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terça-feira, 6 de maio de 2014

A Bíblia é misógina e homofóbica?

Para esta e as próximas postagens, tomarei emprestados alguns trechos de comentários que recebi, contendo dúvidas e críticas ao texto da Bíblia, pelo que já peço licença aos seus autores. Me reservo o direito de não citá-los nominalmente, pois são vários. Os trechos serão transcritos neste tipo de letra.
Enquanto alguns militantes homossexuais se esforçam para se exibir na mídia, outros aproveitam para tentar ridicularizar os seus oponentes cristãos atacando a Bíblia, tachando-a de ser retrógrada. Isso é tão repetido que acaba contaminando outras pessoas, que mesmo não sendo adeptas do movimento LGBT, afirmam categoricamente que há na Bíblia “inúmeros e em nada louváveis exemplos de imoralidade, intolerância, sadismo, misoginia, homofobia, preconceitos e injustiças, (conceitos, preconceitos, superstições e escassos conhecimentos científicos, comuns às pessoas das atrasadas sociedades de suas épocas... inferioridade das mulheres,
consideradas meros objetos sexuais e de reprodução, prêmios de guerra, dominadas pelos homens, cujo desejo seria para o seu marido e nunca contadas nos censos, pensamento esse que, para nossa surpresa, permeia até mesmo as páginas do Novo Testamento, mormente nos escritos de Paulo, declaradamente preconceituoso, misógino e homofóbico”.
E ainda, que ela foi escrita por “um bando de homens ignorantes (ao extremo), machistas, misóginos,racistas e frustrados sexualmente, e que gostariam que a vida sexual da humanidade inteira fosse um porre, como a deles”.Embasam essas opiniões (essas sim, preconceituosas) nos seguintes trechos:
- I Coríntios 11:8 (“Porque o homem não proveio da mulher, mas a mulher do homem”); e 14:34,35 (“as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja”).
Precisamos entender o que se passava na igreja de Corinto, para perceber o seu contexto. E o contexto diz poucas linhas antes (cap.  11:5) que as mulheres oravam e profetizavam, não condenando essa prática. Portanto, I Coríntios 14:33-35 não é um comando absoluto para que as mulheres permaneçam sempre em silêncio na igreja.
O contexto da carta aos Coríntios é a ordem e a estrutura da igreja. Essa igreja era bagunçada (v. 33), como algumas de hoje. Note que nenhum ancião ou pastor é mencionado, e nem mesmo profeta (vs. 29, 32, 37). Todo mundo fazia o que queria, incluindo mulheres falando em línguas estranhas e profetizando ao mesmo tempo, assumindo a liderança nos cultos ao contrário do que a Palavra de Deus  ensina como deveria ser a ordem no culto: I Timóteo 2:11-15, com base no relato de Gênesis. Aparentemente, algumas mulheres perturbavam ao fazerem perguntas em público durante os cultos caóticos. Não é coincidência que muitas igrejas modernas também permitem que as mulheres liderem o culto, preguem e ensinem, e se permitem ser igualmente bagunçadas com reteté, todo mundo falando “línguas estranhas” ao mesmo tempo etc. Acontece. As mulheres podem ser professoras talentosas, como por exemplo na Escola Dominical: mas não têm a permissão de Deus para ensinar  em suas igrejas, isto é, na assembléia (v. 35). Não posso fazer nada quanto a isso, é uma ordem de Deus que não deveria ser “flexibilizada”. As mulheres que entendem isto são as primeiras a agradecer, como neste link
Nesse sentido, I Coríntios 14:33-35 trata da interpretação e compreensão dos dons de línguas e profecia (I Coríntios 14:26-32), e por isso o texto manda mulheres permanecerem em silêncio. As mulheres devem se conter quando as línguas e/ou profecia estão sendo interpretadas e testadas (I Tessalonicenses 5:19-22, I João 4:1). Isto está de acordo com I Timóteo 2:11-12, o qual diz que as mulheres não devem ensinar aos homens ou ter autoridade sobre eles. Se as mulheres estivessem envolvidas em decidir se uma profecia era verdadeiramente de Deus, então estariam desobedecendo o que a Bíblia diz em I Timóteo 2:11-12. Portanto, Paulo diz às mulheres para ficarem em silêncio quando as línguas e profecia estiverem sendo interpretadas.  Aliás, a ordem é para que não só as mulheres se calem nessa circunstância, mas também o que fala em línguas estranhas, se não houver intérprete (14:28, 30).
