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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Roupa nova para velhas heresias (2)

Os ebionitas
Nós já vimos antes que desconhecer a História é correr o risco de repetir os mesmos velhos erros. Vimos rapidamente como Hitler deu um grande passo rumo à derrota na Segunda Guerra Mundial, ao tentar conquistar a Rússia e ser pego pela vastidão do território e pelas agruras do inverno russo, assim como Napoleão mais de um século antes.
Vimos também como velhas heresias e “moveres” se recobrem de roupas novas, a fim de enganar os incautos e os que insistem em permanecer na limitação de conhecimento e de discernimento. Assim que vimos como o montanismo começou com boas intenções, mas errou ao considerar a inspiração interior e as manifestações sobrenaturais mais importantes que a própria Palavra, caindo no fanatismo e por isso, no descrédito. O que acaba contribuindo, infalivelmente, por desacreditar a Bíblia e suas promessas perante o mundo incrédulo.
E da mesma forma, isto é, olhando para trás, podemos ver outros ensinos que um dia cresceram dentro da Igreja e acabaram por criar vários problemas, ao misturar a Palavra de Deus com interpretações tendenciosas de homens equivocados.
O movimento chamado “ebionismo” foi um desses, cujos ecos ainda podemos ouvir depois de 20 séculos. O ebionismo (do hebraico, evyonim, “pobres”) pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torah como prega a doutrina paulina. Ensinavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam obedecer a todos os mandamentos da Lei de Moisés, incluindo a guarda do Sabbath e a circuncisão (os gentios que se convertessem a Deus deveriam ser circuncidados).
Conforme relatam Eusébio de Cesaréia (História Eclesiástica, 3:27) e Epifânio de Salamina (Panarion 30:3:7 e 30:13:1-2) os ebionitas usavam um único evangelho incompleto e truncado (chamado de “Evangelho dos Ebionitas”). Considerado como sendo o Evangelho de Mateus escrito em hebraico, era de fato significativamente menor do que o Evangelho canônico de Mateus, originalmente escrito em grego. Este evangelho era também chamado de “Evangelho segundo os Hebreus”, e também é citado por Jerônimo.
As origens do ebionismo parecem ser antigas. O choque entre os cristãos “judaizantes” e os cristãos gentios já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre os dois grupos obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Em Atos 21:20-21 onde consta que havia em Israel milhares de judeus que criam em Jesus Cristo e eram “zelosos observadores da Lei”. Houve confronto, pois os judaizantes entendiam que Paulo mandava desobedecer a Lei. Eu entendo que foi esta a razão de Paulo haver feito o famoso “voto em Cencréia” (que muitos cristãos ainda hoje usam para justificar o “fazer votos”). Penso que Paulo, como judeu, até podia fazê-lo, e somente o fez para mostrar aos judeus que ainda era judeu. Nós não, não somos judeus e não precisamos “fazer votos”.
Voltando à História, os judeus cristãos de Atos 15:1 e Atos 21:20 não eram ainda chamados ebionitas (esta denominação somente começou a ser usada mais tarde), mas na prática já eram ebionitas. A briga entre judaizantes e os anti-iudaizantes aparece também em Gálatas 2:11-21, onde Paulo relata que Cefas (Pedro), temendo a rejeição dos judeus, ainda seguia seus costumes, talvez por influência de Tiago e por sua vez influenciando a Barnabé. Paulo não concordava com isso e repreendeu a Pedro duramente. Talvez em razão desse episódio, há indícios de que os ebionitas reverenciavam Tiago como exemplo a ser seguido.
