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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Obituário: quem morreu em 2013

Mais uma vez chegamos ao final de ano, e ao olharmos para trás, percebemos que muitos dos que estavam aqui nessa mesma data, doze meses passados, não mais podemos ver. São muitos os que deixaram este mundo, alguns famosos, a maioria nem tanto. Muitos deixarão saudades, outros talvez não. Uma coisa é certa: não há mais o que fazer. Nem para nós, que ficamos, nem para eles, que partiram. Seu destino foi decidido enquanto estavam aqui entre nós – é o que a Bíblia nos ensina. Relembremos alguns dos que já foram, e diante de cada nome e foto que surgir, tentemos imaginar – apenas imaginar – onde estarão agora.

18 de janeiro - Walmor Chagas, ator, diretor, autor e produtor teatral. Era viúvo da atriz Cacilda Becker e provavelmente sofria de depressão. Suicidou-se enquanto estava isolado em sua pousada, no interior do estado de São Paulo, com um tiro na cabeça.

27 de janeiro e seguintes - 241 pessoas, em decorrência de um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Foi a segunda maior tragédia no Brasil, superada apenas pelo incêndio de um circo em 1961, em Niterói, que vitimou 503 pessoas. Classificou-se também como a quinta maior tragédia da história do Brasil (maior número de mortos nos últimos cinqüenta anos), a maior do Rio Grande do Sul e o terceiro maior desastre em casas noturnas no mundo.

5 de março - Hugo Chávez, político e militar, presidente da Venezuela, líder da “revolução bolivariana”, que denominava “socialismo do século 21”. Crítico do neoliberalismo e dos Estados Unidos, suas políticas de inclusão social e transferência de renda fizeram a pobreza cair de 49,4% para 27,8%. Em 2005 e 2006, foi incluído, pela revista Time, entre as 100 pessoas mais influentes do mundo. Depois de longo tratamento e várias cirurgias para tentar conter um câncer na região pélvica, não resistiu e aos 58 anos, bastante debilitado, morreu vítima de uma infecção respiratória aguda.

6 de março – Chorão (Alexandre Magno Abrão), cantor, compositor e principal letrista e vocalista da banda Charlie Brown Jr. Aos 42 anos, em São Paulo (overdose de cocaína).

20 de março - Emilio Santiago, cantor. Formado em Direito,
vencedor de diversos festivais de música, iniciou a carreira na década de 1970 e gravou grandes sucessos como Saygon, Lembra de Mim e Verdade Chinesa. Aos 66 anos, no Rio de Janeiro, de complicações decorrentes de um AVC.

5 de abril - Dave Hunt, teólogo, pesquisador, escritor, conferencista, apologista e um dos mais conhecidos estudiosos das profecias bíblicas. Com formação superior que chegou ao Mestrado em Matemática, começou a escrever em tempo integral após 20 anos como diretor e consultor em várias empresas.
O que lhe facilitou o conhecimento da verdade bíblica foi ter crescido num ambiente genuinamente cristão. Fez parte do grupo conhecido como Irmãos Plymouth, que sempre ensinou e praticou o legítimo evangelho de Cristo. Teve muitas controvérsias com os inimigos do Evangelho, tendo exposto os fatos honesta e ousadamente, sem se preocupar com o “politicamente correto”,  usando todo o vigor de sua fé genuína e do seu conhecimento da irrefutável Palavra de Deus. Era colaborador da Editora Chamada da Meia-Noite, tendo escrito mais de 20 livros, com mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Também foram lançados muitos DVDs com suas palestras. Para conhecê-los, clique aqui; para ler seus artigos, clique aqui. Apesar de seu imenso conhecimento, ele hoje experimenta I Coríntios 2:9: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

8 de abril - Margareth Thatcher, política britânica, primeira-ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990. Por ter sobrevivido a uma tentativa de assassinato em 1984, sua dura oposição aos sindicatos e sua forte crítica à União Soviética, foi alcunhada de “Dama de Ferro”. Seu título vitalício de baronesa lhe garantia vaga na Câmara dos Lordes. Em Londres, aos 87 anos, de AVC.

8 de abril - Marku Ribas (Marco Antonio Ribas) cantor, compositor e percussionista brasileiro. Seu estilo característico possuía diversos elementos, como soul, samba, samba rock, jazz, funk e ritmos africanos. Em 1985, participou do álbum Dirty Work dos Rolling Stones. Aos 65 anos, de câncer no pulmão.

