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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Reencarnação à luz da Bíblia

“Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?”  (“espírito” André Luiz)


Semana passada falamos sobre o crescimento do espiritismo, que, segundo alguns, tornaria o Brasil a maior nação espírita do mundo. As notícias são de domínio público, pois saíram em várias revistas e portais da internet, e não apenas na revista Contigo, como alguém menos informado possa alegar. Algumas informações podem ter saído incompletas; mas a grande imprensa é ainda mais pródiga na pasteurização da informação: não é o que acontece, via de regra, em relação aos evangélicos? Junta-se tudo num balaio de gatos, como se não houvesse distinção perceptível entre uma igreja presbiteriana e a Renascer, por exemplo, ou entre o bispo Macedo e o pastor Eneas Tognini. Para a grande manada que segue o Jornal Nacional e o Globo Repórter, é tudo a mesma coisa, preconceituosamente estereotipada como “os Bíblias”, “os crentes”, “os que chutam a santa”.
Dessa forma, se na semana passada houve alguma confusão na matéria sobre o crescimento do espiritismo, como alertado pela jornalista e blogueira Tatiana Vasco - que já foi espírita – aproveitamos para fazer uma mea culpa. Aprendemos que “espíritas” são diferentes de “espiritualistas” – percebem a sutileza? E também a não misturar espiritismo com kardecismo. Isto, só mesmo quem vivenciou por dentro esse sistema pode dizer. Eu, graças a Deus, nunca entrei nessa. Outros comentários até chegaram a dizer que havia equívocos, mas nada esclareceram, apenas fizeram uso do costumeiro e preconceituoso “bateu-levou”. Os que se ofenderam não responderam às questões colocadas: podem os mortos interagir com os vivos? E se o diabo é “nosso irmão”, por que Jesus o expulsava, e nunca disse algo como “evolua”?

O ponto central da discussão é que as doutrinas básicas desse sistema – que alguns insistem em rotular de “científico” – divergem radicalmente do cristianismo, e por isso o espiritismo e suas derivações são incompatíveis com o que a Bíblia nos ensina. Senão, vejamos.
A reencarnação. Dicionários e enciclopédias informam que a reencarnação é um “processo no qual uma porção do Ser é capaz de subsistir à morte do corpo”. Até aí, tudo bem. O cristianismo e várias outras religiões e sistemas filosóficos afirmam a mesma coisa. Mas, no espiritismo, essa “porção” seria capaz de ligar-se sucessivamente a diversos corpos para a consecução de um fim específico, como o auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma. Outras definições incluem o ato de entrar uma alma num corpo, que não era o que ocupava numa existência anterior”, e fenômeno em que a alma humana, desligada do corpo pela morte, vai, após um tempo mais ou menos longo, alojar-se em outro corpo humano.

De onde vieram essas idéias? Sabe-se são crenças entranhadas na cultura popular, freqüentes em tanto filmes de Hollywood como em novelas globais. É comum a ideia de que tenham vindo do Budismo, supostamente por suas raízes no Hinduísmo, que também as professa - noção contestada por fontes budistas. Mas é ponto pacífico que o conceito não é moderno, podendo ser rastreado até no Egito Antigo.

Pseudo-estudiosos espíritas e espiritualistas defendem que a reencarnação era um conceito admitido por muitos cristãos. De acordo com eles, numerosos Pais da Igreja (denominação dada a figuras proeminentes do início do cristianismo, na chamada era pós-apostólica, ou seja, após a morte dos primeiros apóstolos) ensinaram essa doutrina e apenas após o Segundo Concílio de Constantinopla, em 553 d.C., a reencarnação teria sido proscrita, apesar de nada haver a respeito no texto do Concílio. Afirmam ainda que Orígenes (185-253 d.C.) defendeu a ideia, e também Gregório de Nissa (um Bispo da igreja Cristã no século IV), entre outros. Entretanto, tais afirmativas carecem de fundamentação histórico-documental. Teólogos cristãos contra-argumentam que Orígenes e Gregório citam o assunto apenas para o refutar: não só se opõem à teoria da reencarnação, como também à ideia de que ela era admitida pelos cristãos primitivos. Com base na análise da atas do Concílio de Constantinopla, sabemos que o tema nem foi citado - fosse para afirmar ou para rejeitar.