No fundo, os ebionitas criam que Cristo nada mais era do que um “novo Moisés”. Negavam sua preexistência, sua encarnação e seu nascimento virginal. No conceito ebionita, embora Jesus fosse o Messias, era puramente humano. Somente no batismo Jesus foi ungido como Messias, ou seja, adotado como Filho de Deus, e sendo descendente de Davi, tornar-se-ia o rei do povo de Israel e seu último grande profeta. Em sua opinião, Jesus era um judeu fiel, piedoso, profeta e mestre inigualável. Já Paulo de Tarso teria sido um apóstata da Lei e não foi um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo; as Escrituras Sagradas para eles eram o somente o Antigo Testamento e o seu já citado Evangelho, que contém o núcleo da doutrina ebionita. Com base em Mateus 5:17-19, onde consta que Jesus Cristo disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas, mas sim cumpri-la, deduziam que a Lei nunca será abolida, e que por isso devemos obedecer a todos os mandamentos da Lei. Em Mateus 7:21-23 Jesus Cristo diz que nem todos os que crêem Nele entrarão no Reino de Deus, mas sim somente aqueles que fazem a vontade de Deus, e que muitos que pregam o evangelho e fazem milagres em nome Dele ficarão de fora, porque praticam a iniqüidade. Isto explica por que este evangelho era o único aceito pelos ebionitas.
Há quem diga que os primitivos cristãos eram todos “ebionitas” (“pobres”), como Epifânio (LC, xxx, 17), Orígenes (LC, ii, 1), e outros. Muitos cristãos primitivos achavam bom serem pobres, pensando em Lucas 6:20, 24: “Felizes os pobres, pois a eles pertence o reino de Deus.... Ai de vós, ricos! Pois já tendes recebido vossa consolação”. Mas alguns estudiosos modernos distinguem os ebionitas de outros grupos como, por exemplo, os nazarenos. Jeffrey Butz, em The Secret Legacy of Jesus, diz que ebionitas e nazarenos se confundiam. “Depois da devastação da Guerra Judaica... não há qualquer demarcação clara ou transição formal de nazarenos para ebionitas; não houve mudança repentina de Teologia e Cristologia” (pg. 137); “Os escritos de pais apostólicos tardios falam dos nazarenos e ebionitas com se eles fossem grupos judaicos diferentes, mas estão errados. Os nazarenos e os ebionitas eram o mesmíssimo grupo...” (op.cit., pg 137).
Os “pais da igreja” diziam que eles eram literalmente pobres, porque tinham pensamentos “pobres” a respeito de Cristo. Por fim, desprezado por cristãos e judeus, o ebionismo constituiu uma ramificação separada e organizou sua própria literatura religiosa.
Onde queremos chegar com tudo isto?
Que por não conhecermos a história da Igreja, corremos o risco de repetir os mesmo erros. Hoje mesmo podemos ver vários indícios de que o ebionismo está vivo e muito bem de saúde. Até comprou uma roupa nova, com a qual costuma comparecer aos cultos toda semana. Duvida? Então veja se estou exagerando.
Quantas denominações hoje em dia já não desenvolveram sua teologia particular, através de “seminários”, editoras, gravadoras de músicas, e até mesmo canais de rádio e TV? Auto-suficientes, numa espécie de feudalismo evangélico, produzem tudo de que necessitam, alimentando pequenos erros que quando são apenas figueiras sem frutos, cheias de folhas, ainda vai... O pior é quando os frutos nocivos começam a cair em outras searas e espalhar o veneno. Comunidades fechadas em si mesmas são um indício de sectarismo; no caso, ebionismo. Olhe bem o terreno onde está pisando.
Elementos judaicos no culto – hoje, em algumas congregações e templos evangélicos, você pensa que está numa sinagoga. Bandeiras de Israel, “sacerdotes” usando tallit e kippah, “levitas” tocando shofar. Não raro, um grande destaque é dado a um menorah de plástico dourado. E alguns vão além, blasfemando de Deus ao fazer uma réplica ordinária da Arca da Aliança, tão vagabunda e sem valor que qualquer um pode tocar sem o perigo de ser fulminado, como aconteceu com Uzá e a Arca verdadeira (I Samuel cap. 6). Já falei sobre isto também aqui.