15 de abril - Cleide Yaconis, atriz brasileira. Incentivada por sua irmã Cacilda Becker a trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) em 1951, desde então formou um currículo teatral dos mais variados e ilustres da dramaturgia nacional. Aos 89 anos, em São Paulo, de causas não reveladas.

19 de abril - Mariane Wallau Vielmo, 24 anos, a 242ª vítima da boate Kiss.

21 de maio - Ruy Mesquita, um dos maiores expoentes da mídia reacionária, conservadora e de direita do país, diretor dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Apoiador do golpe militar de 1964 desde a primeira hora, chegou a se reunir com os generais para planejar o golpe, e com eles colaborou até o fim da ditadura, em 1985. Aos 88 anos, de câncer.

26 de maio - Roberto Civita, presidente do Grupo Abril e criador da revista Veja, outro eterno inimigo das classes populares, sempre a serviço dos governos e das elites brasileiras. Nascido na Italia, deixou uma fortuna estimada em cerca de US$ 5 bilhões, incluindo diversos imóveis, fundos de investimento, uma pinacoteca particular, helicópteros, etc., sendo um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Aos 76 anos, de falência múltipla de órgãos.

6 de junho - Esther Williams, atriz e nadadora americana. Como ex-campeã de natação fez carreira em “musicais aquáticos”, com papéis criados especialmente para ela nos anos 1940 e 50, como A filha de Netuno e A rainha do Mar, entre outros. Debilitada por causa da idade avançada, faleceu enquanto dormia em sua casa em Beverly Hills, Califórnia. 

19 de junho - James Gandolfini, ator americano. Tornou-se conhecido por seu personagem Tony Soprano, do seriado Família Soprano, da HBO, que lhe rendeu três prêmios Emmy e um salário de US$ 1 milhão por episódio. Aos 51 anos, vítima de um infarto, em Roma, onde passava férias com a família.

23 de julho - Djalma Santos, bicampeão mundial pelo Brasil nas Copas de 1958 e 1962, eleito diversas vezes como o melhor lateral-direito da história. Destacou-se defendendo as cores do Palmeiras, e participou também dos fracassos de 1954 e 1966. Vivia em Uberaba desde 1991 e era professor de escolinhas de futebol. Era pai do agora ex-jogador Djalminha. Aos 84 anos, de parada cardiorrespiratória.

23 de julho – José Domingos de Morais, o Dominguinhos, músico, cantor, instrumentista e compositor, aos 72 anos. Natural de Garanhuns, Pernambuco, começou a carreira com seus irmãos no trio Os Três Pingüins, aos sete anos de idade. Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, encantado com a habilidade do menino, resolveu apadrinhá-lo. São dele canções como Eu Só Quero Um Xodó e De Volta pro Aconchego. Vencedor de vários prêmios, como o Grammy Latino de 2002, lutava há mais de seis anos contra um câncer de pulmão. 

5 de agosto – Luis Marcelo Pesseghini (sargento da Polícia Militar) e sua mulher Andreia (também policial), assassinados a tiros em casa, na zona norte de São Paulo. Além deles, a mãe e uma tia de Andreia também foram encontradas mortas em outra casa no mesmo terreno. A hipótese é de que o filho do casal, Marcelo, de 13 anos, tenha atirado nos familiares e depois se suicidado, num caso bizarro que chocou o país e o mundo.

6 de setembro – Francesc Petit Reig, publicitário, o “P” da DPZ, uma das maiores e mais bem sucedidas agências de publicidade do mundo. Nascido em 1934, em Barcelona, veio para o Brasil em  1952. Trabalhou na JWT e na McCann-Erickson, antes de fundar a DPZ em 1968 com Roberto Duailibi e José Zaragoza, formando o famoso “triunvirato da propaganda brasileira”. Escreveu vários livros, como Propaganda Ilimitada, no qual fala sobre o negócio da publicidade, e Faça Logo uma Marca, sobre marcas famosas criadas por ele, como Itaú, Sadia e Gol. De câncer, aos 78 anos.

26 de setembro - Leandro Caetano de Souza, lutador da modalidade conhecida como MMA, aos 26 anos de idade, pouco antes da pesagem para uma luta no evento “Shooto 43”. “Feijão”, como era conhecido, desmaiou e foi levado para um hospital, mas não resistiu, o que teria relação com a perda de peso para o combate. Segundo um dos treinadores, “Feijão” precisava perder 900 gramas dos seus 56,7kg, e estava na sauna quando desmaiou. O atestado de óbito apontou acidente vascular cerebral (AVC) como a causa da morte. Fico imaginando se isso ocorresse dentro de uma dessas igrejas que promovem esse tipo de atividade...

