sábado, 31 de outubro de 2009

Aniversário da Reforma - há o que comemorar?

31 de outubro, aniversário da Reforma. Há o que comemorar? Como anda a Igreja Brasileira? Certamente, o Evangelho traz alegria, libertação, cura, comunhão com Deus e com os irmãos na fé. Mas, com tristeza, também percebemos que a infiltração de elementos estranhos à sã doutrina nivela o Evangelho por baixo com diversas outras crenças e costumes. Alguns sintomas podem ser vistos como positivos ou negativos, dependendo da ótica de cada um. Vejamos alguns pontos, e cada leitor tire a própria conclusão.
Primeiramente o efeito do avanço tecnológico como um todo. Esta é uma das portas de entrada de novos elementos na igreja. A tecnologia tem seu lado positivo porque uniu ao redor do globo o povo de Deus espalhado pela terra. Possibilitou maior avanço nas missões mundiais, maior rapidez na evangelização, uma maior comunicação entre as pessoas, seja através de sites, blogs, e-mails, e mensagens on-line, comunicação instantânea entre pessoas e entre os líderes da igreja ao redor do mundo, mas contribuiu negativamente em dois aspectos: afetou a vida comunitária, isto é, a koinonia entre os membros da igreja e abriu canais para a entrada de novas idéias e heresias doutrinárias.
Antes o relacionamento entre os irmãos tinha como base a igreja da localidade, pois era "na igreja" que se encontravam durante a semana e aos domingos comungando a mesma fé, partilhando dos mesmos problemas e soluções, vendo as mesmas pessoas, ouvindo o mesmo pastor e pregador, exceção apenas quando a igreja recebia convidados de fora. O aspecto negativo é que a tecnologia contribuiu para aprofundar o privatismo entre os cristãos. Porque, se antes o espírito de coletividade se restringia à igreja da localidade, hoje a Internet abriu as portas da igreja – dos lares – em que os cristãos têm acesso, como a um grande mercado a todo tipo de ofertas, pregações, livros, vídeos, e podem escolher entre as mensagens da televisão e os cultos transmitidos via WEB. Por que se deslocar até o local do culto, buscando vagas em estacionamentos, sujeito a assaltos e roubos, assistindo cultos em que o som faz rebentar os tímpanos, se em casa pode-se dispor de cultos on-line? Ao dispor de uma variedade de música, pregações e de cultos on-line, os cristãos acedem ao apelo dos pregadores on-line e desviam os recursos que antes era para a igreja local, para a manutenção dos tele-evangelistas. Este é um tema exaustivo que alguns escritores estão analisando com maior profundidade. Além da comunhão, do aperto de mão, do beijo e do calor da amizade que se esvai pelas ondas da WEB.
Os cristãos de hoje vivem isoladamente dos demais irmãos e mantêm uma comunhão virtual sem o calor humano tão presentes no dia a dia da vida da igreja. E abriu as portas para a entrada de novidades e heresias doutrinárias. A igreja foi afetada em sua doutrina, na sua liturgia e no seu estilo de vida na sociedade.
