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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eleições 2010

Em época de eleições, multiplicam-se pela Internet as mensagens de apoio a este ou aquele candidato, na mesma proporção das calúnias contra os adversários. Particularmente em relação ao segmento cristão, é alarmante a quantidade de e-mails falaciosos, tendenciosos e, por que não dizer, mentirosos acerca, principalmente da candidata do PT.
Espalharam mensagens falando do seu passado “terrorista”; mas esses mesmo que abominam o terrorismo apoiaram Marina para presidente, esquecendo-se convenientemente de que Fernando Gabeira, candidato do PV ao governo do Rio, é um ex-terrorista e foi expulso do Brasil pelo seqüestro, esse sim, real, do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Quem não conhece a história pode ler o livro autobiográfico de Gabeira “O que é isso, companheiro?”, ou pegar o filme na locadora mais próxima, com Pedro Cardoso (o “Agostinho” de “A Grande Família” e Fernanda Torres nos papéis principais). Ao contrário da mentira divulgada, Dilma Rousseff não participou desse evento! Leia aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Burke_Elbrick e aqui:
http://super.abril.com.br/superarquivo/1994/conteudo_114292.shtml.
Mas outros ex-terroristas de verdade apoiaram Marina, como Alfredo Sirkis, candidato do PV a deputado federal pelo Rio de Janeiro,  membro da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), e que hoje também apóia Marina.
Espalharam o boato, já desmentido, de que o vice na chapa do PT, Michel Temer, é satanista. Mas omitem que Luiz Bassuma, candidato do PV – partido de 
Marina – ao governo da Bahia, quando era deputado federal "incorporou" um espírito na mesa da presidência da Câmara Federal, em uma sessão (eeepa) em homenagem a Bezerra de Menezes. “Ah, mas religião não deve ser o parâmetro para se votar ou não em determinado candidato”, dirão alguns. Mas o conceito religioso vale para Michel Temer.
Espalharam um texto atribuído a Arnaldo Jabor, onde ele diz que votar em Dilma é levar junto Sarney Filho; mas esse deputado, ex-Zequinha Sarney, é do PV e da base de apoio da Marina.
O que é difícil de entender é a facilidade para se usar de dois pesos e duas medidas. Para mim, o mais coerente até agora foi o pastor Josué Sylvestre, de Curitiba. Ele é professor na Escola Bíblica Dominical da Igreja Assembleia de Deus, escritor, historiador e jornalista, e tem doze livros publicados, entre os quais “Irmão Vota em Irmão” e “Problemas do Brasil à Luz da Bíblia”, além de ter sido presidente da Academia Evangélica de Letras do Brasil por 4 mandatos (2000-2008).
Convidado a falar em um encontro de pastores da capital paranaense com a participação do candidato a governador do Estado, o ex-prefeito Beto Richa, leia o recado que ele deu sobre o pensamento e a postura da Igreja cristã-evangélica quanto ao seu relacionamento com o poder público e a sociedade (o texto foi editado em razão do espaço):
Buscando objetividade e concisão, leio uma declaração doutrinária de Jesus Cristo, constante em Mateus capítulo 5, verso 13 e a parte inicial do 14: “Vocês são o sal para a humanidade; mas se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelos que passam. Vocês são a luz para o mundo.”
Trata-se de um dos textos mais conhecidos do Novo Testamento, mas nem sempre analisado na profundidade teológica do significado do sal e da luz. Suas propriedades não são idênticas. No conceito doutrinário de Jesus, elas também não são antagônicas, mas complementares. Luz é luz. Sal é sal. O divino Mestre que, mais do que ninguém, tinha consciência da importância do que ensinava, citou esses dois elementos como identificações dos seus verdadeiros seguidores, mas colocou o sal em primeiro lugar.
E aqui faço uma afirmação que talvez incomode a alguns dos que me escutam: a Igreja cristã evangélica no Brasil consegue ser luz do mundo mas não tem atuado como sal da terra.
A omissão do nosso segmento religioso, no desempenho do ministério profético que lhe foi conferido pelo Senhor para denunciar com clareza, pertinência e amplitude os erros da sociedade e dos governantes, é uma das causas da degradação moral, da dissolução das famílias, do domínio das drogas, da corrupção avassaladora em todos os estamentos do poder, do crescimento desenfreado da criminalidade. É lógico que não basta apontar os problemas, mas esclarecer a solução que a Bíblia tem para cada um deles.