29 de setembro - Claudio Cavalcanti, ator, diretor de TV, produtor teatral, escritor, tradutor, cantor, dublador e radialista. Participou de mais de 50 novelas, minisséries e especiais, além de 22 filmes e dezenas de peças teatrais. Também foi vereador no Rio de Janeiro. Aos 73 anos, de complicações cardíacas decorrentes de uma cirurgia na coluna.

1º de outubro - Tom Clancy, escritor de best-sellers como Caçada ao Outubro Vermelho, Perigo Real e Imediato,  Jogos Patrióticos e A Soma de Todos os Medos, famosos por abordarem ciências militares e espionagem tecnicamente detalhados. Seu personagem mais famoso era Jack Ryan, interpretado por Alec Baldwin, Harrison Ford e Ben Affleck. Em Baltimore, sua cidade natal nos Estados Unidos, de causas não reveladas, aos 66 anos.

1º de outubro – Giuliano Gemma, ator italiano de western spaghetti, os “filmes de velho oeste” feitos na Itália ou por diretores italianos nos anos 1960/70. Seu maior sucesso foi O Dólar Furado, de 1965, e fez vários outros, como Uma Pistola para Ringo, Sela de Prata, Dias de Ira etc. Em Cerveteri, próximo de Roma, num acidente automobilístico, aos 75 anos.

9 de outubro – Norma Bengell, atriz  cineasta, cantora e compositora brasileira. Participou de 64 filmes e inúmeras peças teatrais durante as décadas de 1950, 60 e 70. Estreou nas telas aos 23 anos, em O Homem do Sputnik, ao lado de Oscarito, parodiando Brigitte Bardot. Em 1962 causou escândalo ao exibir o primeiro nu frontal do cinema brasileiro, em Os Cafajestes, de Ruy Guerra. Nos anos 80, tornou-se diretora com Eternamente Pagu. Aos 78 anos, no Rio de janeiro, de um câncer de pulmão.

25 de outubro - Paulinho Tapajós, nome importante na história da música brasileira e influente especialmente no nos anos 1960-70. Participou de festivais e ganhou fama com Andança, interpretada por Beth Carvalho, e depois Cantiga por Luciana. Também é dele a clássica Sapato Velho. Foi produtor musical do Fantástico e de diversos artistas. Aos 68 anos, de câncer.

27 de outubro – Lou Reed, um dos mais influentes compositores
e guitarristas do rock, que ajudou a formar em quase 50 anos de estrada. No fim da década de 1960, com sua banda Velvet Underground, Reed fundiu o som das ruas com música avant-garde, beleza e barulho, e deu mais poesia ao rock. Entre as décadas de 70 e 2010 desenvolveu um estilo camaleônico experimental, nunca sujeito a uma fórmula. Glam, punk e rock alternativo são impensáveis sem ele.  Chamou atenção do artista plástico Andy Warhol, que chegou a ser seu produtor, mas os primeiros discos foram ignorados pelo público, só sendo tratados como revolucionários muito depois. Seu estilo andrógino e obscuro influenciou David Bowie, e seu abuso das drogas era lendário. Era casado com a artista performática Laurie Anderson desde 2008. A causa da morte não foi oficialmente confirmada, mas ele havia passado por um transplante de fígado em maio. Lewis Allan Reed tinha 71 anos.

6 de novembro - Jorge Dória, ator, após sofrer complicações
cardiorrespiratórias e renais decorrentes de um AVC. Com mais de 80 participações em filmes, peças, novelas e seriados, destacou-se na comédia televisiva A grande família, como Lineu, atualmente vivido por Marco Nanini. Fez participações especiais em Sai de baixo e Os normais, mas seu papel mais famoso foi em A dama do lotação (1978), interpretando o sogro de Sônia Braga. Tinha 92 anos.