A doutrina – uma descaracterização da ortodoxia, isto é, um relaxamento ou pulverização das regras de fé, antes defendidas a “unhas e dentes”. Aspectos doutrinários, ou de ensinos ficaram pulverizados com a pluralidade doutrinária, pluralidade de pensamento e com a secularização da teologia. Até mesmo denominações pentecostais históricas como as Assembléias pode Deus tornaram-se pluralistas sob vários aspectos. Algumas aceitam o divórcio, outras o repugnam – para citar um exemplo. Algumas têm grupos de danças em sua liturgia, outras cultuam a Deus como faziam 80 anos atrás. Até mesmo na teologia existem diferenças.
Liturgia – uma pulverização da liturgia. A igreja ao longo dos séculos sempre introduziu novos elementos em sua liturgia, nestes últimos anos, porém, a igreja submeteu sua ortodoxia litúrgica a novas influências, algumas igrejas até desprezando a hinódia tradicional e centenária que regia os cultos e a vida da igreja. Se por um lado os novos elementos litúrgicos, como bandas, 40 ou 50 minutos de cânticos, danças e teatros reativaram os cultos, por outro certas características foram lentamente desaparecendo, como a importância da pregação, reverência e ordem nos cultos.
Danças – esta pulverização – até certo ponto com perda de identidade – trouxe para os púlpitos e palanques a entrada de grupos de danças, ou adoração artística. Algumas igrejas vêem nisto uma necessidade; outras utilizam grupos de danças apenas em festas ou celebrações especiais. A maioria faz das danças uma rotina igualando-as aos cânticos e orações. Alguns vêem perigos neste novo elemento que poderá descaracterizar o culto a Deus.
Instrumentos musicais – o uso de apenas um trio de instrumentos – bateria, guitarra e baixo – o desprezo ou alienação dos pianistas e organistas em troca de tecladistas que apenas tocam cifras, e não melodias, trouxe para os cultos uma liturgia limitada a estes instrumentos – sem o toque litúrgico tão comum ao som do órgão e do piano, de instrumentos de sopro e outros de cordas, como o violino e seus semelhantes. Agregue-se a isto a infiltração de músicas e letras repetitivas, sem rimas, métrica e poesia. Além dos mantras que levam as pessoas a alucinações mentais, confundidas com experiências espirituais, etc.
Mensagens de auto-ajuda – a falta da pregação expositiva bíblica em troca de mensagens apenas tópicas; o desaparecimento das pregações doutrinárias em troca de mensagens positivistas e de auto-ajuda e a falta de conhecimento bíblico vêm dominando até mesmo o púlpito das igrejas históricas. Questionam alguns se o verdadeiro cristão precisa de mensagem de auto-ajuda; de ser embalado em sua psique, em sua alma, ao som de novos acordes. A mensagem de auto-ajuda ofuscou a mensagem da cruz.
O avivamento das décadas de 60-70 trouxe o povo de volta à Palavra de Deus, como todos os avivamentos bíblicos da história o fizeram. O atual movimento – que não é avivamento – não está levando o povo de volta à Palavra, mas ao sensacionalismo, à busca de prazer, à prosperidade e a individualização da fé. São coisas que devem causar preocupação, pois que afetará as próximas gerações. Neste caso, a liturgia também foi afetada pela influência dos pregadores televisivos que deixaram o povo exigente quanto a pregações, levando-o a desprezar as mensagens expositivas, difíceis de serem pregadas na televisão pela limitação do tempo, mas tão necessárias para o entendimento da palavra de Deus.
