Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 10 de novembro de 2013

Socialismo e Igreja: o que mudou?

Depois de uma pequena pausa, voltei e ao dar uma lida nas páginas de política, percebi que a campanha eleitoral já começou, um ano antes das eleições. E época de eleição é fogo.
Como se não bastasse a sujeira das cidades, com milhares de cartazes nas paredes e nos postes, toneladas de folhetos espalhados pelo chão e o insuportável horário eleitoral gratuito no rádio e TV, ainda aparecem profetas toscos anunciando a vitória deste ou daquele candidato. Para justificar tais idiotices, dizem que Deus apóia esse e aquele outro não; mas no fundo estão apenas projetando seus próprios valores (ou ausência deles) nos políticos que mais lhes agradam, ou pelo menos nos que mais vantagens lhes oferecem. Doutra forma, qual a razão de uma igreja apoiar, por exemplo, um partido de esquerda e outra igreja ou denominação apoiar uma candidatura de direita? Deus está dividido ou os líderes estão surdos? Ou pior, talvez estejam achando que é Deus que está indicando um ou outro...
Em 2010 vivemos um fenômeno interessante, que poderia ser tema de um livro. A maioria dos evangélicos decidiu apoiar a candidata Marina Silva, supostamente seguidora da mesma religião. Dizia-se que a outra concorrente à presidência da República apoiava o aborto, a união homossexual e muitas outras coisas, espalhadas pela Internet e pregadas em incontáveis púlpitos pelo país afora. Mas esqueceram de mencionar – ou espertamente omitiram – que o estatuto do então partido de Marina dizia abertamente que a agremiação é a favor do aborto, da união homossexual e também da liberação das drogas, notadamente a descriminação da maconha. Eu até hoje não entendi esse apoio a Marina.
E agora ainda mais “absurdado” fiquei, com a filiação da ex-senadora e ex-verde ao PSB, o Partido Socialista Brasileiro. Aliás, não deveria ter me espantado, já que ela foi criada e formada nas fileiras do PT, um partido que, apesar das críticas de seus detratores, é norteado por idéias socialistas. Como é o PV. Então, é até certo ponto natural que Marina, depois do fracasso de criar um partido à sua imagem e semelhança, entrasse pelas portas largas do PSB, uma espécie de “cidade de refúgio” para aqueles que discordam do PT mas têm vergonha de migrar para a direita. Era isso mesmo que ia acontecer, mais cedo ou mais tarde.
O que eu estou esperando sentado é aquela hora em que os auto-denominados “líderes evangélicos” abrirão as portas de seus feudos particulares e franquearão o púlpito à ex-senadora, à caça de votos e, conseqüentemente – em caso de vitoria nas urnas – cargos e benesses, naquelas eternas negociatas e barganhas que acompanham a política brasileira desde os tempos de D. Pedro II.
Estou aqui, aguardando pacientemente, aparecem os “profetas” com seus vaticínios requentados, dizendo que este ou aquele candidato é o escolhido de Deus para fazer a pátria prosperar, para libertar o país das garras do demônio, para acabar com a corrupção, com os abortos, com a prostituição, a imoralidade e os crimes. Dirão que agora sim, “o Brasil é do Senhor”, farão seus rebanhos proclamarem em alta voz, como se isso pudesse “mover os céus”, mas na verdade o interesse desse “domínio” é bem mais prosaico. Em especial uma profeta aí, que já disse que Geraldo Alckmin seria presidente (deu em nada), depois Marina (idem). Um outro “apóstolo” confessou que usa mensagens sub-liminares e ensina a técnica seus subordinados, para convencer as “ovelhas” a votarem no candidato do momento... Vejamos o que vem por aí agora. Estou só esperando para ver.
Aliás, gostaria de saber o que vão dizer para pedir votos para Marina, agora que ela é do Partido Socialista Brasileiro. O socialismo, aquela “praga” execrada por 11 em cada 10 pastores. Aquilo que ninguém sabia ao certo o que era, mas que era tido como sendo obra do capeta, pois usava como símbolo a cor vermelha. Sem conhecer Marx e nunca ter lido o “Manifesto Comunista”, parodiavam-no ao sugerir que o socialismo era um espectro que rondava a nação, e que uma vez no poder iria fechar igrejas, prender pastores e torturar crentes (a bem da verdade, alguns pastores mereciam ser presos mesmo). Alguns chegam a publicar em blogs artigos sobre o socialismo, usando como ilustração a foice e o martelo, sem saber que foice e martelo simbolizam o comunismo e o socialismo é melhor representado ou por uma mão segurando uma rosa (quando associado ao trabalhismo) ou uma pomba semelhante àquela desenhada por Picasso. A simbologia que vem de bem antes é a bandeira vermelha (p. ex, na Revolução de 1848). A pomba foi adotada pelo PSB e a rosa pelos trabalhistas (PDT), mas na Europa tanto socialistas como comunistas usam todos esses símbolos, daí talvez venha certa confusão. Enfim, isto é de menor importância.
Penso que não há, a priori, nenhum problema em o cristão ser socialista, enquanto opção por essa corrente política. Muitos confundem o socialismo com os regimes totalitários de Stalin, Tito e Kim Il Jung (principalmente no que se refere a perseguição de cristãos, fechamento de igrejas etc.); mas é importante deixar claro que isto não é nem nunca foi socialismo. Talvez essa crítica se deva à interpretação materialista da História; aí sim nós, como cristãos, temos que fazer ressalvas. Como socialismo entendo a luta por uma sociedade mais igualitária e com oportunidades e obrigações iguais para todos, donde a máxima “de cada um segundo a sua capacidade e a cada um segundo a sua necessidade”. Mas é óbvio que a justiça social plena, só no reino milenar de Cristo.  
Por outro lado, vejo como muito mais grave a opção de muitos cristãos pela direita política, que assim como Stalin e Hitler, apoiava a tortura e a eliminação violenta de inimigos políticos (vide 1964).
Isso, penso, é o que deve ser debatido mais profundamente.
Enquanto isso, o que dirão os auto-ungidos líderes para justificar e abençoar o que antes condenavam? Um influente pastor há pouco levou para sua igreja, em rede nacional, um candidato para ser meio que “ungido”: ouviu a pregação, recebeu oração, falou algumas palavras genéricas e ficou numa boa com o pastor e com o rebanho. A curiosidade é que esse candidato é de um partido que o pastor não se cansava de malhar até há pouco tempo atrás.
O que mudou? A igreja, os pastores, ou o socialismo? Teria sido este sistema político santificado e consagrado ao Senhor, só por que agora uma “evangélica” é candidata por esse partido? O que nos garante que o socialismo, uma vez no poder, não vai agora prender pastores, torturar crentes e fechar igrejas, como diziam que aconteceria no passado?
Pergunto de novo: o que mudou?
Se alguém souber, por favor, me explique.
Estou aqui esperando.

440287

  © Blogger templates Modelo: Shiny by Ourblogtemplates.com 2008 - personalizado por Georges - que ralou pra caramba!

Voltar ao INÍCIO