Isto não é “misoginia”, pois o mesmo Paulo, em meio a uma sociedade fortemente patriarcal, declara que o homem tem que agradar à mulher (I Coríntios 7:33); que o homem é dependente da mulher (11:11); que ambos são iguais diante de Deus (Gálatas 3:28, e isso numa época em que ninguém ousava dizer tal coisa); e também que o homem dar a sua vida pela sua mulher, como Cristo em prol da Igreja (Efésios 5:25-33). O que é mais importante para o homem, a ponto de ele abrir mão de sua própria vida: ele mesmo, ou a mulher? Isto é rebaixar a mulher? Continue para Colossenses 3:19 e I Pedro 3:7 e depois me diga se isto é tratar mal a mulher. O relato do Novo Testamento é cheio de elogios a mulheres virtuosas: Febe, Dorcas, Priscila, Lídia, as filhas de Felipe, etc., quando a literatura dessa época é pródiga em malhar o sexo “frágil”. Como Paulo poderia ser “misógino” se recomendou a seu discípulo seguir o exemplo da mãe e da avó? Ver II Timóteo 1:5.
Entre os rabinos, apesar de terem em sua História várias heroínas da fé como Miriam, Ester, Rute, Débora etc.,  havia alguns ditados que as ridicularizavam, como “ensinar a lei para mulher é impiedade”, ou “é jogar pérolas aos porcos”. No Talmude, na lista relacionada às pragas do mundo aparecem: a mulher faladora, a viúva curiosa, e a virgem que perde todo o seu tempo fazendo orações. Pegava mal falar com as mulheres na rua. Ninguém podia solicitar um serviço a uma mulher, nem se podia cumprimentá-las.
Apesar disto, Jesus perdoou uma mulher adúltera em público, curou uma que tinha um fluxo de sangue, aceitou a adoração de outra que Lhe enxugou seus pés com os cabelos. Elogiou uma viúva que ofertava no Templo. Libertou a filha de uma mulher siro-fenícia, que os judeus evitavam; explicou a ela que os judeus tinham prioridade, mas que pela sua fé seria atendida. Jesus tinha várias discípulas, que O acompanharam até a cruz; e foi a elas que Ele apareceu primeiro. Isto é rebaixar a mulher? 
Um dos Seus sermões mais importantes foi pregado unicamente a uma mulher, e samaritana ainda por cima (os judeus não se davam com os samaritanos). A primeira pessoa convertida em solo europeu foi uma mulher, Lídia. Isto é ser misógino???
Mesmo que naquela época o costume fosse rígido e ao homem fossem concedidos direitos reservados de falar nas assembléias, Jesus e Paulo se colocam em posição de vanguarda, em relação a outros autores e mestres idolatrados de norte a sul, que nem de longe recebem a mesma carga de críticas:
Pitágoras - “Há um princípio bom, que criou ordem, a luz e o homem; e um princípio mau que criou o caos, as trevas e a mulher”.
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão) – “As mulheres, por serem mais débeis, veem-se obrigadas a depender não da força, senão da astúcia; daí sua hipocrisia instintiva e sua imodificável tendência à mentira. Por isso o fingimento é conatural às mulheres e pode ser encontrado tanto nas mulheres tontas como nas inteligentes. A experiência de um homem é conhecimento e o conhecimento é poder. Não há nada que uma mulher deseje mais que o poder, mas este só pode ser exercido através de um homem”.
Friedrich Nietzsche - “Se vais com mulheres, não esqueças o chicote”; e “Há que compadecer do homem que se abandona a estes seres quase fantasmais, necessariamente incapazes de satisfazer”.
Pierre de Marivaux (novelista e dramaturgo francês) - “Quando alguém presume que sua mulher é amável e fala do amor que sente por ela, creio ver um frenético que elogia a uma víbora, e que ainda diz que é encantadora e que tem a sorte de ser picado”.
Sigmund Freud - “A grande pergunta que ainda não consegui responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa da alma feminina, é: o que quer uma mulher?”