Conseqüentemente, a exacerbação da mística e da fé passaram a ter preeminência sobre a Palavra de Deus. A busca pela renovação espiritual sem o prumo da palavra de Deus vem levando os crentes a desprezar o ensino da cruz e do sofrimento na vida cristã. Cruz e sofrimento ficaram no passado da igreja, a nova “onda” espiritual é a de amar a prosperidade e o sucesso. Até mesmo pregadores antigos tidos como profetas de Deus aderiram a esta nova mensagem, e ficam horas inteiras levantando dinheiro e tirando ofertas do povo com a mensagem da prosperidade, em que somente prospera o pregador... a ganância de Balaão não tem limites. Os gananciosos são pastores e líderes que convidam pregadores “sapatinhos de fogo”, artistas e jogadores famosos, para trazer atrativos extras aos cultos e granjear maior audiência, pois também estão afetados pelo espírito de Balaão e querem lucrar com este tipo de ministério.
O esoterismo evangélico – a falta da palavra de Deus como mensagem expositiva vem levando sutilmente os crentes a viverem um privatismo, o pluralismo e o secularismo como normas da vida cristã. O privatismo leva o cristão a viver em torno de si mesmo; o pluralismo leva-o a aceitar elementos de filosofia e a idéia de aceitação de tudo e de todos na igreja; e o secularismo invadiu a teologia com a filosofia e com os conceitos da psicologia moderna na educação e no ensino das crianças e dos adultos, e na pregação do evangelho.
A ausência da Palavra de Deus vem formando uma igreja com comportamento e práticas esotéricas que dá poderes a elementos místicos, em nada se diferenciando do mundo e das religiões místicas ao seu redor. O esoterismo evangélico concede poderes aos óleos “consagrados”, a água, ao vinho e ao sal, como se o poder de Deus se limitasse a objetos e a práticas vetero-testamentárias. A falta de uma exegese bíblica verdadeira permitiu o surgimento de uma igreja com práticas judaizantes, celebração de festas judaicas, a observação de dias e datas especiais dos judeus, roupas, a bandeira de Israel hasteada nos púlpitos, confundindo o natural com o espiritual, e peregrinações a lugares históricos, considerados “santos”, em que tais práticas e guardas de datas passaram a ser a essência da fé, o propósito da igreja, acima da própria palavra de Deus.
A batalha espiritual, a partir de um entendimento errôneo de Efésios 6, incentiva os crentes a perseguir e destruir Satanás e os demônios. Paulo, Pedro e Tiago ensinam que os cristãos devem ficar firmes e resistir, e nunca sair em perseguição atrás de demônios. As fortalezas malignas que devem ser destruídas estão no campo da mente, e não no campo físico. Mas, para vencer a batalha espiritual, lança-se mão de complicados misticismos. Mapeia-se espiritualmente cidades e territórios, buscam-se as raízes de maldições hereditárias, promovem-se mais e mais sessões de libertação e exorcismo de crentes, fazem-se atos proféticos... a lista é grande, mas nem tudo está baseado na palavra de Deus. Muitas dessas práticas vêm de experiências próprias e doutrinas extravagantes, sem exame crítico à luz das Escrituras.  