16 de novembro - Doris Lessing, escritora inglesa, autora de sucessos como A Terrorista, O Quinto Filho e O Carnê Dourado, sua obra mais famosa. Foi a pessoa mais velha a ganhar o Nobel de Literatura (2008) e a 11ª mulher a merecê-lo. “Tenho 88 anos e eles não podem dar o Nobel para um morto, então acho era melhor me dar logo antes que eu batesse as botas”, brincou na ocasião. Nascida em Kermanshah, na Pérsia (hoje Irã),  militou no Partido Comunista Britânico e participou de campanhas contra as armas nucleares. Por sua crítica ao apartheid foi proibida de entrar na África do Sul até 1995, e também na Rodésia (atual Zimbabwe). Rejeitou o título de Dama do Império Britânico dado pela rainha Elizabeth II, porque “já não há nenhum império”. Era ícone de marxistas, anticolonialistas, militantes anti-apartheid e feministas. Aos 94 anos, de causas não reveladas.

 27 de novembro - Nilton Santos, ex-jogador do Botafogo e da Seleção Brasileira. Eleito pela Fifa o melhor lateral-esquerdo de todos
os tempos, foi apelidado de “Enciclopédia do Futebol”. Inovou ao ir ao ataque e não apenas defender. “Na minha época, se o time tomasse um gol nas minhas costas, o treinador ficava maluco”, explicava. “Quando dizem que se jogássemos hoje ficaríamos ricos, eu não invejo o dinheiro. Invejo a liberdade que eles têm de poder atacar”. Pelo Botafogo, conquistou 26 títulos, em 729 jogos, e marcou 11 gols. Pela Seleção, 75 jogos e 5 gols, campeão em 1958 e 62. Com insuficiência respiratória e cardíaca (sofria de Alzheimer desde 2007) faleceu aos 88 anos, no Rio de Janeiro.

30 de novembro – Paul Walker, ator americano, que ficou famoso por seu papel na franquia Velozes e Furiosos. Ironicamente, faleceu em um acidente de automóvel, que seguia em alta velocidade, em Valencia, Califórnia. Tinha então 40 anos de idade.

5 de dezembro - Nelson Rolihlahla Mandela, advogado, ativista de direitos humanos e ex-presidente da África do Sul (1994-99), considerado um dos maiores líderes de nosso tempo e o mais importante africano; Prêmio Nobel da Paz de 1993, é venerado como o Pai da Pátria na nação sul-africana. Dedicou 67 anos de sua vida a serviço da humanidade, razão pela qual a ONU instituiu o dia de seu nascimento como Dia Internacional Nelson Mandela, para valorizar a luta pela liberdade, justiça e democracia. Nascido numa pequena aldeia , onde possivelmente viria a ser chefe tribal, aos 23 anos seguiu para a capital Joanesburgo e iniciou intensa atuação política. Tornou-se cada vez mais popular, até que em 1949 passou a integrar o Conselho Nacional Africano. Como a extrema-direita branca no país levou ao regime segregacionista conhecido como apartheid, Mandela se opôs e foi preso em 1956, mas solto logo depois. As autoridades o vigiavam constantemente, até que, depois de visitar outros países em busca de apoio e cogitar outros métodos de combate à repressão que não a resistência pacífica – como pregada por Ghandi – foi novamente preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. Após 28 anos, o governo sul-africano não resistiu à pressão internacional e popular e o libertou (1990). A partir daí teve inicio a reconstrução do país, com o fim do apartheid. “Madiba”, como era carinhosamente chamado pelo povo, foi ao lado de Martin Luther King e Malcolm X o mais poderoso símbolo da luta contra o racismo e modelo mundial de resistência. Aos 95 anos, em Joanesburgo, após longa enfermidade.

14 de dezembro - Peter O’Toole, ator irlandês e pai da também atriz Annette
OToole. Começou no teatro mas se consagrou nas telas, com “Lawrence da Arábia” (1962), no papel de um militar inglês que luta no Oriente Médio na I Guerra Mundial e fica ao lado dos árabes, num clássico do cinema.  Também atuou em “A Noite dos Generais” (1967), “O leão no inverno” (1968) , no polêmico “Calígula” (1979), “O último imperador” (1987) e diversos outros filmes em quase seis décadas de carreira. Indicado a oito Oscars, não ganhou nem um, sendo recordista de mais indicações sem nenhuma vitória. Recebeu um Oscar honorário em 2003 - uma forma de Hollywood compensá-lo. Foi ainda premiado com quatro Globos de Ouro, um Emmy e um Bafta, entre outros. Em Londres, ao 81 anos, de causas não reveladas. 