Desde os primórdios, o gnosticismo desejava criar uma teodicéia – isto é, uma explicação para a origem do mal – e criou um sistema filosófico em que se procurava, pela sabedoria humana, entender a relação de Deus com o Homem e evitar o que Paulo chamava de “o estigma da cruz”. Os gnósticos defendiam uma separação entre o mundo material e o espiritual. A tarefa de Jesus teria sido ensinar o homem a se salvar por meio de um processo mental e intelectual. Havia diversas sutilezas entre as facções gnósticas. Um desses grupos rejeitava a divindade de Jesus, que João afirmava ter habitado entre nos para revelar a glória de Deus. Outro, o neoplatônico do tipo metafísico, dizia que o espírito do homem era absorvido num ser divino através de sucessivos aperfeiçoamentos. Após a extinção da sua personalidade, o espírito humano integrava-se ao espírito divino. Já os ebionitas criam que Jesus era um homem que se tornou um mestre por ter cumprido fiel e completamente a lei divina.
O apóstolo Paulo fala contra essas idéias em suas cartas aos Coríntios e aos Colossenses; estima-se que se os gnósticos tivessem prosperado o cristianismo não teria passado de uma mera seita filosófica do mundo antigo. Nota-se que muitas idéias que hoje se fazem passar por revolucionárias e alternativas aos “dogmas cristãos” não são nem mesmo originais: são uma colagem de filosofias ultrapassadas e sem base científica, como pretendem.
Diz-se que a doutrina da reencarnação contava com adeptos no antigo judaísmo, mas não há referências a ela no Talmude. Entre poucos judeus cabalistas, prosperou a crença de que almas humanas poderiam reencarnar em corpos não-humanos e pessoas reencarnando em sucessivas vidas, ideias encontradas em obras cabalísticas do século XIII, assim como em escritos místicos do século XVI.
Mas o que há de concreto é que muitas passagens bíblicas citadas como evidência da reencarnação são facilmente refutadas.
II Samuel 12:23 cita o rei Davi se pronunciando sobre a morte de um filho: Todavia, agora que é morta [a criança], por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim”. Sem mais comentários.

Hebreus 9:27 afirma categórica e enfaticamente que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo”. Uma só vez, e logo depois o juízo, não uma sucessão de renascimentos e mortes.
O episódio dos dois ladrões na cruz, em Lucas 23:39-44, também deixa claro que não há estágios intermediários. No verso 43 diz: “Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. E veja bem, o sujeito era um criminoso condenado à morte. Pelo raciocínio tosco do “espírito André Luiz”, teria que reencarnar muitas vezes, e com força, até “abrir caminho pro paraíso”, como dizia uma velha canção. Será que Jesus, tido pelos espíritas como “o mestre mais perfeito”, teria ignorado a tal “lei espiritual”, ao dizer que “hoje estarás comigo no paraíso”? Ou teria Jesus, na hora de Sua morte, mentido para o ladrão pendurado ao Seu lado?
A parábola do rico e Lázaro, em Lucas 16:19-31 – não fala de reencarnação, mas sim sobre a possibilidade de um dos mortos ressuscitar, isto é, viver de novo, no mesmo corpo, não em outro; e também da impossibilidade de se passar de um lugar para o  outro, isto é, do inferno para o paraíso ou destes de volta à terra dos vivos.
O patriarca Jó já sabia disto séculos antes; no livro que leva seu nome, cap. 10:21, ele afirma: “antes que me vá para o lugar de que não voltarei, para a terra da escuridão e das densas trevas”.
A pedra filosofal: o nascer de novo - o argumento central e favorito, supostamente a favor da reencarnação, é a conversa de Jesus com Nicodemos, narrada no evangelho de João, capítulo 3. No verso 3, Jesus diz ao fariseu: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Os tradutores da obra de Kardec “O Evangelho segundo o Espiritismo”, usaram a versão bíblica de Figueiredo como texto base da sua tradução, e assim grifaram o versículo três de João: “Na verdade te digo que não pode ver o reino de Deus senão aquele que renascer de novo”, quando, na verdade, o versículo naquela versão é escrito na seguinte forma: Na verdade, na verdade, te digo, que não pode ver o reino de Deus, senão aquele que nascer de novo”. Renascer já significa “nascer de novo”, enquanto que “renascer de novo” constitui-se em um intolerável pleonasmo que quer provar que a absurda teoria da reencarnação tem fundamento na Bíblia.
Aqui percebemos uma total alienação em relação à Bíblia. Querem de todas as maneiras usar a Bíblia no embasamento dessa doutrina - mas uma leitura cuidadosa nos mostra porque devemos nascer de novo; veja o que diz Paulo: “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus (Efésios 2:1-6).
O texto é totalmente esclarecedor, pois a Bíblia nos deixa claro por que devemos nascer de novo: estávamos mortos em nossos delitos e pecados. O nascer de novo é de ordem espiritual (Romanos 6:4) para se viver uma outra vida longe do pecado, pois quem está em pecado está morto para Deus. Não precisamos reencarnar para pagar pecados! Jesus Cristo já levou na Cruz, sobre si, todas as nossas transgressões (Isaías 53). É por isso que Ele disse: Necessário vos é nascer de novo”; e é por isso que Paulo escreveu: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”!
O verdadeiro cristianismo é diferente. Jesus é mais do que um exemplo, um líder, ou um mestre: Ele é o Salvador, o Todo-suficiente, o único caminho e a consumação de toda vitória (João 19:30). Jesus é o único que pode responder às angustiantes perguntas do "espírito" André Luiz.

(Com informações do Prof. João Flávio Martinez, fundador do CACP, graduado em história e professor de religiões - http://www.cacp.org.br/espiritismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=189&menu=5&submenu=1, e Earle E. Cairns, em “O Cristianismo Através dos Séculos”, Edições Vida Nova, 2 ed. 1995, p. 78-82)

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