Texto original: Ministério Pastor João Antonio de Souza Fillho, pastor e escritor – http://www.pastorjoao.com.br/historia/breveensaio.htm
Publicado com autorização.

sábado, 24 de outubro de 2009

Halloween gospel???

O Halloween se popularizou no cinema e séries de TV e depois nas escolas de inglês, com a justificativa de que é parte da cultura americana. Mas será que é proveitoso o cristão participar dessa festa? Qual a sua origem? O que é comemorado neste dia?
Halloween faz parte de uma série de cerimônias praticadas pelos adeptos da bruxaria – atualmente chamada Wicca - um acrônimo para “witchcraft” (feitiçaria, em inglês). São oito cerimônias chamadas de “Sabás”. Portanto, este dia não é como outro qualquer, mas faz parte de um período “sagrado” para as bruxas. O dia 31 de outubro fica no fim do outono no hemisfério norte, marcando a chegada do inverno; introduz a estação das trevas, o último dia para se recolher qualquer colheita, na véspera do chamado Dia dos Mortos, o “ano-novo” dos feiticeiros.
Essa tradição originou-se nos antigos festivais de outono dos celtas (principalmente no norte da Europa), quando se cria que um portal mágico se abria e os mortos tinham contato com os vivos. Faziam-se fogueiras para assustar os espíritos, e as pessoas saiam pelas ruas com velas e nabos esculpidos com rostos humanos, vestidos de modo mais assustador possível. Depois o nabo foi substituído pela abóbora, mais comum. No início do século XX a antiga tradição, que chegara à América com os irlandeses, virou brincadeira e hoje é uma das principais festas por lá. Crianças saem fantasiadas pelas ruas batendo nas portas, dizendo "trick or treat" para ganhar doces das pessoas. Se não ganham nada, fazem travessuras como pichar as casas, sujar as calçadas, fazer algazarra etc. Por mais que se tente dizer que tudo é brincadeira, o simbolismo por trás da “festa” remete ao ocultismo:
Abóbora em forma de caveira iluminada - além de espantar os espíritos, uma outra lenda diz que um homem morreu e foi-lhe negada a entrada tanto no céu como no inferno. Condenado a perambular como alma penada, colocou uma brasa num nabo oco, para iluminar o seu caminho à noite. Este talismã virou a abóbora que simboliza Jack o’Lantern.
Velas - são usadas velas marrons e alaranjadas, as cores outonais. Pode parecer que não significa nada, mas “coincidentemente”, nos rituais feitos pelas bruxas neste dia, as cores de velas usadas são marrons e alaranjadas. Coincidência?
Pentagrama - embora satanistas modernos digam que não tem relação com o Diabo, mas é apenas um símbolo de poder e força, na verdade é o ponto central do trabalho de encantamento e geralmente é colocado sobre ou na frente do altar.
Pescar maçãs em um tonel - Esta antiga prática veio das tentativas de adivinhar o futuro. Supunha-se que o participante que obtivesse sucesso teria ajuda dos espíritos para a realização amorosa com a pessoa amada. Daí a tal “maçã do amor”, caramelizada, comum nos parques de diversão.
Pedir doces - Esse costume veio da tradição irlandesa de fazer procissões para angariar contribuições dos agricultores, afim de que suas colheitas não fossem perturbadas por demônios. Será que as crianças representariam demônios? O que acontece quando elas não conseguem os doces?
Gato preto - Os gatos eram objeto de adoração e estavam presentes nessa festividade. Toda bruxa que se preze tem que ter um gato preto. Acreditava-se que após um período de meditação, o próprio diabo aparecia na forma de um gato preto.
O que temos que entender é que bruxaria não é fantasia. A bruxaria é real a ponto de ter uma parte do comércio voltado para ela; até a boneca Barbie tem a sua versão "bruxa" (ao lado). É imprescindível que entendamos que do ponto de vista bíblico não se é possível misturar o santo com o profano, até porque o que está por trás do Halloween são pressupostos absolutamente demoníacos, os quais se contrapõem veementemente a todo conceito evangélico-cristão. É admirável que alguns advoguem um tal “Halloween Gospel”, com música pesada, roupas pretas, decoração de abóboras, etc.
Com esse background histórico perguntamos:
Deve o cristão participar de tais “festas”?
O que o santo evangelho de Cristo tem haver com isso?
Claro que nada!
31 de outubro não é dia para se comemorar ou celebrar o Halloween dos evangeli-wicca; nem mesmo para nos lembrarmos dos mortos, parentes queridos que já faleceram e são venerados no dia “dos finados”. Antes, pelo contrário, esta data obrigatoriamente deveria remeter-nos aos idos de 1517, quando Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja Católica, dando inicio à Reforma Protestante.
31 de outubro se aproxima e com ele a possibilidade de refletirmos à luz da história sobre o significado e importância da Reforma. Os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos, até porque, somente assim, poderemos novamente sair deste momento preocupante e patológico que vivemos.

DOA A QUEM DOER!

Adaptado de estudo publicado originalmente por Renato Vargens em seu blog “renatovargens.blogspot.com” - http://renatovargens.blogspot.com/2008/10/halloween-gospel.html em 10 de outubro de 2008, com acréscimos de um estudo de Alexandre Farias Torres, em (http://www.estudosgospel.com.br/estudos/polemicos/halloween.html)