Outros templos são mais bizarros. Você não precisa nem entrar para pensar que está num ambiente judaico: eles pretendem ser a cópia do templo “de Salomão”. Uma cópia inexata, para ser honesto, pois não somente a fachada e os principais elementos arquitetônicos são copiados do templo “de Herodes” (e não do “de Salomão”, como pensam). E mesmo que fosse esse o templo construído por Salomão, as dimensões estão totalmente fora das especificações... é ou não é uma tentativa tosca de reviver o Judaísmo? Não contentes em vender miniaturas de objetos de Israel, azeite de oliva e água do Rio Jordão, querem reconstruir um templo que o próprio Senhor declarou que não ficaria pedra sobre pedra (Mateus 24:1,2). Indo na contra-mão de Deus, será que esse pessoal nunca ouviu falar do que aconteceu a quem reconstruiu o que Deus destruiu? Por favor, leia Josué 6:26 e I Reis 16:34.
Atos proféticos - outra tentativa de reviver “os dias gloriosos” dos profetas do Velho Testamento, quando a Igreja ainda era um mistério. Era uma época em que os profetas eram instruídos por Deus a fazer certas coisas para ilustrar uma realidade espiritual. Como jogar sal (II Reis 2:21, Ezequiel 43:24), enterrar um vaso de barro (Jeremias 32:14), derramar líquidos (Josué 6:20, I Samuel 7:6; 10:1; I Reis 18:33 etc.). Isso não nos autoriza a tentar provocar acontecimentos com esses “atos”! Tudo aquilo servia para mostrar o que Deus iria fazer - e agora já fez. Um judeu que visse a “sombra” das coisas futuras naqueles objetos e gestos era consolado. Mas nós já temos a realidade que a sombra representava: não precisamos mais da sombra, e sim da Realidade que já chegou. Os antigos profetas anunciavam Jesus para que o mundo o reconhecesse quando Ele viesse, mas os “atos proféticos” das igrejas atuais não traduzem a imagem de Cristo. Quando achamos que devemos obedecer às vozes que ouvimos e às visões que temos, nos mandando fazer coisas que Jesus não mandou, diminuímos o Filho de Deus. Quando as “revelações” e o “novo de Deus” se sobrepõem às palavras do próprio Cristo, estamos fazendo Dele só mais um profeta a quem podemos escolher seguir ou não, como os ebionitas. De novo: os profetas bíblicos falavam o que Deus mandava dizer; os “profetas” de hoje dizem para Deus fazer o que eles querem. Não obedecem a Jesus. E por isso adotam práticas judaicas: ungir objetos, lugares e pessoas é apenas mais um desses erros grotescos, sobre os quais já falamos aqui.
Essa coisa da unção, por sua vez, dá margem à ressurreição de um sistema já revogado, que é a hierarquia sacerdotal: levitas, sacerdotes, sumo-sacerdote. Para os judeus era comum ter uma pessoa que entrava no Santo dos Santos uma vez por ano e falava diretamente com Deus. Mas quando os discípulos, ainda tendo isto em mente, perguntaram a Jesus quem deveria ocupar os cargos próximos a Ele no Reino vindouro, Ele cortou pela raiz: “Não será assim entre vós” (Mateus 20:26). A carta aos Hebreus – ou seja, aos judeus – mostra exaustivamente que esse esquema acabou; mas os ebionitas dizem que não, que o velho sistema ainda está vigente com sua hierarquia, e ainda acrescentam outros cargos: agora não temos só bispos, temos também bispa, apóstola, bispo-primaz, e até patriarca. Veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e mais um monte. Digite no Google e confira.
Outro costume já extinto há pelo menos dois mil anos, mas que insistem em reviver – pelo lucro que dá a uns poucos espertos – é a prática do dízimo e seus correlatos, as ofertas alçadas e de primícias. Mas como isso está ficando muito comprido, prefiro abrir um novo tópico mais à frente para tratar especificamente desse assunto.
Por ora, ilustro dizendo que tenho amigos que defendem o dízimo com base em Mateus 5:17... ebionitas!
Para mim isto é judaísmo infiltrado na Igreja, revivendo coisas que já foram abolidas. O que cabe à Igreja dos gentios está escrito duas vezes na Bíblia: em Atos dos Apóstolos cap. 15:20, 29 e cap. 21:25.

Acatelai-vos do fermento dos fariseus!

Fonte 1; fonte 2; fonte 3; fonte 4; fonte 5; fonte 6

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