Preocupado e inquieto, pergunto: que diferença a Igreja está fazendo neste país gravemente doente pela iniqüidade reinante?
A luz atua de dentro para fora, de fora para dentro, de cima para baixo, de baixo para cima, de perto ou de longe como um farol que orienta os navegantes.
O sal, entretanto, só funciona na ambiência, só opera na circunstância, só exerce suas qualidades de alteração de sabor e de preservação se estiver inserido no contexto.
Para nada servem cem toneladas de sal armazenadas num depósito ao lado da cozinha, se quem estiver preparando os alimentos não buscar a quantidade adequada para colocar na panela. No nosso caso, a panela é a sociedade, na amplitude de sua pluralidade e abrangência, e as autoridades constituídas, no âmbito de suas prerrogativas.
Ou nós nos dispomos a sair do enclausuramento dos templos para proclamar a mensagem transformadora da Palavra de Deus, como Elias apontava as transgressões de Acabe e Jezabel, e João Batista denunciava os pecados de Herodes, ou vamos continuar sem fazer diferença, achando comodamente que “é assim mesmo”.
Vejo recorrentes convocações para “dia nacional, semana ou mês de oração pelo país”. A oração é importante, necessária e insubstituível, mas Deus não faz milagres desnecessários. Precisamos fazer a nossa parte e Ele, sem dúvida, cumprirá a dEle. O modelo é antigo, completo e eficaz se for seguido com determinação e fé. O registro está no 2º livro de Crônicas, capítulo 7 e versículo 14: ...e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.
Como se vê, o Senhor requer uma série de atitudes devocionais e práticas para que Ele atenda esse tipo de petição. Talvez o pior dos nossos maus caminhos e pecados, na condição de povo de Deus no Brasil, seja a demissão deliberada do dever de ser sal da terra para nos contentarmos apenas em ser luz do mundo. Isso, na decorrência do ensinamento de Jesus, torna incompleta e deficiente a missão transformadora que Ele delegou à Igreja.
Recorro à história para enfatizar que esse estado de letargia e acomodação com o que acontece ao nosso redor – e nos atinge –, queiramos ou não, vem de longe. Em maio de 1932, um grupo de eminentes pastores evangélicos elaborou e divulgou um manifesto de convocação dos irmãos na fé para eleger representantes à Constituinte de 1934, do qual extraí o seguinte trecho:
“Urge abandonar de vez a atitude de simples observadores, atitude de expectativa, de aparente bem estar, de indiferença e comodidade! Urge procurar ter a visão, clara e nítida, da gravidade indisfarçável desta hora nacional, angustiosa, que estamos vivendo! Urge que a voz dos evangélicos de todo o Brasil se faça ouvir por aqueles que vierem a compor a Assembléia Constituinte, que decidirá dos problemas que afetam a vida espiritual e social do Brasil.”
Assinaram o manifesto, líderes denominacionais, como Mattathias Gomes dos Santos, Erasmoraga, Galdino Moreira, Júlio Nogueira, Benjamim Moraes Filho, José de Sousa Marques e outros valorosos homens de Deus. O atendimento a esse apelo teve um resultado bem abaixo do esperado: apenas Guaracy Silveira, pastor metodista, elegeu-se deputado constituinte, por São Paulo, o que se repetiu 12 anos depois, na Constituinte de 1946.
No início de 1986, constatando a desarticulação da comunidade evangélica com relação à participação efetiva na Assembléia Nacional Constituinte, convocada após a redemocratização do país, escrevi “Irmão Vota em Irmão – Os Evangélicos, a Constituinte e a Bíblia”.