sábado, 17 de outubro de 2009

A Reforma

No dia 31 de outubro
comemora-se o aniversário da Reforma Protestante. Nessa data, no ano de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da igreja de Wittemberg suas famosas “95 Teses”, proposições em que discordava do ensino papal, principalmente no que dizia respeito às indulgências, certificados de perdão de pecados e absolvição da invenção romana “o purgatório”. Essas “indulgências” eram vendidas de cidade em cidade pelos emissários de Roma, a fim de extorquir dinheiro para a construção dos luxuosos prédios do Vaticano. O ato de Lutero provocou a ira da igreja romana, mas, na verdade, ele só pensava em consertar o que estava errado.
Como conseqüência, o “papa” expediu uma “excomunhão” para o “herege”. Lutero, assim que recebeu o documento, queimou-o em praça pública, pois entendia que o “papa” não tinha autoridade para excluir quem quer que fosse da comunhão. O “papa” então proibiu aos católicos a leitura dos escritos luteranos em 1522.
Aos poucos, diante da retaliação papal, foi-se percebendo que o único caminho seria a ruptura com a igreja oficial. Foram organizados debates para discutir a questão, mas as mutretas e tramóias que os delegados do “papa” armavam para condenar aqueles que se lhes opunham já eram manjadas, o que obrigou Lutero a publicar vários livretos expondo suas idéias e justificando-as perante as Escrituras. Ele demoliu um a um os dogmas católicos que não tinham nenhuma base bíblica.
A esta altura, o imperador alemão convocou um assembléia (a “Dieta de Worms”) para que fosse resolvido o assunto. Lutero compareceu mediante a garantia de proteção, pois os romanistas queriam sua cabeça. Lá chegando, manteve-se firme em sua posição, da qual desistiria se fosse convencido, pelas Escrituras, de que seus ensinos estavam errados. Lutero demoliu, literalmente, o sistema romanista: segundo a Bíblia, os sacramentos não têm valor algum, à exceção do batismo dos convertidos e da Ceia do Senhor e, mais importante, mostrava o caminho a ser seguido, com base apenas nas Sagradas Escrituras. Além disso, foi claro ao afirmar o sacerdócio universal de todos os crentes como resultado da fé pessoal em Jesus Cristo.
A reação romana foi de fúria. Amigos de Lutero, então, mantiveram-no escondido por dois anos em um castelo. No exílio forçado, Lutero escreveu numerosos livros encorajando, o povo a ler as Escrituras e buscar a salvação pela fé somente. Para isto, também traduziu a Bíblia para a língua do povo, e assim a Palavra de Deus deixou de ser uma exclusividade dos eruditos. Até essa época, apenas os sacerdotes e intelectuais tinham acesso à Bíblia, pois só havia versões em latim, inacessível à maioria das pessoas.
Em 1529, uma segunda Dieta declarou que a única religião a ser seguida devia ser a católica. Mas então diversas autoridades alemãs que haviam abraçado a fé cristã genuína, conforme ensinada por Lutero, se indignaram contra mais essa arbitrariedade. Eles então redigiram um protesto formal, e passaram desde então a ser chamados de “protestantes”. A Reforma já havia então passado as fronteiras dos estados germânicos, e chegara à Suíça, de onde se espalharia por toda a Europa. Cem anos depois, chegaria à América do Norte. No Brasil, ainda demoraria um pouco mais, até meados do século 19. Mas, como diz um velho hino, “Ninguém detém, é Obra Santa”.
Hoje, o diabo procura ofuscar o 31 de Outubro, uma data tão gloriosa para os verdadeiros cristãos, tentando ressuscitar o “Halloween” (Dia das Bruxas), na mesma data. Mas graças a Deus, que tem dado sabedoria a Seu povo para evitar essas “festas pagãs”. E graças a Deus pelos Seus servos cheios do Espírito, que deram suas vidas para que nós, hoje, tenhamos acesso à maravilhosa Palavra de Deus. Martinho Lutero recolocou a pregação em seu devido lugar; preparou apostilas de treinamento para os ministros; desenvolveu um sistema de administração da Igreja; compôs belíssimos hinos, como o “Castelo Forte”; criou um padrão de ensino elementar para que o povo pudesse aprender a ler a Bíblia em alemão; graças à coragem desse homem, inspirado pelo Espírito Santo, nós hoje alcançamos o entendimento da Palavra e liberdade no louvor, livres da escravidão.

sábado, 10 de outubro de 2009

Seria Aparecida a padroeira do Brasil?

