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sábado, 23 de julho de 2011

Quando vemos certas “celebridades” dizerem que “se converteram ao evangelho”, como aqui, aqui, aqui, aqui e aqui – veja só como esse negócio rende – às vezes nos perguntamos a qual evangelho essas pessoas foram convertidas. É triste admitir, mas tem alguma coisa errada nesse treco, alguma coisa fora do prumo.
Sabemos que Satanás é um imitador. Deus tem um Filho unigênito - o Senhor Jesus, e Satanás tem "o filho da perdição" (II Tessalonicenses 2:3). Há uma Santa Trindade, e de igual modo uma trindade do mal (Apocalipse 20:10). Lemos sobre os "filhos de Deus", e também sobre "os filhos do maligno" (Mateus 13:38). Deus opera nos seus para determinar e fazer a Sua vontade, mas Satanás é "o espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (Efésios 2:2). Há o "mistério da piedade" (I Timóteo 3:16)? Há também o "mistério da injustiça" (II Tessalonicenses 2:7). Aprendemos que Deus através de Seus anjos "assinala" os Seus servos nas suas testas (Apocalipse 7:3), mas também Satanás marca as testas os seus devotos (Apocalipse 13:16). É-nos dito que "o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus" (I Coríntios 2:10)? Então Satanás também provê suas "coisas profundas" (Apocalipse 2:24). Cristo faz milagres? Satanás também (II Tessalonicenses 2:9). Cristo está sentando sobre um trono? Também Satanás o está (Apocalipse 2:13). Cristo tem uma Igreja? Satanás tem a sua "sinagoga" (Apocalipse 2:9). Cristo é a Luz do mundo? Satanás "se transfigura em anjo de luz" (II Coríntios 11:14). Cristo designou "apóstolos"? Satanás tem os seus (II Coríntios 11:13).
Satanás é o maior dos falsificadores. Ele quer evitar o crescimento do trigo através de outra planta, o joio, muito parecido com o trigo. Por meio da falsificação ele busca neutralizar a Obra de Cristo. Como Cristo tem um Evangelho, Satanás tem um evangelho também; uma astuta falsificação do primeiro. O evangelho de Satanás se parece tanto com aquele que ele imita que multidões são enganadas por ele.
É a este evangelho de Satanás que o apóstolo se referia quando disse aos Gálatas: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo" (Gálatas 1:6-7). Este falso evangelho estava sendo proclamado já nos dias do apóstolo, que continua: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema".
Em que consiste esse “outro evangelho”? Verificamos que não é revolucionário, nem anárquico. Ele não promove a luta e a guerra, mas sim a paz e a unidade. Ele não busca colocar o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, onde a raça humana deve ser uma grande "irmandade". Ele não procura deprimir o homem natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele apela para "o melhor que está em nosso interior" e advoga a educação e a cultura. Ele objetiva tornar o mundo tão confortável que a ausência de Cristo não seria sentida, e Deus desnecessário. Ele se esforça para deixar o homem tão ocupado com este mundo que não tem tempo para pensar no mundo por vir. Ele propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem dos outros, e a sermos gentis. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular com as massas, porque esconde que o homem é uma criatura caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em nascer novamente.
Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele valoriza a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é "seja bom e faça o bem"; mas ele omite que na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação pelo caráter, invertendo a Palavra de Deus - o caráter como fruto da salvação. A pureza social substitui regeneração individual, e política e filosofia substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação de um novo homem em Cristo Jesus, enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o retorno do Príncipe da Paz.
Os apóstolos de Satanás não são os cachaceiros e traficantes, mas são em sua maioria ministros ordenados. Muitos que hoje ocupam púlpitos não estão engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, se desviaram da Verdade dando ouvidos às fábulas. Não mostram o pecado nem suas eternas conseqüências, mas declaram que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao invés de alertar seus ouvintes para "escaparem da ira futura", dizem que Deus é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao tormento eterno - ou então que o inferno não é eterno (como aqui). Ao invés de declarar que "sem derramamento de sangue não há remissão", meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a "seguir os Seus passos". Deles é preciso que seja dito: "Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus" (Romanos 10:3). A mensagem deles pode soar muito plausível e seu objetivo parecer muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: "Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras" (II Coríntios 11:13-15).
Hoje muitas igrejas estão sem um líder que fielmente declare o conselho de Deus e apresente a Sua salvação. Temos que admitir que muitas pessoas nessas igrejas estão muito longe de descobrir a verdade por si mesmas. A Bíblia não é exposta no púlpito nem lida em casa. Nesta era agitada têm-se pouco tempo, e ainda menos disposição, para fazer uma preparação para o encontro com Deus. Por isso aqueles que são negligentes o bastante para não pesquisar por si mesmos - a maioria - ficam à mercê dos homens a quem pagam para pesquisar por eles; muitos dos quais traem a Verdade, por estudar e expor problemas sociais e econômicos ao invés dos Oráculos de Deus.
Em Provérbios 14:12 lemos: "Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte". Este "caminho" que termina em "morte" é o evangelho de Satanás - salvação através da realização humana. "Parece direito", e é apresentado de um modo tão plausível que ganha a simpatia do homem natural; é pregado de forma tão habilidosa e atrativa, que se torna agradável. Por incorporar terminologia religiosa, às vezes apela para a Bíblia como suporte (sempre ela se ajusta aos seus propósitos), mantém ideais elevados, e é proclamado por pessoas graduadas em instituições teológicas: multidões são atraídas e enganadas por ele.
O sucesso de um falsificador depende do quanto a falsificação lembra o original. A heresia não é uma total negação da verdade, mas sim, uma deturpação dela. Por isto é que uma meia verdade é sempre mais perigosa que uma completa mentira. É por isso que quando o Pai da Mentira assume o púlpito, não nega verdades fundamentais do Cristianismo; ele tacitamente as reconhece, e então lhes dá uma falsa interpretação.
Por exemplo, ele não seria tão tolo de anunciar sua descrença em um Deus pessoal; ele dá a Sua existência como certa, e então apresenta outra descrição da Sua natureza. Ele anuncia que Deus é o Pai de todos, quando as Escrituras claramente nos dizem que nós somos "filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus" (Gálatas 3:26), e que "a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1:12). Ele declara que Deus é por demais misericordioso para enviar alguém ao Inferno, mesmo havendo Deus dito que: "aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo" (Apocalipse 20:15). Satanás não seria tolo de ignorar a figura central da história humana - Jesus Cristo; ao contrário, reconhece-O como o melhor homem que já viveu (como no espiritismo). Toda atenção é dada aos Seus feitos de compaixão e Suas obras de misericórdia, a beleza de Seu caráter e a sublimidade de Seu ensino. Sua vida é elogiada, mas Sua morte vicária é ignorada, a importantíssima obra reconciliadora da cruz não é mencionada, e Sua triunfante e corpórea ressurreição dos mortos é subestimada. É um evangelho sem sangue, um Cristo sem cruz, recebido não como Deus manifesto em carne, mas meramente como o Homem Ideal. A ênfase no “Cristo morto” é maior do que no “Cristo ressurreto”, como no catolicismo!

Continua...

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