o continente já existem há séculos. Esse objetivo jamais foi abandonado pelos muçulmanos, pois é parte integrante de sua ideologia de conquista do mundo, que é camuflada religiosamente. Seus seguidores devem empenhar-se inflexivelmente em submeter todos os países ao Corão e à lei islâmica, a sharia. Demográfica e culturalmente a Europa se encaminha para uma grande reviravolta.
A Dra. Bat Ye’or, nascida no Egito e residente na Suíça, estudiosa do islã e autora consagrada, analisou atentamente o dilema europeu frente a Israel e à herança judaico-cristã em um simpósio realizado na Universidade Hebraica, em Jerusalém. Segundo ela, a elite intelectual e política européia é movida por um pacto entre a União Européia e a Liga Árabe. Após a Guerra do Yom Kippur, em 1973, e antes da crise do petróleo desencadeada pelos árabes, a França conduziu a então Comunidade Européia à criação da Sociedade para o Diálogo Euro-Árabe. A Europa obteve direitos de pesquisas petrolíferas e, em contrapartida, comprometeu-se a defender as posições árabes. Isso significa apoio às “fronteiras” de 1949, ao domínio árabe sobre Jerusalém, e à Autoridade Palestina.
Outras conseqüências foram a migração maciça de árabes para a Europa, a edição de livros escolares em árabe sob supervisão islâmica e o fomento à cultura maometana. As negociações dessa entidade euro-muçulmana acontecem sempre a portas fechadas, sem registros por escrito.
A pesquisadora referiu-se à “remoção das raízes judaicas do cristianismo” e mostrou que o islamismo considera essas duas religiões “inferiores”. Na futura “Eurábia”, Jesus seria apresentado apenas como um profeta muçulmano. Ela afirma que as notícias giram sempre em torno dos "palestinos", para desviar a atenção dos genocídios cometido por muçulmanos (por exemplo, no Sudão, onde dois milhões de pessoas foram dizimadas). Nas universidades européias já estaria sendo propagada a superioridade do islã. Os que se opõem à jihad (guerra santa) islâmica são chamados de tiranos e acusados de criar inimizade entre o cristianismo e o Islã. Assim, a Europa está madura para aceitar o Islã.
É significativo o avanço do Islã na Europa, paralelamente ao anti-semitismo e às tendências pró-árabes. Por exemplo, uma pesquisa em quinze países mostrou que 59% dos entrevistados consideram Israel empecilho para a paz. Em inúmeras igrejas não é mais possível mencionar Israel. Líderes religiosos criticam tudo o que tem qualquer relação com o Antigo Testamento e negam a legitimidade histórica de Israel, substituindo o Jesus judeu por um Jesus palestino, mais adequado à propaganda árabe.
Exemplo claro dessa pressão foi lido na imprensa recentemente.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou que a chamada “primavera árabe” deixa Israel “cada vez mais isolado” no Oriente Médio. 
Em declarações em uma viagem pela região, Panetta disse: “Não tenho dúvidas de que eles (Israel) mantêm uma vantagem (militar). Mas a pergunta é - faz sentido manter uma vantagem militar se você está isolado na arena diplomática? Israel precisa reparar os vínculos diplomáticos com países como Egito e a Turquia”, afirmou. “Neste momento espetacular no Oriente Médio, quando aconteceram tantas mudanças, não é uma boa situação para Israel ficar isolado. E é isto o que ocorre”, analisou o funcionário, aparentemente se esquecendo de que Israel é a única república democrática em toda a região. É preciso lembrar que os valores apregoados pelos Estados Unidos e pela Europa (e, diga-se de passagem, pela burguesia internacional e seus seguidores tupiniquins) – democracia, liberdade, livre mercado, eleições honestas, alternância no poder – só existem em Israel. Países árabes vivem sob pesadas ditaduras e monarquias absolutistas há séculos, e só agora, apoiados pela OTAN, alguns deles ensaiam revoltas; mas a única que chegou a termo, nesse momento, é a do Egito, embora ainda não se saiba que tipos de Estado emergirão da tão exaltada “primavera árabe”. O sociólogo francês Daniel Cohn-Bendit, deputado do Parlamento Europeu, que participou e teorizou sobre os movimentos de maio de 1968, alerta para o risco de totalitarismo, ou seja, tudo pode continuar como dantes... Uma coisa é certa: Israel continuará a ser visto como inimigo a ser destruído pelos árabes, com a conivência européia.
Isto posto, vemos que, a contragosto, a fim de atender à insensibilidade mundial, Israel mais uma vez faz um negocio desfavorável. Gilad Shalit é valioso: vale o mesmo que 1027 palestinos. Ou, se preferir o inverso, um palestino vale exatamente 0,009737 de um soldado israelense. Mas por mais valor que possa ter Gilad Shalit, estão sendo postos na rua mais de mil militantes cujos objetivos todos conhecemos muito bem: varrer Israel do mapa, preferencialmente pela via violenta. Quantos desses que estão sendo soltos se explodirão nos próximos meses, levando consigo dezenas, quiçá centenas, de inocentes, junto com seu sonho maluco de um paraíso cheio de virgens? Ninguém sabe. A única certeza que se pode ter é que não haverá paz para Israel, enquanto seu Messias não retornar para resgatar o Seu povo e enfim reinar sobre Jerusalém.
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