Júlio Brustoloni, autor de vários livros sobre vidas de santos, referindo-se a Maria, mãe de Jesus, afirma que é errado rejeitar “o culto devido àquela Mulher que esmagou com sua descendência a cabeça do demônio”. Há também um estranho livro, de Afonso de Ligório, "As Glórias de Maria", que transfere a Maria, sem a menor cerimônia, atributos e honras que pertencem exclusivamente ao Senhor Jesus. Até a CNBB, com o livreto "Com Maria, Rumo ao Novo Milênio", realiza uma tentativa forçada de justificar o culto mariano. Entretanto, um único versículo da Bíblia os desautoriza a todos: "Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto” (Mateus 4.10).
Além do mais, não se pode admitir, de sã consciência, que uma imagem de barro encontrada em um rio seja o retrato de Maria, conforme nos revela a Bíblia Sagrada. A imagem de “Aparecida” tem esse nome porque “apareceu” em um rio. Trata-se de uma pequena imagem de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados (1). O Dr. Pedro de Oliveira Neto, que estudou a imagem, afirmou em 1967: “A imagem encontrada pelos pescadores junto ao Porto de ltaguaçu é de barro cinza claro, que se vê claramente em recente esfoladura no cabelo” (2). Segundo o estudioso, a imagem “foi feita provavelmente na primei­ra metade de 1600, por discípulo, mas não pelo próprio mestre, do beneditino Frei Agostinho da Piedade” (3).
À mesma conclusão chegaram os artistas do MASP em 1978: “Constatamos pelos fragmentos da imagem em terracota que ela é da primeira meta­de do século XVII, de artista seguramente paulista, tanto pela cor como pela qualidade do barro empregado e, também, pela própria feitura da escultura” (4). Em todo caso, essa peça de barro representa Maria para o catolicismo, e se foi achada no rio, podemos desenvolver algumas hipóteses:
1 – a imagem foi trazida pelos colonizadores brancos por famílias que se instalaram no vale do Paraíba; pelos bandeirantes, pois eles carregavam imagens onde quer que fos­sem; pelos padres que passaram por aquela região; por algum comerciante ou vendedor ambulante; poderia fazer parte de um oratório familiar e, ao ter sido quebrada, foi jogada fora.
2 – a teoria dos escravos; algum escravo poderia associar a imagem a algum orixá, especialmente aos das águas (sincretismo), e assim tê-la lançado como oferenda, fazendo pedidos (engravidar, saúde, proteção, ou para se obter riquezas, dinheiro, pedras preciosas etc.);
3 – a teoria das lendas indígenas - como eles criam na Cobra Norato, uma grande cobra dos rios que durante a noite era um jovem que seduzia as moças, alguém teria lançado a imagem como ritual para proteção;outra lenda diz que alguém enfrentou a cobra gigante lançando a imagem no rio, espantando o monstro.
Mas a teoria oficial da Igreja Católica possui duas fontes sobre o achado, no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (1 Livro do Tombo da Paróquia de S. Antônio de Guaratinguetá) e no Arquivo dos Jesuítas em Roma - Annuae Litterae Provinciae Brasilíanae, anni 1748 et 1749 (5). A história é que, em 1719, três homens pescavam perto de ltaguaçu. Lançando um deles a rede, tirou o corpo da imagem, sem cabeça. Mais abaixo no rio jogou a rede outra vez e conseguiu trazer a cabeça. Não tinham até aquele momento apanhado nada, mas a partir daí fizeram uma copiosa pescaria que encheu as canoas. Após esse milagre, surgiram outros relacionados à imagem.