18 de dezembro - Ronald Biggs, conhecido como o “ladrão do século”, pelo assalto em 1963 a um trem. Cerca de 15 homens mudaram a sinalização da ferrovia entre Glasgow e Londres e roubaram £2,6 milhões (a cerca de R$ 124 milhões), sendo presos meses depois. Condenado a 30 anos, Biggs fugiu da cadeia; passou por cirurgias estéticas e viveu na Espanha e Austrália, chegando ao Rio na década de 1970, ajudando a perpetuar a imagem do Brasil como paraíso de bandidos. Teve um filho, Michael, que foi cantor do grupo infantil Balão Mágico e hoje é empresário. Alegando saudades, Biggs regressou à Inglaterra, onde foi preso e cumpriu mais de um terço da pena, mas em 2009, doente, foi libertado. Nos últimos anos, sofreu sete derrames, ataque cardíaco, ataques epiléticos, úlcera no estômago e uma fratura no quadril. Por fim, vivia em um asilo e tinha dificuldades para caminhar e se comunicar.  Em Londres, aos 84 anos.

20 de dezembro - Reginaldo Rossi, cantor. Começou em 1964 imitando Roberto Carlos em bares e clubes de Recife, acompanhado pelo conjunto The Silver Jets. Gravou cerca de 50 álbuns, alguns com parcerias que iam de Wanderléa e Roberta Miranda a Planet Hemp, e aceitou de bom grado o título de “Rei do Brega”. Recebeu 14 discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante. Em Recife, aos 69 anos, de falência múltipla dos órgãos.

23 de dezembro - Mikhail Kalashnikov, inventor do famoso fuzil russo AK-47, a arma automática mais popular do mundo, usada por exércitos regulares e por guerrilhas. Incansável, Kalashnikov só parou de trabalhar em 2012, por problemas de saúde, principalmente cardíacos. “Criei armas para defender nossa sociedade”, disse ao completar 90 anos, em 2009, reconhecendo, porém, que “não é agradável ver que todo tipo de criminoso atira com as minhas armas. Claro que tenho remorsos, como todo o mundo”. Ele começou a projetar em 1947 o AK-47 (Avtomat Kalashnikova 1947), quando se recuperava de um ferimento sofrido na II Guerra Mundial. O fuzil teve vários modelos e foi vendido em todo o mundo, pelo menos 100 milhões de unidades. O número é de difícil verificação, já que boa parte é produzida sem licença. Kalashnikov, um dos russos mais conhecidos no mundo, condecorado em seu país, nunca cobrou nada sobre as vendas: “Minhas invenções nunca foram patenteadas”, disse.  
O traço particular do rifle é a simplicidade. Feito de apenas 8 peças, pode ser montado em menos de um minuto por qualquer criança que saiba brincar de Lego (não é à toa que crianças estão freqüentemente entre os usuários). Isso permite que um soldado o conserte com a peça do primeiro fuzil que encontrar. Leve e fácil de manusear, o AK é praticamente indestrutível – pode rolar na areia, cair num barril de cerveja, na lama e, mesmo assim, dar centenas de tiros por minuto. Ideal para guerrilhas do terceiro mundo, se tornou símbolo da independência de diferentes países: venceu os americanos no Vietnã, substituiu a lança de guerreiros africanos, virou ícone da bandeira de Moçambique, monumento na Ni­­­carágua, bombou no cartel do narcotráfico colombiano e, hoje, está nas mãos de terroristas islâmicos e traficantes cariocas. Kalashnikov morreu aos 94 anos, depois de uma longa doença, em Izhevsk, na Rússia. (link)


Este longo obituário podia ser maior ainda. Estima-se que, atualmente, morrem mais de 54 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo.
Isto nos faz parar para pensar.
Onde estaremos daqui a um ano?
Será que vamos fazer parte dessa longa lista de desaparecidos?
E se sim, será que deixaremos saudade? As pessoas sentirão falta de nós? Chorarão nossa perda?
E, caso não estejamos mais aqui, onde estaremos?
Vivendo uma nova, eterna e melhor vida ao lado de Jesus – como ele prometeu ao ladrão na cruz, “ainda hoje estarás comigo no paraíso”? Ou estaremos numa terrível expectativa de um julgamento do qual não sairemos com veredito favorável? Quantos desses mais de 54 milhões descansam em paz hoje? Quantos já sentem o calor e o cheiro de enxofre?

É para pensar. Pensar e agir, enquanto ainda temos o fôlego da vida e oportunidade para escolher onde queremos passar a Eternidade.

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