A leitura e o amplo debate do livro, que foi o best-seller evangélico do ano, junto com a ação eficiente de centenas de pastores e líderes, proporcionaram a eleição de 34 Constituintes evangélicos, em contraposição aos 9 Deputados que haviam sido eleitos na Legislatura anterior. Quando há atuação efetiva das lideranças, a comunidade se organiza e se mobiliza. Aproveito o ensejo para contraditar opiniões apressadas de quem não leu o livro e afirma que ensinei que crente só deve votar em crente. Pelo contrário. Elenquei uma série de atributos que um político evangélico deve externar para merecer o voto dos seus irmãos na fé. Entre outros: ter convicção de fé e ser leitor e observador da Palavra de Deus, como Josué; possuir vocação para a vida pública, como Mardoqueu; demonstrar argúcia para entender as armadilhas dos adversários, como Neemias; ter coragem para enfrentar crises e contrariar ordens absurdas, como Daniel; e exercer ousadia para denunciar os erros dos poderosos, como Samuel, Natã, Elias, Jeremias e tantos outros. É inaceitável que alguém, sem essas e outras qualificações e explorando simplesmente a condição de evangélico pleiteie o voto dos irmãos na fé, apenas para obter um emprego de vereador ou de deputado.
Em 1995, Deus me deu o privilégio de escrever “Problemas do Brasil à Luz da Bíblia”. No frontispício da obra, destaquei um trecho da Resolução de Consulta sobre Evangelização e Responsabilidade Social aprovada em 1982, como desdobramento do grandioso Congresso Internacional de Evangelização, realizado, em 1974, em Lousanne, na Suíça. Diz assim o trecho escolhido: “É nossa responsabilidade, como cristãos, participar dos debates públicos a respeito dos assuntos atuais, fazer as nossas afirmações com ousadia, praticar e mostrar qual é o ensino da Bíblia, e assim procurar influenciar a opinião pública para Cristo.”
É dessa forma que haveremos de cumprir o papel de sal da terra. Envolvidos. Co-participantes. Agentes ativos. Preocupados com o testemunho pessoal, isto é, com os frutos, para que não nos tornemos sal insípido.
Falando sobre responsabilidade social da Igreja nesse mesmo congresso, Billy Graham afirmou:
“Historicamente, os evangélicos mudaram a sociedade, influenciando pessoas em toda aparte contra a escravidão, e na busca da justiça social. Devemos orgulhar-nos desta
tradição. Ao mesmo tempo, devemos com toda a honestidade encarar os desafios do nosso próprio tempo. (...) Às vezes somos inconsistentes, outras vezes deixamos de refletir nas implicações das verdades que proclamamos.”
Nesse meu livro, com substanciais informações estatísticas oficiais, escrevi sobre “ineficiência administrativa”, “desigualdades sociais”, “corrupção generalizada”, “escalada da violência”, “justiça social no Velho e no Novo Testamentos”, entre outras análises. Aduzi dezenas de textos bíblicos indicando a solução que a Bíblia traz para cada situação deplorável que o país vivia e continua vivendo. É nesse universo, no contexto da sociedade e dos detentores do poder público, que a aplicação do sal precisa acompanhar o efeito da luz.
Temos atualmente em tramitação no Senado o famigerado PL 122, que penaliza com prisão o dirigente religioso que censurar ou impedir, no ambiente do culto, o comportamento de homossexuais, considerado inadequado pelos ensinamentos da Bíblia. Pois bem, essa pode ser uma excelente oportunidade de exercermos objetivamente o papel de sal da terra. Organizemos uma caravana expressiva de 1.000 ou mais pastores de variadas denominações, consigamos uma audiência com a direção da Casa e os líderes partidários e eu tenho certeza de que essa propositura será arquivada. Conheço o Congresso como a palma de minha mão. Em casos polêmicos, os parlamentares vão na direção de quem exercer a pressão maior.
A “ocupação do Senado” com centenas de lideranças evangélicas obterá ampla repercussão na mídia e dará aos congressistas motivação para atender às nossas justas reivindicações.
Não estamos usurpando direitos de ninguém. Queremos defender os nossos.
Fica aqui a proposta.De que vale argumentar que temos 35 milhões ou mais de evangélicos no Brasil, se estamos praticamente inertes ante uma minoria que quer impor interesses grupais sobre direitos e prerrogativas da maioria da Nação? A força deles vem da unidade e da mobilização. Ou agimos com a mesma disposição de luta ou qualquer dia desses a televisão estará anunciando que, numa madrugada sonolenta, alguns senadores aprovaram o PL 122.

Fica a reflexão.
Estamos fazendo a diferença?
Somos sal, espalhando boatos pela rede?
Malaquias 3:18: Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que o não serve.

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