A explicação do Dr. Aníbal Pereira dos Reis, ex-sacerdote católico, ordenado em 1949, formado em Teologia e Ciências Jurídicas pela PUC-SP, em seu livro “A Senhora Aparecida” (Edições Caminho de Damasco Ltda, SP, 1988), diz que é uma grande armação do padre José Alves Vilela, pároco da matriz local, que teria colocado a imagem no rio, manipulando e divulgando seus supostos milagres.
Idolatria? Os católicos não aceitam que as homenagens a Maria e outros santos sejam consideradas idolatria. Veja no dicionário o que significa o termo:
Ídolo: S.m. 1. Estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um espírito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Idolatrar: V.t.d. 1. Prestar idolatria a; amar com idolatria; adorar, venerar. 2. Amar com idolatria, com excesso, cegamente. Int. 3. adorar ídolos; praticar a idolatria. Idolatria: 1. Culto prestado a ídolos. 2. Amor ou paixão exa­gerada, excessiva (6). do grego, eídolon, ídolo, e latreúein, adorar; refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a objeto, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra (7).
A Bíblia claramente diz que culto a imagem esculpida, estátua, figura de pedra ou imagens sagradas é idolatria e abominação: Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Êxodo 20:4); Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela (Levítico 26:1); Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo vendo a cidade tão entregue à idolatria (Atos 17:16).
Deus proibiu a confecção e o culto a imagens, visto que os pagãos lhes atribuíam caráter religioso. Acreditavam que a divindade se fazia presente no ídolo. Deus ensinou seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, virtuosos e exemplares, nunca foram adorados ou cultuados, nem se fizeram imagens deles! Em algumas sinagogas do século III e até hoje encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais etc, jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel. Algumas imagens que Deus mandou fazer não tinham por objetivo elevar a piedade e nem ser­viam para reflexão ou ensino. Eram mera decoração. Deus mandou fazer a Arca da Aliança, com figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios e ornamentos (I Reis 6:23-29 e 7:23-26; I Crônicas 22:8-13). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas. Se Israel tivesse adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí-los. Foi o que aconteceu com a serpente de bronze (II Reis 18:4). Veja também Salmo 97:7 – Salmo 115:4-9 – Salmo 135:15-18 – Isaías 2:8-9 – I Coríntios 10:7 – II Coríntios 12:2.
Não encontramos argumento para o culto, veneração ou fabricação de imagens no Novo Testamento. Pelo contrário, a Bíblia traz sérias advertências em relação à idolatria:
Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (I Coríntios 6:10-11; Efésios 5:5); As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (GáIatas 5:5); Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (I João 5:21); Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda mor­te... Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Apocalipse 21:8 e 22:15). Paulo foi atacado pelos artífices e comerciantes de imagens em Éfeso:
“Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande é a Diana dos efésios!” (Atos 19:24-28).
Este é o mesmo procedimento da Igreja Católica: não acaba com esse comércio profano e idólatra porque lucra com ele, à custa da perdição eterna de pessoas crédulas que pensam agradar a Deus. “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e impor­ta que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:23-24).
Não existe esse negócio de padroeira do Brasil.
Doa a quem doer.