Voltaire - “O primeiro que comparou à mulher com uma flor foi um poeta; o segundo, um imbecil”.
Gustave Flaubert - “A mulher é um animal vulgar do qual o homem formou um ideal belo demais”.
Ambrose Bierce (escritor e jornalista americano) – “A mulher seria encantadora, se pudéssemos cair em seus braços sem cair em suas mãos”.
Sacha Guitry (ator e cineasta franco-russo) – “Se a mulher fosse boa, Deus teria uma”.
Victor Hugo – “Há muitas mulheres belas, porém nenhuma perfeita”.
Buda – “A mulher é má. Sempre que tiver oportunidade, a mulher pecará”.
Oscar Wilde (esse talvez não mereça crédito, pois como homossexual, detestava as mulheres mesmo...) – “Um homem pode ser feliz com qualquer mulher enquanto não a ame”; “Bigamia é ter uma mulher de sobra, e monogamia, também”; e “Há dois tipos de mulheres: as feias e as que se pintam”.
Agora compare com o que Paulo afirma sobre elas, e me diga quem é o retrógrado e quem é o de idéias mais avançadas em sua época. Nem precisa citar os “antigos”; pode comparar Jesus e Paulo só aos “modernos”.
Se eu fosse levar em consideração a idiotice sobre a alegada ”mediocridade sexual” dos personagens bíblicos, eu pediria a quem afirma isso que faça um exercício e compare a sua própria vida sexual com a de Jacó, que teve 4 esposas e pelo menos 13 filhos; com a de Abrão, que teve 3 esposas e 14 filhos; com Davi, que teve Mical, Abigail, Bate-Seba, Ainoã, Maaca, Hagite, Eglá e mesmo depois de velho ainda arranjou uma jovem concubina, Abisague, para dormir com ele e aquecê-lo. E ainda tem gente dizendo que ele era gay... tsc, tsc... Nem vou falar de Salomão, que teve entre suas esposas várias princesas... Quem é sexualmente medíocre mesmo?
Tenho que rir de um bobalhão que afirma uma coisa dessas. Este é um exemplo que serve apenas para mostrar como são ridículos certos “críticos”, pois em que pese ser comum a poligamia reinante naqueles tempos, até isso acabou entre os israelitas. É óbvio que se a poligamia fosse projetada por Deus Ele teria criado um homem e várias mulheres, ou vice-versa. Quando vemos essas práticas (poligamia e poliandria) nas sociedades primitivas podemos saber que já se tratava de um efeito colateral do pecado que começou, aparentemente, com Lameque (Gênesis 4:23).
Vemos na Bíblia Deus fazendo um apelo à monogamia: “o Senhor tem sido testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, para com a qual procedeste deslealmente sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança... Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor” (Malaquias 2:14, 16); de modo que muito tempo antes de Cristo já não havia mais poligamia em Israel. Praticamente não há menção desse costume depois de Salomão, cerca de 1.000 anos antes de Cristo, portanto não procede dizer que as mulheres eram  ”meros objetos sexuais” e que isto se encontra “nas páginas do Novo Testamento”. Engana-se redondamente quem afirma isto, pois a Palavra é categórica: “Cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu marido”, no singular (I Coríntios 7:2), assim como nas passagens já citadas de I Coríntios 7:33; Gálatas 3:28; Efésios 5:25-33; Colossenses 3:19 e I Pedro 3:7.
Quanto a ser “homofóbico”, isso significa dizer que Deus também é “homofóbico”? pois a repreensão ao homossexualismo não é invenção de Paulo. Não vou perder tempo listando os mandamentos que existiam desde a lei mosaica. Apenas gostaria de citar Mário Persona: “sempre que precisamos procurar uma explicação cultural para algo na Bíblia abrimos um precedente perigoso. Eu poderia argumentar que o sexo fora do casamento não é mais fornicação, ou que o homossexualismo não é mais pecado, porque hoje são práticas perfeitamente aceitas pela sociedade moderna”.
Muita gente procura racionalizar e justificar seus erros e sua incredulidade com base nos “exemplos negativos da Bíblia”, citando personagens que fizeram opções erradas à luz da vontade de Deus. Acho que você já entendeu. Basta, né?

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