Notas:
1 Aparecida, Capital Mariana do Brasil. Oswaldo Carvalho Freitas, Editora Santuário. Aparecida-SP p.85.
2 História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Júlio Brustoloni, Editora Santuário. Aparecida-SP p. 20-21 - nota de rodapé 5.
3 Op.cit.p. 21 — nota de rodapé 6.
4 Op.cit.p. 43.
5 Op.cit.p. 346.
6 Dicionário Aurélio.
7 Enciclopédia de Norman Champlin Vol 3, p. 206. Fonte: Revista Defesa da Fé ano 4 nº 26 – setembro de 2000, via CACP (
http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=131&cont=1&menu=2&submenu=3)

domingo, 4 de outubro de 2009

Os novos vendilhões

O propósito eterno de Deus Pai é ter uma família com muitos filhos, e todos estes semelhantes ao seu Filho Unigênito, perfeito e misericordioso Jesus Cristo. Se verdadeiramente nosso objetivo for de gloria em gloria ficarmos parecidos com Jesus, temos de fazer o que ele fez, tendo paz com os homens, mas sem querer agradá-los mais que ao nosso Deus.

Nos tempos da Lei, antes da dispensação da Graça, na porta do templo eram vendidos diversos utensílios utilizados para as ofertas e sacrifícios, onde a Lei era devidamente atendida. No mesmo local cambistas montavam suas barracas, para trocar em moeda local o dinheiro corrente na época, que eram trazido por Judeus de diversas localidades. Segundo a tradição, somente um tipo de moeda era aceita, e mesmo assim deveria corresponder ao valor do animal a ser ofertado, pois o dízimo deveria ser apenas em produtos rurais. A oferta em dinheiro, inclusive, foi criada posteriormente, no tempo do rei Josias, para ajudar a reconstrução do templo. A oferta em dinheiro não fazia parte da lei mosaica.
Aparentemente, os vendilhões não estavam transgredindo a Lei; muito pelo contrário, vendiam utensílios que supostamente serviam para glorificar o Deus criador do céu a da terra.
No evangelho de João, durante uma visita a Jerusalém, Jesus Cristo, passando pela entrada do templo, improvisou um tipo de corda e derrubou as barracas, declarando que aquele não era o local apropriado para vendas.
O templo é um local de oração para todos os povos, creio que Jesus Cristo não mudou de opinião no que se refere ao que deve ou não ser feito quando se está no trajeto para o templo.
As coisas espirituais devem ser discernidas espiritualmente e todos querem ser verdadeiramente espirituais, porém muitas passagens das sagradas escrituras são claras como o sol do meio dia e não necessitam de tanta espiritualidade para serem entendidas e fortalecerem nosso espírito.
Logo após minha conversão eu era uma criança espiritual e agia espiritualmente como criança. Não entendia muitas das passagens da Santa Escritura, e apenas aceitava como um tipo de dogma que vinha de um sacerdote mais experiente que eu - não questionava muito para não parecer insubordinado. Porém, à medida em que buscava entendimento, me libertava de dogmas e do domínio de homens. Bastou entender que nosso Deus não é um Deus de confusão e que tudo que necessitamos para ficarmos parecidos com Cristo está revelado na Bíblia. Nenhuma nova revelação será feita até a volta de Cristo! Perdi o medo de questionar alguns pregadores e lideres que muitas vezes não têm resposta, ou mesmo as ocultam. Todos os crentes que buscarem verificar nas Escrituras se o que foi pregado tem respaldo bíblico agradam verdadeiramente nosso Deus. Esses são tidos diante de Deus como “mais excelentes”, a exemplo dos irmãos de Beréia.
Os vendilhões estão de volta! Simplesmente substituiram pombas, pássaros e bancas de câmbio por CDs, Bíblias, chaveiros, livros, camisas e outras coisas que também servem para “glorificar a Deus” - tudo disponível nas entradas ou mesmo em pequenas lojas dentro dos templos. Qual seria atitude de nosso Senhor Jesus Cristo visitando um desses locais que tanto facilitam o comércio? Não precisamos pensar muito para saber a resposta.
Claro que NÃO ESTAMOS incentivando a quebra destas lojas! Mas em atitude de oração pedimos a Deus que estas pessoas venham a ter suas mentes renovadas pelo pleno entendimento da Palavra. Cristo nesta lição no templo deixou muito claro que não devemos tirar nenhum tipo de proveito financeiro através da fé dos crentes! Ele também nos ensinou que, porque devemos ser submissos às autoridades constituídas, com suas leis e regras, danificar patrimônio alheio é crime e pecado.
Não sou contra a venda de produtos - muito pelo contrário, tenho até adquirido alguns, só que nas lojas instaladas em locais adequados, destinados ao comércio. Que não misturem as coisas de Deus com venda: tudo que Deus nos deu foi de graça, a conta foi paga por Cristo na Cruz. Se de graça recebemos de graça daremos. Que tais produtos sejam comercializados em locais mais adequados.
 
(Colaboração de Luiz de Jesus Peres)